Trabalhar em Lisboa pode valer mais três salários por ano: estudo revela desigualdades profundas em Portugal, assinalou a Randstad.
Diferenças salariais continuam a marcar o país
No Dia do Trabalhador, um novo estudo veio reforçar uma realidade já conhecida: trabalhar em Portugal não oferece as mesmas condições em todas as regiões.
Segundo a Randstad Research, “Trabalhar em Lisboa pode significar mais 525€ por mês do que no interior, o equivalente a quase mais três salários por ano.”
Assim, a capital destaca-se como a região mais vantajosa em termos de rendimento, criando um fosso significativo face ao resto do país.
Mais qualificação e mais liderança na capital
Além dos salários, o estudo aponta para uma maior concentração de talento qualificado em Lisboa.
De acordo com os dados, “Quase 42,3% dos profissionais em Lisboa estão em cargos qualificados ou de liderança, mais do dobro de algumas regiões.”
Por outro lado, nas regiões autónomas, os números são bem mais baixos. “Nos Açores (1,6%) e na Madeira (2,0%), a proporção de chefias é menos de metade da média nacional.”
Deste modo, a geografia continua a influenciar diretamente as oportunidades de progressão profissional.
Mais rendimento, mas também mais horas de trabalho
Contudo, os salários mais elevados vêm acompanhados de maior exigência laboral.
Segundo o relatório, “Mais qualificação traduz-se em maior intensidade laboral: 21,5% dos trabalhadores em Lisboa ultrapassam as 40 horas semanais.”
Assim, a valorização salarial na capital está frequentemente associada a maior carga de trabalho e responsabilidade.
Um país dividido entre indústria, serviços e turismo
Entretanto, a análise revela também diferenças claras na estrutura económica do território.
Como indica o estudo, “Norte e o Centro afirmam-se como o cinturão industrial do país, enquanto o Algarve e a Madeira dependem estruturalmente do turismo.”
Já Lisboa e a Península de Setúbal concentram maioritariamente comércio e serviços, enquanto o Alentejo apresenta maior peso da administração pública.
Mercado de trabalho cresce, mas desigualdades mantêm-se
Apesar de um crescimento do emprego, as assimetrias persistem. O país registou mais de 5,28 milhões de pessoas empregadas em 2025, mas com realidades muito distintas.
A própria análise sublinha que “o mercado de trabalho nacional continua marcado por assimetrias estruturais que dividem o território em várias realidades distintas.”
Especialistas alertam para desafio estrutural
Perante este cenário, a necessidade de equilíbrio territorial torna-se evidente.
Isabel Roseiro destaca: “Os dados mostram que o mercado de trabalho em Portugal continua condicionado pela geografia, não apenas em termos de salário, mas também no acesso a funções de decisão e progressão profissional. Este é um desafio estrutural que exige uma visão integrada entre os diversos agentes do mercado e as estratégias empresariais, no sentido de promover a coesão territorial e oportunidades mais equitativas em todo o país.”
Assim, o estudo aponta para a urgência de políticas que reduzam as desigualdades e promovam oportunidades mais equilibradas em todo o território nacional.
