Samuel Úria levou a palavra ao Digital Stage do Rock in Rio Lisboa

Samuel Úria levou a palavra ao Digital Stage do Rock in Rio Lisboa, num dos concertos realizados no segundo dia do festival.

Fotografias: João Sousa

Samuel Úria não precisa de muito aparato para ocupar um palco.

No Digital Stage do Rock in Rio Lisboa, o músico levou aquilo que mais o distingue: a palavra. Uma palavra afiada, por vezes torta, muitas vezes luminosa, quase sempre com essa maneira rara de parecer simples até nos deixar a pensar.

Num festival feito de grandes estruturas, multidões e nomes de peso, Samuel Úria apareceu noutro registo. Mais próximo da canção. Mais preso à escrita. Mais interessado naquilo que fica depois do som passar.

- Publicidade -

A força de uma canção que não se disfarça

Samuel Úria pertence a uma linhagem muito própria da música portuguesa.

Não se limita a cantar. Escreve com identidade. Constrói frases que carregam humor, melancolia, fé, ironia e uma certa estranheza bonita. No Rock in Rio Lisboa, essa marca voltou a fazer sentido.

O Digital Stage recebeu uma presença menos óbvia, mas muito necessária num festival desta dimensão. Porque também há espaço para concertos que não vivem apenas do impacto imediato.

Há espaço para a palavra. Para a canção que exige atenção. Para uma música que não se entrega toda na primeira escuta.

Um concerto fora do ruído maior

Num recinto onde tudo tende a ser grande, Samuel Úria trouxe outra escala.

A sua música não se mede pelo tamanho do palco, mas pela forma como entra no ouvido. Há nela uma intimidade que resiste ao formato de festival. E isso torna a actuação diferente.

Além disso, a presença no Digital Stage mostrou a capacidade do Rock in Rio Lisboa para abrir espaço a linguagens menos previsíveis. Nem tudo tem de ser explosão. Às vezes, basta uma canção bem escrita para mudar o ambiente.

Samuel Úria levou essa diferença consigo.

A assinatura de quem escreve como poucos

O concerto confirmou uma evidência para quem acompanha a música portuguesa: Samuel Úria tem uma assinatura difícil de confundir.

A sua obra vive da palavra trabalhada, da melodia com personalidade e de uma forma muito própria de olhar para o mundo. Não procura agradar a todos da mesma maneira. E talvez seja por isso que continua tão singular.

No Digital Stage, essa singularidade encontrou o seu lugar. Sem precisar de se vestir de espectáculo maior, Samuel Úria mostrou que a canção portuguesa continua a ter autores capazes de atravessar o ruído.

No Rock in Rio Lisboa, ficou a presença de um músico que não se limita a passar por um palco.

Leva linguagem. Leva pensamento. Leva canções que ficam a trabalhar por dentro.

- Publicidade -

Destaques

Slow J cruzou mundos no Sol da Caparica

Slow J cruzou mundos no Sol da Caparica, na...

MC Paiva levou o funk brasileiro ao Sol da Caparica

MC Paiva levou o funk brasileiro ao Sol da...

ÁTOA levaram 12 anos de canções ao Sol da Caparica

ÁTOA levaram 12 anos de canções ao Sol da...

Quim Barreiros fez da Caparica uma festa popular em tamanho grande

Quim Barreiros fez da Caparica uma festa popular em...

Marcos Bastinhas rendido à Nazaré: «Para mim, é como estar em casa»

Marcos Bastinhas rendido à Nazaré: «Para mim, é como...
- Publicidade -

Reportagens

- Publicidade -

Artigos relacionados