Virgílio Castelo: “Sei que as minhas passagens pelo poder criaram não digo inimigos, não vou tão longe, mas alguns anticorpos”, disse ao Notícias Magazine.

Virgílio Castelo já teve um grande poder de decisão na televisão em Portugal, além de ser um dos mais conceituados actores portugueses.
Falou à revista Notícias Magazine, explicando que : “O poder nunca foi uma procura. Foi-me oferecido pelo Nico (Nicolau Breyner), que um dia se cruzou comigo e me disse que gostava que o substituísse na Direção-Geral da produtora NBP. Foi inesperado. O poder em si não me fascina. Para mim, é um instrumento. Usei-o para mudar algumas das características da produção de séries e novelas em Portugal”.
“(…) Os colegas olham para nós com uma expectativa. Acham que temos uma obrigação. Mas aí sou pouco português. Nunca usei o poder para beneficiar amigos ou familiares. (…) Sei que as minhas passagens pelo poder criaram não digo inimigos, não vou tão longe, mas alguns anticorpos. Sobretudo na passagem pela RTP”, acrescentou.
“Os produtores, realizadores, criadores não olham para a RTP como uma emissora de televisão. Olham para a RTP como um banco. E não aceitam nenhuma opinião. Se antes de passar o cheque se pedir para ver o guião, ficam muito zangados porque estamos a interferir na liberdade criativa. A RTP tem de dar o cheque e ficar calada. Não aceitei isso. Daí os anticorpos”, rematou.
Virgílio Castelo foi responsável pelo departamento de ficção da RTP entre 2015 e 2018.
