Pedro Chagas Freitas recorda gesto da tia que nunca esqueceu: “A empatia é silenciosa”

Pedro Chagas Freitas recorda gesto da tia que nunca esqueceu: “A empatia é silenciosa”, afirmou.

Pedro Chagas Freitas partilhou nas redes sociais uma memória íntima, ligada aos tempos em que estudava em Lisboa e enfrentava dificuldades financeiras.

Num texto dedicado à tia Maria José, o escritor recordou um gesto discreto que, segundo o próprio, lhe ensinou uma das maiores lições sobre empatia e amor.

Uma recordação dos tempos de estudante

Na publicação, Pedro Chagas Freitas começou por apresentar a tia como alguém que foi muito além do laço familiar.

“𝗘́ 𝗺𝗶𝗻𝗵𝗮 𝘁𝗶𝗮, 𝗺𝗮𝘀 𝗲́ 𝘀𝗼𝗯𝗿𝗲𝘁𝘂𝗱𝗼 𝘂𝗺𝗮 𝗹𝗶çã𝗼. 𝗛á 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼𝘀 𝗮𝗻𝗼𝘀, 𝗲𝘂 𝗲𝗿𝗮 𝘂𝗺 𝗲𝘀𝘁𝘂𝗱𝗮𝗻𝘁𝗲 𝘂𝗻𝗶𝘃𝗲𝗿𝘀𝗶𝘁á𝗿𝗶𝗼 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼𝘀 𝗼𝘂𝘁𝗿𝗼𝘀: 𝘁𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝘀𝗼𝗻𝗵𝗼𝘀 𝗱𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗿𝗲𝗰𝗼𝗿𝗱𝗮çõ𝗲𝘀, 𝗮𝗰𝗿𝗲𝗱𝗶𝘁𝗮𝘃𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗶𝗮 𝗺𝘂𝗱𝗮𝗿 𝗼 𝗺𝘂𝗻𝗱𝗼, 𝗾𝘂𝗲 𝘀𝗮𝗯𝗶𝗮 𝘁𝘂𝗱𝗼 — 𝗲 𝘁𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗽𝗼𝘂𝗰𝗼𝘀 𝗲𝘂𝗿𝗼𝘀 𝗻𝗮 𝗰𝗮𝗿𝘁𝗲𝗶𝗿𝗮.”

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O autor recordou esse período como uma fase difícil. Estudava longe de casa, dependia de uma bolsa de estudo e tentava equilibrar despesas semana após semana.

“𝗔 𝘃𝗶𝗱𝗮 𝗻ã𝗼 𝗲𝘀𝘁𝗮𝘃𝗮 𝗳á𝗰𝗶𝗹, 𝗲𝘂 𝘁𝗶𝗻𝗵𝗮 𝘂𝗺𝗮 𝗯𝗼𝗹𝘀𝗮 𝗱𝗲 𝗲𝘀𝘁𝘂𝗱𝗼, 𝗺𝗮𝘀 𝗲𝗿𝗮 𝗲𝘀𝗰𝗮𝘀𝘀𝗮 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝘁𝗼𝗱𝗮𝘀 𝗮𝘀 𝗱𝗲𝘀𝗽𝗲𝘀𝗮𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗮𝗹𝗴𝘂é𝗺 𝗱𝗲 𝗚𝘂𝗶𝗺𝗮𝗿ã𝗲𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘀𝘁𝘂𝗱𝗮𝘃𝗮 𝗲𝗺 𝗟𝗶𝘀𝗯𝗼𝗮.”

O envelope escondido na mochila

A memória nasce de uma sexta-feira à noite, depois de uma viagem de autocarro. Pedro Chagas Freitas contou que estava em casa da tia, numa conversa sobre as dificuldades que atravessava.

