Paio Pires: Duarte Fernandes triunfou, André Gonçalves com estreia auspiciosa

Paio Pires: Duarte Fernandes triunfou, André Gonçalves com estreia auspiciosa numa agradável noite de touros.

Texto: Rui Lavrador / Fotografia: André Nunes

A praça de toiros de Paio Pires voltou a encher-se, esta sexta-feira, para mais uma corrida de touros. Nesse sentido celebrou-se o centenário do Paio Pires Futebol Clube. O cartel estava bem rematado, os touros de Maria Guiomar Cortes Moura apresentaram comportamento positivo, embora sem deslumbrar e alguns andarilhos, ficando algo aquém em termos de apresentação, e o público correspondeu, enchendo as bancadas num ambiente festivo.

Triunfo de Duarte Fernandes, estreia auspiciosa de André Gonçalves e classe de Rui Fernandes

A noite ficou marcada por vários momentos de bom nível, com destaque absoluto para Duarte Fernandes, que assinou a melhor actuação da corrida. Com uma entrega impressionante, o jovem cavaleiro demonstrou poder, técnica e ligação ao público, numa lide que levantou os aplausos mais intensos da noite. A sua performance, intensa e dominadora, confirmou o momento ascendente que vive na temporada.

Antes, Rui Fernandes tinha deixado a sua marca num segundo toiro que permitiu ao cavaleiro exibir as suas melhores qualidades. Com elegância, classe e técnica, assinou uma actuação cheia de entrega e maturidade, reafirmando o seu estatuto como uma figura do toureio a cavalo. Assim, a estética de Rui Fernandes é algo que o diferencia e o coloca num patamar distinto da maioria.

- Publicidade -

Por sua vez, António Ribeiro Telles abriu a corrida com discrição e a espaços demonstrando a mestria que lhe é reconhecida. A sua lide, serena, foi pautada pela experiência e por uma leitura correta do oponente. Mais tarde, António Telles filho exibiu solidez. A evolução do cavaleiro tem sido notória e, nesta noite, apresentou uma postura tranquila, revelando maturidade e confiança.

No entanto, um dos momentos mais aguardados da noite foi a estreia em praça portuguesa de André Gonçalves. O jovem cavaleiro luso-mexicano, com apenas 16 anos, apresentou-se diante do público com enorme personalidade. Apesar da exigência do novilho, mostrou intuição, bases técnicas e, acima de tudo, um sentido de toureio surpreendente para a idade. Muito boa a fase da cravagem comprida, manteve-se seguro na ferragem curta, conquistando o público. André é ar fresco e deixou vontade de o ver mais vezes. Deixem-no crescer sem pressão, porque qualidade tem-na de sobra.

No final da corrida, foi Bruno Nery quem encerrou a noite. O cavaleiro amador enfrentou um novilho que lhe colocou dificuldades. No entanto, Bruno Nery foi superando e terminou com nota positiva, dando sinais claros de que o seu caminho será para continuar.

Minuto de silêncio em memória de Martim Marques

Nas pegas, os grupos de forcados Amadores de Lisboa e Amadores da Moita estiveram em destaque. Pelos lisboetas, Nuno Fitas e Manuel Braga pegaram à primeira, enquanto Tiago Silva concretizou à segunda. Pelo grupo da Moita, destacaram-se Carlos Domingues (à quarta tentativa), João César (à segunda) e João Pombinho (à primeira). A pega de Manuel Braga foi especialmente aplaudida, num gesto simbólico por ter sido ao novilho lidado por André Gonçalves, com quem partilha origens em Alcácer do Sal.

Porém, antes do início da corrida, guardou-se um minuto de silêncio em homenagem a Martim Marques, jovem forcado falecido recentemente. O evento integrou ainda a celebração do centenário do Paio Pires Futebol Clube, com brindes aos seus dirigentes.

Em suma, Paio Pires voltou a demonstrar que já se afirma como uma praça com peso na temporada. Com nomes consagrados e novos talentos, a Festa Brava saiu valorizada.

Assim, em Paio Pires: Duarte Fernandes triunfou, André Gonçalves com estreia auspiciosa e Rui Fernandes demonstrou classe, sendo os 3 maiores destaques da noite.

- Publicidade -

Destaques

Rúben Luz Lameira ao Infocul: “Não podemos vender gato por lebre” no cante alentejano

Rúben Luz Lameira tinha os amigos à espera para...

Francisco Inácio, à porta dos 18 anos: “As histórias têm de ser minhas”

Em entrevista ao Infocul, o músico de Rio Maior...

Miguel Lunet: em “Rapaz da Geração Z”, o humor também sabe escrever canções

Há sempre alguém numa festa que parece ter comprado...

Monda: “Talvez Amanhã” e a liberdade de fazer música sem obedecer aos algoritmos

Gosto dos Monda desde o primeiro disco. A ligação...

Rui Veloso emociona o Sagres Campo Pequeno com «Porto Sentido» e homenagens a João Gil e Luís Represas

Rui Veloso levou o Sagres Campo Pequeno numa viagem...
- Publicidade -

Reportagens

- Publicidade -

Artigos relacionados