Tarde fria em Santarém sem o calor da bravura e da emoção

Tarde fria em Santarém sem o calor da bravura e da emoção

Tarde fria em Santarém sem o calor da bravura e da emoção, por Francisco Potier Dias.

Foi com uma tarde fria e ventosa (como é apanágio das tardes escalabitanas) que a Monumental abriu as portas para a temporada 2022.

Em praça, os cavaleiros de dinastia, João Moura Jr., João Ribeiro Telles e João Salgueiro da Costa, dividindo cartel com os Amadores de Santarém e os Amadores do Aposento da Moita.

Mediram forças com um vistoso e bem rematado curro de Veiga Teixeira, ganadaria com solar na Herdade do Pedrogão, uma ganadaria querida do Público Tourista Português.

A corrida foi dirigida por Marco Cardoso, assessorado por José Luís Cruz e com José Henriques no cornetim.

Abriu a temporada de 2022, na monumental Celestino Graça, o cavaleiro de Monforte, João Moura Jr., trajando de vermelho rubro bordado a ouro.

Pela frente, um toiro Veiga Teixeira com 540kg, toiro de comportamento equilibrado, com cara aberta e bem rematado de carnes, ainda que ligeiramente fraco de força nas mãos, fazendo-se notar, mesmo no gigante redondel da Celestino Graça, por conta da apresentação, diga-se que o comportamento serviu sem romper nem encantar.

Da lide, pouco se tem a contar, além da vistosa porta gaiola, que resultou bem, culminando num cravar à justa, desfraldando uma bandeira em alusão ao conflito na Ucrânia, sendo a restante atuação regular, sem aparatos, destacando-se os últimos 2 curtos em reuniões ajustadas e emotivas, não permitindo o toiro grandes bregas (o tamanho do redondel efectivamente não colabora), mas a sacar com assertividade e arte o possível deste toiro e a rematar uma actuação limpa e de boa nota artística, dentro do toiro que pouco ajudou.

Pelas artistas de ramagens bordadas, abriram praça os Amadores de Santarém pelo forcado Francisco Cabaço. Na pega esteve como mandam os livros, a citar de largo, com temple, galhardia, dando a vantagem ao toiro e alegrando devidamente na investida, recuando e reunindo “abrindo os braços ao mundo” e concretizando à primeira tentativa, com uma viagem vistosa e o grupo bem a fechar.

Depois da veia mourista abrir as “hostes”, longe da rivalidade doutros tempos, mas, em praça para dar de si, o cavaleiro coruchense João Ribeiro Telles Jr, trajando de casaca azul escura debruada a fio de ouro.
Por diante teve, por sorte, um exemplar de Veiga Teixeira com 525 Kg de peso, de apresentação irrepreensível, cara larga e bem rematado de carnes, um toiro que rompeu praça andarilho e um tanto ou quanto distraído, melhorou durante a lide, mas, à imagem do anterior, não rompeu. Ainda assim, a cumprir mais que o anterior. A dimensão do redondel não é abonatória, mas, estes dois primeiros exemplares de Veiga Teixeira, trabalharam “a gasóleo” e devido à crise deve ter-lhes faltado…

Da lide, começou desde logo por receber o seu oponente de porta gaiola, no entanto, o dito “negro gravito”, saiu à praça “andarilho e de cabeça no ar” e impediu qualquer intenção de sorte por parte do ginete de Coruche, que acabou por cravar já após alguma colocação, sem grande emoção. Seguiu para curtos, cravando a ferragem da ordem desenhando diversas sortes, dando vantagens ao toiro, entrando toiro a dentro… “houve de quase tudo…”, mas, ficou a sentir-se que houve muito mais cavaleiro que toiro, mérito a João por isso, que procurou levar por diante e fazer desfrutar o púbico presente. Destaque para o terceiro e quarto curtos, em que o Toureiro pisou terrenos de compromisso e obrigou o seu oponente a soltar valor de bravura que havia em si.
Nota para a colocação do toiro, quase sempre realizada pelo cavaleiro, poupando o público e o toiro a constantes aparições dos peões de prega.

Para tentar a sorte, a este segundo da tarde, em praça os Amadores do Aposento da Moita pelo forcado Leonardo Mathias, cabo da formação. Na pega, bem o forcado, a citar o toiro, templando e procurando mandar, reunião bem à córnea, fazendo a viagem por baixo, mas, com uma grande primeira ajuda que o aguentou na cara e bem o grupo a fechar de seguida, resolvendo à primeira tentativa.

E nesta tarde em que se celebra o dia do pai, seguiu-se mais um cavaleiro, que carrega a história e a exigência herdadas de seu Pai, também ele cavaleiro. João Salgueiro da Costa, o cavaleiro da Valada, encerra esta primeira parte na monumental Celestino Graça, trajando de azul escuro com bordados de ouro.
Para o ginete da Valada, quis a sorte que saísse à praça um exemplar de Veiga Teixeira com 530Kg de peso, de apresentação irrepreensível, cara larga e bem rematado de carnes, saiu à praça a romper pelos capotes junto a tábuas de rabo no ar… a prometer… tendo vindo durante a lide a apresentar disponibilidade Q.B e vontade de investir ao cavalo, mas com nobreza.