“𝗨𝗺 𝗱𝗶𝗮, 𝗻𝘂𝗺𝗮 𝘀𝗲𝘅𝘁𝗮-𝗳𝗲𝗶𝗿𝗮 à 𝗻𝗼𝗶𝘁𝗲, 𝗮𝗰𝗮𝗯𝗮𝗱𝗼 𝗱𝗲 𝗰𝗵𝗲𝗴𝗮𝗿 𝗱𝗲 𝗮𝘂𝘁𝗼𝗰𝗮𝗿𝗿𝗼, 𝗲𝘀𝘁á𝘃𝗮𝗺𝗼𝘀 𝗻𝗮 𝗰𝗮𝘀𝗮 𝗱𝗲𝘀𝘁𝗮 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮 𝗹𝗶𝗻𝗱𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘀𝘁á 𝗻𝗮 𝗶𝗺𝗮𝗴𝗲𝗺 𝗮 𝗰𝗼𝗻𝘃𝗲𝗿𝘀𝗮𝗿 𝘀𝗼𝗯𝗿𝗲 𝗶𝘀𝘀𝗼 𝗺𝗲𝘀𝗺𝗼, 𝘀𝗼𝗯𝗿𝗲 𝗮𝘀 𝗱𝗶𝗳𝗶𝗰𝘂𝗹𝗱𝗮𝗱𝗲𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘂 𝗶𝗮 𝘁𝗲𝗻𝗱𝗼, 𝘁𝗼𝗱𝗮𝘀 𝗮𝘀 𝘀𝗲𝗺𝗮𝗻𝗮𝘀, 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗰𝗵𝗲𝗴𝗮𝗿 𝗮𝗼 𝗳𝗶𝗻𝗮𝗹 𝗱𝗮 𝘀𝗲𝗺𝗮𝗻𝗮 𝗰𝗼𝗺 𝗮𝗹𝗴𝘂𝗺𝗮𝘀 𝗻𝗼𝘁𝗮𝘀, 𝗼𝘂 𝗺𝗼𝗲𝗱𝗮𝘀, 𝗻𝗼 𝗯𝗼𝗹𝘀𝗼.”

Depois, o escritor deixou uma imagem de grande carga afectiva sobre aquela casa.

“𝗙𝗼𝗶 𝘂𝗺 𝘀𝗲𝗿ã𝗼 𝗮𝗴𝗿𝗮𝗱á𝘃𝗲𝗹, 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗲𝗿𝗮𝗺 𝗾𝘂𝗮𝘀𝗲 𝘁𝗼𝗱𝗼𝘀 𝗻𝗮𝗾𝘂𝗲𝗹𝗮 𝗰𝗮𝘀𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗻𝘂𝗻𝗰𝗮 𝗲𝘀𝗾𝘂𝗲𝗰𝗲𝗿𝗲𝗶, 𝗾𝘂𝗲 𝘁𝗮𝗻𝘁𝗼 𝗺𝗲 𝗺𝗮𝗿𝗰𝗼𝘂. 𝗛á 𝗰𝗮𝘀𝗮𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝘀ã𝗼 𝘃𝗶𝗱𝗮𝘀 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗶𝗿𝗮𝘀, 𝗻ã𝗼 𝗵á?”

A verdadeira surpresa surgiu dois dias depois, durante a viagem de regresso. Ao procurar algo para comer na mochila, encontrou um envelope que não tinha lá colocado.

“𝗗𝗼𝗶𝘀 𝗱𝗶𝗮𝘀 𝗱𝗲𝗽𝗼𝗶𝘀, 𝗻𝗮 𝘃𝗶𝗮𝗴𝗲𝗺 𝗱𝗲 𝗿𝗲𝗴𝗿𝗲𝘀𝘀𝗼, 𝗲𝘀𝘁𝗮𝘃𝗮 𝗼 𝗮𝘂𝘁𝗼𝗰𝗮𝗿𝗿𝗼 𝗮 𝗽𝗮𝘀𝘀𝗮𝗿 𝗔𝘃𝗲𝗶𝗿𝗼 (𝗻𝘂𝗻𝗰𝗮 𝗻𝗼𝘀 𝗲𝘀𝗾𝘂𝗲𝗰𝗲𝗺𝗼𝘀 𝗱𝗼𝘀 𝗽𝗼𝗿𝗺𝗲𝗻𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗱𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗻𝗼𝘀 𝗺𝘂𝗱𝗮 𝗮 𝘃𝗶𝗱𝗮, 𝗽𝗼𝗿 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗶𝗻𝘀𝗶𝗴𝗻𝗶𝗳𝗶𝗰𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗽𝗼𝘀𝘀𝗮𝗺 𝘀𝗲𝗿), 𝗲𝘀𝘁𝗮𝘃𝗮 𝗲𝘂 à 𝗽𝗿𝗼𝗰𝘂𝗿𝗮 𝗱𝗲 𝗾𝘂𝗮𝗹𝗾𝘂𝗲𝗿 𝗰𝗼𝗶𝘀𝗮 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝘁𝗿𝗶𝗻𝗰𝗮𝗿 𝗻𝘂𝗺 𝗱𝗼𝘀 𝗯𝗼𝗹𝘀𝗼𝘀 𝗱𝗮 𝗺𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗺𝗼𝗰𝗵𝗶𝗹𝗮 𝗾𝘂𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗽𝗲𝗿𝗰𝗲𝗯𝗶 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘀𝘁𝗮𝘃𝗮 𝗹á 𝗮𝗹𝗴𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗻𝘂𝗻𝗰𝗮 𝘁𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗲𝘀𝘁𝗮𝗱𝗼.”

