Portugal vence Nigéria em Leiria e fecha preparação para o Mundial com sinais positivos, na noite de ontem.
Fotografias: Diogo Nora

Seleção nacional ganhou por 2-1 no último teste antes da competição
Portugal venceu a Nigéria por 2-1, em Leiria, no último ensaio antes do Campeonato do Mundo. A sete dias da estreia na competição, a equipa nacional deixou sinais positivos, sobretudo na forma como controlou grande parte do jogo.
Mais do que o resultado, a noite teve também uma dimensão solidária. O encontro contribuiu para auxiliar a recuperação da região Centro, afectada no início do ano pela tempestade Kristin.

Dentro de campo, Portugal mostrou organização, ideias claras e capacidade para dominar a Nigéria em vários momentos. O triunfo podia até ter sido mais alargado, mas o essencial estava noutro ponto: perceber se a equipa chegava ao Mundial com foco competitivo.
E, pelo que se viu em Leiria, a resposta foi positiva.

Pedro Neto abriu caminho ao triunfo
O jogo começou aberto, com as duas equipas a procurarem espaços sem grande contenção. Cristiano Ronaldo ameaçou logo aos dois minutos, enquanto Adams respondeu pela Nigéria com um remate travado por Diogo Costa.
Depois dos primeiros minutos mais soltos, Portugal começou a ganhar ordem. João Neves e Vitinha assumiram o controlo no meio-campo, alternando entre saída de bola, circulação e equilíbrio defensivo.

À frente, Francisco Trincão e Bruno Fernandes ajudaram a ligar o jogo. Pedro Neto e Cristiano Ronaldo também entraram na dinâmica ofensiva, num período em que Portugal passou a instalar-se mais perto da área nigeriana.
Foi nesse domínio que surgiu o primeiro golo. Após uma sequência de combinações entre Ronaldo, Trincão, Dalot e Neto, Pedro Neto fez o 1-0.
Nigéria aproveitou erros portugueses
Apesar da superioridade portuguesa, a Nigéria conseguiu chegar ao empate antes do intervalo. O lance nasceu de uma sucessão de erros na última linha da Seleção.
Primeiro surgiu uma falha de Gonçalo Inácio. Depois, Diogo Dalot também não conseguiu resolver, e Adams aproveitou para encostar para o golo nigeriano.

Até esse momento, Portugal já tinha criado várias situações para aumentar a vantagem. Algumas nasceram de bola parada. Outras surgiram através dos movimentos interiores de Francisco Trincão.
Ainda assim, o intervalo chegou com empate. Roberto Martínez aproveitou então para cumprir a rotação prometida nos jogadores de campo.
João Félix entrou bem na segunda parte
Na segunda parte, ficaram apenas Diogo Costa e Cristiano Ronaldo. O resto da equipa mudou, mas a ideia manteve-se.
Portugal continuou organizado em 4x2x3x1, agora com João Félix a partir da esquerda para zonas interiores. Francisco Conceição ficou mais ligado à linha direita, dando outra largura ao ataque.

Logo aos 48 minutos, João Félix esteve perto do golo em dois momentos consecutivos. Num deles, ficou a dúvida se a bola poderia ter ultrapassado totalmente a linha.
A equipa nacional manteve o controlo, ainda que sem grande brilho. A saída de bola continuou apoiada, com um dos médios a baixar para junto dos centrais.
Cristiano Ronaldo foi perdendo algum fulgor com o passar dos minutos, depois de uma primeira parte mais interventiva. Mais tarde, Gonçalo Ramos entrou para a frente de ataque.

Francisco Conceição decidiu com assinatura própria
A vitória portuguesa ficou garantida a cerca de 15 minutos do fim. Francisco Conceição recebeu na direita, flectiu para o meio e rematou de pé esquerdo para o segundo poste.
O lance teve a marca habitual do extremo: condução curta, mudança de direcção e finalização rápida. A Nigéria não conseguiu responder, e Portugal segurou o 2-1 até ao apito final.

O resultado confirmou a vitória no último jogo antes do Mundial. Porém, a nota principal foi a consistência competitiva da equipa, mesmo com muitas alterações na segunda parte.
Mundial começa agora a sério
Portugal chega ao Campeonato do Mundo integrado num grupo com Colômbia, República Democrática do Congo e Uzbequistão.
O jogo com a Nigéria não resolveu todos os detalhes, mas mostrou bases sólidas. A Seleção teve posse, recuperou cedo em vários momentos e criou oportunidades suficientes para vencer com maior margem.

Além disso, a equipa revelou capacidade para manter a mesma ideia com diferentes jogadores em campo. Esse dado pode ser importante numa competição longa e exigente.
Agora, termina o tempo dos ensaios. Depois da vitória em Leiria, Portugal entra na fase em que cada detalhe conta. E, desta vez, já será a sério.





