Cardeal José Tolentino Mendonça desafia fiéis a viver a Quaresma como “primavera interior”, assinalou.
Mensagem para o início da Quaresma apela à oração, ao jejum e à partilha
Com o início da Quaresma, o cardeal português José Tolentino de Mendonça partilhou nas redes sociais uma reflexão espiritual centrada na renovação interior e no regresso ao essencial da fé cristã. O texto, intitulado “Rezar a Quaresma”, propõe este tempo litúrgico como oportunidade de transformação pessoal e reencontro com Deus.
Logo no início, o cardeal apresenta a Quaresma como um período de graça e recomeço. “Ajuda-nos, Senhor, a viver a quaresma que agora começa como um tempo favorável, como uma chamada a renascer.”
Além disso, descreve este caminho espiritual como um processo de revitalização profunda. “Ajuda-nos a olhar a quaresma como uma primavera interior que desencadeia em nós uma verdadeira revitalização e rompe o oceano gelado que, tantas vezes, é a nossa vida.”
Oração que se traduz em gestos concretos
Por outro lado, o cardeal sublinha que a vivência quaresmal não se limita às palavras. A espiritualidade, afirma, deve expressar-se em atitudes concretas. “Ajuda-nos a recordar que um orante não é apenas uma árvore de palavras, mas é também uma árvore de gestos.”
Nesse sentido, a oração surge como eixo estruturante deste tempo. O texto aponta para uma busca persistente de Deus, marcada pela humildade e pela urgência interior. “Que Te busquemos com o desejo dos peregrinos, com a urgência dos sedentos, com a humildade dos mendigos.”
Do mesmo modo, o silêncio é apresentado como espaço privilegiado de encontro. “Que soletremos o Teu Nome no silêncio, sentindo que o Teu Nome acende dentro da nossa noite uma luz.”
Consequentemente, a oração é descrita como elemento unificador da existência. “Que a oração seja o fio discreto que liga todas as coisas e lhes revela o sentido.”
Jejum como escola de esvaziamento
Entretanto, o jejum ocupa um lugar central na reflexão. Mais do que uma prática exterior, é entendido como exercício de liberdade interior e escuta. “Que o jejum, voluntariamente assumido, constitua para nós uma escola de esvaziamento de si para que possamos escutar e acolher aquela plenitude que vem de Ti, Senhor.”
Assim, a renúncia ganha um significado construtivo. “Que na renúncia e na privação nos abramos à arte do dom, ao artesanato da paz.”
Partilha e compromisso com os necessitados
Além da oração e do jejum, a mensagem destaca a dimensão solidária da Quaresma. O cardeal convida à partilha concreta com os mais vulneráveis. “Ensina-nos a repartir com os necessitados o nosso tempo, a nossa humanidade, os nossos bens, recordando-nos que devemos distribuir gratuitamente o que gratuitamente recebemos.”
Por fim, a reflexão aponta para o exemplo de Jesus como critério de vida. “Que esta quaresma, Senhor, nos torne sensíveis à lição de Jesus, assumindo a audácia e a alegria de uma vida vivida segundo o Seu estilo.”
Através desta mensagem, publicada nas redes sociais, José Tolentino de Mendonça propõe uma Quaresma vivida com profundidade, coerência e compromisso. A reflexão enquadra-se na tradição cristã deste tempo litúrgico, marcado pela preparação para a Páscoa e pela renovação espiritual dos fiéis.
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