1ª Companhia: Joana D’Arc acaba a dar razão ao Instrutor Marques, recuperando uma conversa antiga.
A noite trouxe silêncio à parada da 1.ª Companhia, mas também abriu espaço à reflexão. Desta vez, o foco não esteve nos exercícios físicos, mas nas convicções pessoais.
Perante o pelotão, o Instrutor Marques decidiu recuperar palavras do passado. A pergunta foi direta e obrigou Joana D’Arc a revisitar uma afirmação feita semanas antes.
Joana D’Arc confrontada com o passado
Em primeiro lugar, o militar relembrou uma declaração marcante da recruta. Há cerca de um mês, Joana sentia que o contexto militar lhe estava a retirar identidade.
Agora, quis saber se essa perceção se mantinha.
“Joana, há quatro semanas atrás eu fiz-lhe esta pergunta dentro da sala de instrução e você disse de alguma maneira que tinha perdido a sua identidade. Responda à data de hoje se você ainda acha que perdeu a sua identidade ou que ela foi moldada de alguma maneira e que a Joana está diferente, mas com a mesma identidade”.
Assim, o desafio foi claro: reconhecer mudança ou reafirmar a posição inicial.
Perante os colegas, Joana assumiu que a experiência transformou a sua visão.
“É isso. Tenho que admitir que, embora me custe, um bocadinho… Que ela andava a se torcer. Eu não gosto muito. Mas tenho que admitir que tem um bocadinho de razão. Não perdi a minha identidade, mas efetivamente moldei a minha identidade. Para melhor. Pelo menos é o que eu sinto. Mas vou continuar chorando”.
Deste modo, reconheceu que a disciplina não apagou quem é. Pelo contrário, ajudou a moldar a sua postura.
Noélia e o peso de liderar dentro da caserna
Entretanto, a conversa evoluiu para outro terreno sensível: a liderança. Foi Noélia quem trouxe um novo ângulo ao debate.
Habituada a chefiar na vida profissional, a empresária admitiu que, na caserna, o papel de comando foi inesperadamente exigente.
“Eu nunca tive medo do trabalho e nunca tive medo de mandar, mas aqui tive medo de mandar. Porque aqui tinha uma equipa de recrutas, tudo a depender da pessoa que manda. E o trabalho mais difícil aqui acho que foi o das pessoas que mandaram sempre. Acho que foi o vosso. Cada um de nós teve as nossas dificuldades, sim, mas o trabalho mais difícil aqui foi feito por vocês, porque vocês não sabiam o que esperavam deste lado e, consoante aquilo que nós íamos dizendo e fazendo, vocês tinham que agir”.
Além disso, explicou que a posição de subordinação lhe foi mais confortável do que esperava.
“E eu aqui custou-me muito menos obedecer do que me custou mandar e, na minha vida lá fora, eu sou chefe, eu mando, não é? Portanto, tenho funcionários, oriento. Aqui, para mim, o mais difícil foi quando tive uma responsabilidade acrescida de quando era a recruta da semana, mas mais quando tive de dar as vozes, essas situações assim”.
Consequentemente, a experiência revelou uma nova perspetiva sobre autoridade.
Uma lição fora da zona de conforto
Por fim, Noélia sintetizou o que leva desta fase da 1.ª Companhia. Liderar, sobretudo fora do contexto habitual, mostrou-se mais complexo do que antecipava.
“O que aprendi é que mandar é sempre, ou orientar, é sempre mais difícil do que obedecer… Mas eu, como isso é o que eu faço na minha vida, achei que não fosse tão difícil. Mas cheguei à conclusão que é deveras difícil. Porque são coisas muito específicas e quando não é a nossa área de conforto, ainda mais difícil se torna”.
Assim, a noite ficou marcada por uma dupla reflexão. De um lado, a identidade que se molda sem se perder. Do outro, a liderança que pesa mais quando sai da zona de conforto.