Dentro estava dinheiro e uma mensagem simples. Mas, no texto, percebe-se que aquele gesto ficou para sempre.

“𝗨𝗺 𝗲𝗻𝘃𝗲𝗹𝗼𝗽𝗲, 𝗰𝗼𝗺 𝗮𝗹𝗴𝘂𝗺𝗮𝘀 𝗱𝗲𝘇𝗲𝗻𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝗲𝘂𝗿𝗼𝘀 𝗲𝗺 𝗻𝗼𝘁𝗮𝘀, 𝗲 𝘂𝗺 𝗽𝗲𝗾𝘂𝗲𝗻𝗼 𝗯𝗶𝗹𝗵𝗲𝘁𝗲: ‘𝗡ã𝗼 𝘁𝗲𝗺 𝗱𝗶𝗿𝗲𝗶𝘁𝗼 𝗮 𝗱𝗲𝘃𝗼𝗹𝘂çã𝗼 𝗻𝗲𝗺 𝗮 𝗮𝗴𝗿𝗮𝗱𝗲𝗰𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼. 𝗕𝗲𝗶𝗷𝗶𝗻𝗵𝗼𝘀, 𝗭é.’”

Maria José, a tia que ensinou empatia

Pedro Chagas Freitas revelou, então, o nome da autora daquele gesto: Maria José. Mais do que uma ajuda material, o escritor vê nessa memória uma lição sobre amor.

“𝗔 𝗭é é 𝗲𝘀𝘁𝗮 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮, 𝗮 𝗠𝗮𝗿𝗶𝗮 𝗝𝗼𝘀é. 𝗔 𝗺𝗶𝗻𝗵𝗮 𝘁𝗶𝗮, 𝗺𝗮𝘀 𝘀𝗼𝗯𝗿𝗲𝘁𝘂𝗱𝗼 𝘂𝗺𝗮 𝗹𝗶çã𝗼. 𝗖𝗼𝗺 𝗲𝗹𝗮, 𝗮𝗹𝗶, 𝗮𝗽𝗿𝗲𝗻𝗱𝗶 𝗼 𝗾𝘂𝗲 é 𝗮 𝗲𝗺𝗽𝗮𝘁𝗶𝗮, 𝗼 𝗾𝘂𝗲 é, 𝗻𝗼 𝗹𝗶𝗺𝗶𝘁𝗲, 𝗼 𝗮𝗺𝗼𝗿.”

A partir dessa recordação, o autor deixou uma reflexão sobre a diferença entre ajudar para mostrar e ajudar para transformar.

