Virgílio Castelo lança novo livro e revisita a noite, a carreira e os amores, tendo concedido entrevista ao Dioguinho.
Ator publica “Consumo Obrigatório” e traça retrato íntimo de uma geração
Virgílio Castelo lançou esta quarta-feira, 28 de janeiro, o livro Consumo Obrigatório, obra onde revisita décadas de vivências ligadas à noite, às artes e às transformações sociais em Portugal. A propósito do lançamento, o ator concedeu uma entrevista ao site Dioguinho, onde falou sem filtros sobre o passado pessoal e profissional.
Desde logo, explicou a génese do livro e a escolha de Afonso Pimentel para a apresentação. Segundo Virgílio Castelo, a noite foi o ponto de partida da escrita: “Achei estranho como é que, sendo a noite uma zona da vida que toda a gente enfrentou, havia pouca coisa escrita sobre isso.”
Histórias entre boates, teatro e televisão
Ao longo da conversa, o ator explicou que as narrativas do livro atravessam várias décadas. Nesse sentido, esclareceu: “As histórias passam-se desde 1966 até 2001.” Para contextualizar o leitor, decidiu cruzar memórias da noite com o percurso artístico: “Achei que o melhor era falar das peças de teatro, dos filmes, das novelas.”
Virgílio Castelo abordou também o imaginário associado ao lema “sexo, drogas e rock and roll”, defendendo que marcou profundamente uma geração: “Foi transversal a toda a juventude.” Contudo, sublinhou uma diferença temporal: “Esse imaginário não veio para Portugal nos anos 60, só veio nos anos 70.”
Da moda à televisão: início de carreira e rótulo de galã
Questionado sobre o início do percurso profissional, recordou os primeiros passos como modelo: “Comecei a trabalhar na moda dos 18 até aos 21.” Mais tarde, a televisão trouxe notoriedade, sobretudo com a novela Origens.
Apesar da popularidade, o ator revelou que o rótulo de galã foi um peso: “Se era um galã é porque não era bom ator.” Confessou ainda: “Isso magoou-me durante muitos anos.”
Cartas, assédio e relações amorosas
Durante a entrevista, Virgílio Castelo falou abertamente sobre o impacto da fama na vida pessoal. Recordou que recebia muitas cartas e identificou dois tipos de admiradoras: “Ou eram adolescentes ou mulheres já divorciadas ou viúvas.” E explicou: “Correspondia ao imaginário de mulheres que ainda não estavam sexualmente ativas ou que tinham deixado de estar.”
Sobre a vida amorosa, fez um balanço claro: “Foram quatro mulheres com quem eu vivi.” Entre elas, destacou o mediático casamento com Alexandra Lencastre, reconhecendo dificuldades: “Teve coisas divertidas, mas também coisas complicadas.” Ainda assim, garantiu: “Somos amigos.”
“Assentei” aos 49 anos
Quando questionado sobre a vida noturna, Virgílio Castelo foi direto: “Eu saí até aos 49 anos.” O ponto de viragem surgiu com a atual companheira: “Depois conheci a Maria Lucena.” Confrontado com a ideia de ter assentado, confirmou sem hesitar: “Exatamente!!!”
Bastidores da televisão e dificuldades da ficção nacional
O ator falou também da experiência como diretor da NBP e consultor em vários canais. Apesar do prestígio, confessou: “Encara-va sempre como uma coisa de dever e não de prazer.”
Sobre a ficção portuguesa, apontou um problema estrutural: “O nosso problema é financeiro.” E reforçou: “Os orçamentos que nós temos são baixíssimos.”
Teatro, novelas e projetos atuais
Atualmente, Virgílio Castelo está focado sobretudo no teatro. Entre os projetos, destacou a peça Todos os Pássaros, no Teatro São Luiz, e a substituição de Ruy de Carvalho em A Ratoeira.
Sobre o futuro, mostrou-se grato: “Tenho conseguido trabalhar ao longo destes 52 anos.”
Um livro sobre memória, geração e noite
No final, Virgílio Castelo explicou o propósito de “Consumo Obrigatório”: “Acabei por fazer, sem querer, um retrato de toda uma geração.” Acrescentou ainda: “As pessoas vão encontrar nestas histórias pedaços da vida delas.”
Quanto ao pior encontro da noite, preferiu manter o mistério, rematando com humor: “A gentleman never tells.”
Livro promete provocar nostalgia e identificação
Assim, “Consumo Obrigatório” surge como um olhar íntimo sobre a noite, a criação artística e a passagem do tempo, reunindo memórias pessoais e coletivas de uma geração que marcou a cultura portuguesa.