Da lide, o ginete da Valada cravou os compridos da ordem com reuniões ajustadas e a transmitir, em curtos, andou bem, a colocar o toiro nos terrenos que pretendia, toureando e desfrutando da sua função… que é tanto mais que reunir e cravar. Desenhou uma lide aguerrida, cravando com emoção e em terrenos de compromisso, procurando dar vantagens ao toiro, não transmitindo mais porque o seu oponente quase sempre se parou logo após as reuniões, não permitindo grandes adornos. Ainda assim, a chegar ao público da capital do Ribatejo e a assinar uma atuação a apertar com os seus companheiros de cartel.

Novamente em praça os amadores de Santarém pelo forcado Joaquim Grave.
Na pega, citou mais de meia praça com o toiro de rabo para si, tendo logo após meio do redondel o toiro encarado o forcado e investido de imediato, solto e com ganas, tendo o forcado recuado e reunido de forma vistosa, com o grupo de imediato a fechar e permitir consumar à primeira tentativa.

Nesta tarde que já ía longa, com duas horas de espectáculo para uma parte da corrida, muito devido a problemas na recolha das reses bravas, que só à terceira se mostrou eficiente, seguiu o espectáculo sem intervalo…

Para a sua segunda e última atuação da tarde, em praça, João Moura Jr., que encerrou a sua prestação de frente a um Toiro Veiga Teixeira com 505Kg. Mais um exemplar, mais que digno de praça de 1.ª, muitíssimo bem apresentado, de cara vistosa e rematadíssimo, sendo reservado de comportamento, tendo permanecido assim, durante toda a lide , sentindo cada ferro mas acovardando-se após a reunião, investindo meramente quando apertado em curto.

Da lide, em compridos andou regular João Moura Jr, por diante de um Veiga Teixeira que se parava e se sentia logo após a reunião, não permitindo qualquer intenção de transmissão. Em curtos, o toiro permaneceu com o comportamento, sentindo-se a cada ferro e desligando logo após a reunião do cavaleiro, só investindo e procurando o cavalo na preparação dos ferros, onde o cavaleiro ainda tentou deixar algum “charme”… mas, pouca ou nenhuma emoção e quando assim é, não valem a pena rodeios… não há nada, para além de correria, cravagem, não menosprezando a qualidade das reuniões e dos ferros, mas… não há sumo nem é justo que diferente se diga, para bem da Festa. Mérito para o cavaleiro, que entendeu o toiro, pisou terrenos e tentou não deixar uma mão cheia de nada nesta sua última lide.

Novamente em praça os Amadores do Aposento da Moita pelo forcado Martim Cosme. De frente a este quarto da tarde esteve bem o forcado, sem grandes tempos para o que quer que fosse, uma vez que, o toiro investiu mal se encarou com ele, reunindo com galhardia e bem o grupo a ajudar uma viagem vistosa que culminou num embate em tábuas que acabou abrindo a porta de acesso à teia… percalços evitáveis… mas a consumar à primeira tentativa.

Novamente em praça o cavaleiro de Coruche, João Ribeiro Telles Jr, que brindou esta sua última atuação da tarde a seu pai e antigo cavaleiro tauromáquico João Ribeiro Telles, mas também, aos pais dos seus companheiros de cartel e também eles cavaleiros, João Moura e João Salgueiro ,e brindou onde se brindam as figuras… Na Arena, bem! Saiu à praça o quinta da tarde, um exemplar Veiga Teixeira com 510kg, novamente de apresentação irrepreensível, saindo de rompante e sintonizando-se desde logo com o cavaleiro, comportamento que manteve durante toda a lide, permitindo uma lide muito ligada entre toureiro e toiro fazendo desfrutar o público presente.

Da lide, perante um Teixeira que se empregava nas reuniões e permitia bregas após as mesmas, o ginete de Coruche soube estar e aproveitar. Cravou os compridos da ordem e seguiu para um lide em curtos “de livro”, indo para cima do seu oponente e cravando de verdade. Pena que, raras ou nenhumas as vezes que o toiro se arrancou de largo, acabado as sorte por serem sempre a carregar o toiro não dando a primazia e a vantagem que se pedem. Ainda assim, a desenhar uma lide de muito boa nota, com um toiro que transmitiu um pouco mais, rematando a lide com dois ferros de praça a praça com o ilusionista, com batida ao piton contrario, em reuniões ajustadas que fizeram levantar a monumental de Santarém.

Novamente em praça, para a sua última pega da tarde, os amadores de Santarém pelo forcado António Melo, que brindou a todo o público presente na monumental de Santarém. Na pega, andou bem o forcado, a falar bem com o toiro e a alegrar a investida, bem a reunir fazendo uma viagem por alto, com o grupo a abrir ligeiramente, mas a fechar após impacto nas tábuas, consumando à primeira tentativa.

A fechar a tarde de toiros em Santarém, novamente em praça o cavaleiro João Salgueiro da Costa. Perante um toiro Teixeira com 530Kg, de boa apresentação mas de comportamento contrastante, manso, fechado em tábuas, reservadíssimo, o pior dos 6 toiros da corrida.

Da lide, Salgueiro tirou o impossível de um coirão. Lidou em tabuas, apertou com ele e ainda acabou apertado… Os mansos também se lidam, mas, assim é muito…Pouca história, não por culpa do cavaleiro que tão boas indicações deixou na primeira lide.

A última pega da tarde foi concretizada por Tiago Valério, do Aposento da Moita, à primeira tentativa.

Uma tarde que sem emoção, ficou-se pelo convívio entre gerações e gerações que hoje acorreram a Santarém, grande ambiente, porque faltaram touros e quando assim é não há Tauromaquia, há qualquer coisa, mas não se completa.

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