“𝗔 𝗲𝗺𝗽𝗮𝘁𝗶𝗮, 𝗼 𝗮𝗺𝗼𝗿, 𝗻ã𝗼 é 𝘀𝗵𝗼𝘄-𝗼𝗳𝗳, 𝗻ã𝗼 é 𝗮𝗷𝘂𝗱𝗮𝗿 𝗼𝘀 𝗰𝗼𝗶𝘁𝗮𝗱𝗶𝗻𝗵𝗼𝘀 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗺𝗼𝘀𝘁𝗿𝗮𝗿 𝗾𝘂𝗲 𝗮𝗷𝘂𝗱𝗮𝗺𝗼𝘀 𝗼𝘀 𝗰𝗼𝗶𝘁𝗮𝗱𝗶𝗻𝗵𝗼𝘀. 𝗔 𝗲𝗺𝗽𝗮𝘁𝗶𝗮 é 𝘀𝗶𝗹𝗲𝗻𝗰𝗶𝗼𝘀𝗮, 𝗱𝗶𝘀𝗰𝗿𝗲𝘁𝗮, 𝗺𝗮𝘀 𝗿𝘂𝗶𝗱𝗼𝘀𝗮 𝗼𝗻𝗱𝗲 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗲𝘀𝘀𝗮: 𝗻𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗳𝗮𝘇 𝘀𝗲𝗻𝘁𝗶𝗿, 𝗻𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝘁𝗿𝗮𝗻𝘀𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮.”

Um agradecimento guardado durante anos

No final da publicação, Pedro Chagas Freitas voltou ao presente. Reconheceu que muita coisa mudou desde então, mas sublinhou que há sentimentos que resistem ao tempo e às dificuldades.

“𝗗𝗲𝘀𝗱𝗲 𝗲𝘀𝘀𝗲 𝗱𝗶𝗮, 𝗷á 𝘁𝘂𝗱𝗼 𝗺𝘂𝗱𝗼𝘂 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼. 𝗛𝗼𝘂𝘃𝗲 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗮𝘀 𝗹á𝗴𝗿𝗶𝗺𝗮𝘀, 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗮 𝗺𝗲𝗿𝗱𝗮 𝗮 𝗮𝗰𝗼𝗻𝘁𝗲𝗰𝗲𝗿, 𝗮 𝘃𝗶𝗱𝗮 𝗳𝗼𝗶 𝘂𝗺𝗮 𝗽𝘂𝘁𝗮. 𝗧𝗿𝗼𝘂𝘅𝗲 𝗹𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗽𝗿𝗼𝗳𝘂𝗻𝗱𝗼𝘀, 𝗱𝗼𝗹𝗼𝗿𝗼𝘀𝗼𝘀, 𝗱𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝘀𝗼𝗺𝗼𝘀.”

Ainda assim, algo permaneceu intacto, como escreveu o autor.

“𝗔𝗹𝗴𝗼 𝗳𝗶𝗰𝗼𝘂 𝗶𝗻𝘁𝗮𝗰𝘁𝗼, 𝗮𝗹𝗴𝗼 𝗳𝗶𝗰𝗮 𝘀𝗲𝗺𝗽𝗿𝗲 𝗶𝗻𝘁𝗮𝗰𝘁𝗼: 𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝘀𝗲𝗻𝘁𝗶𝗺𝗼𝘀, 𝗼 𝗰𝗼𝗺𝗲ç𝗼 𝗱𝗲 𝗻ó𝘀, 𝗮𝗾𝘂𝗶𝗹𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗹𝗶𝗺𝗶𝘁𝗮çã𝗼 𝗮𝗹𝗴𝘂𝗺𝗮 𝗰𝗼𝗻𝘀𝗲𝗴𝘂𝗲 𝘁𝗶𝗿𝗮𝗿.”

E, anos depois, Pedro Chagas Freitas quebrou finalmente a regra escrita no bilhete. Não devolveu o dinheiro. Não agradeceu na altura. Mas agradeceu agora.

“𝗖𝘂𝗺𝗽𝗿𝗶 𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗺𝗲 𝗽𝗲𝗱𝗶𝘀𝘁𝗲, 𝗺𝗶𝗻𝗵𝗮 𝘁𝗶𝗮: 𝗻ã𝗼 𝗱𝗲𝘃𝗼𝗹𝘃𝗶 𝗻𝗲𝗺 𝗮𝗴𝗿𝗮𝗱𝗲𝗰𝗶. 𝗔𝘁é 𝗵𝗼𝗷𝗲. 𝗢𝗯𝗿𝗶𝗴𝗮𝗱𝗼.”

A publicação transforma uma memória familiar num retrato sobre a generosidade discreta. Para Pedro Chagas Freitas, Maria José foi tia. Mas foi, sobretudo, uma lição.

Veja a publicação AQUI.

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