Tolentino Mendonça reflete sobre a fragilidade da oração e a presença constante de Deus, através das suas redes sociais.
Cardeal partilha texto nas redes sociais
Mensagem aborda a imperfeição humana na experiência espiritual
O cardeal José Tolentino de Mendonça recorreu às redes sociais para partilhar uma reflexão profunda sobre a oração e a dificuldade humana em vivê-la de forma plena no quotidiano atual.
No texto, originalmente publicado no Avvenire, o responsável da Igreja Católica aborda a oração imperfeita, fragmentada e muitas vezes marcada pela dispersão interior.
Uma oração feita de fragmentos
Tolentino Mendonça começa por reconhecer que nem sempre gostamos da nossa própria oração, marcada por interrupções e limitações.
“Pode acontecer que não gostemos da nossa oração. A oração de que somos capazes é uma conversa feita de monossílabos, de frases quebradas, cheias de elipses.”
O cardeal descreve uma oração atravessada pela pressa do quotidiano e pela dificuldade em manter o coração concentrado.
“Uma pobre oração presa entre idas e vindas, sempre com o coração meio fugaz, neste cotidiano frenético que não permite trégua.”
Entre o silêncio e a repetição
Na reflexão, o autor aponta ainda formas de oração marcadas mais pelo gesto do que pela palavra, ou pela repetição mecânica.
“Pode acontecer que o que temos para oferecer ao Senhor seja uma oração feita mais de olhares do que de palavras.”
E acrescenta:
“Pode acontecer que o que carregamos nas mãos seja ainda uma oração de escola, repetida como versos decorados ou tabuadas.”
Segundo o cardeal, trata-se de uma oração ainda imatura, que tropeça ao longo do caminho espiritual.
“Uma oração, depois de tantos anos, ainda imatura; ainda incerta e ziguezagueante.”
Uma ligação que Deus transforma
Apesar desta fragilidade, Tolentino Mendonça sublinha que Deus permanece presente e transforma essa imperfeição em relação.
“É lindo saber que Deus pode transformar nossa oração insatisfatória, para não dizer decepcionante, em um cordão tenso que nos conecta a Ele.”
Assim, a mensagem partilhada pelo cardeal convida a uma vivência mais serena da espiritualidade, reconhecendo que mesmo a oração incompleta pode ser lugar de encontro e ligação com Deus.
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