Tânia Laranjo critica resposta aos incêndios em Portugal: “Pedem, ano após ano, para fazer milagres”, afirmou a jornalista.
Tânia Laranjo deixou este domingo, 5 de julho, uma reflexão dura sobre os incêndios florestais que voltam a marcar a atualidade em Portugal.
A jornalista da CMTV partiu das imagens repetidas todos os verões para questionar o que considera ser um ciclo de promessas, falhas e memória curta.
No centro da publicação esteve também uma imagem que a marcou no terreno: a de um comandante dos bombeiros em lágrimas.
“Tão inesperado como o Natal chegar em dezembro”
Tânia Laranjo começou por apontar para a repetição anual do cenário, usando a ironia para criticar a falta de surpresa perante o regresso dos incêndios.
“Começou o calor. Começaram os fogos. Que surpresa. Tão inesperado como o Natal chegar em dezembro. Repetem-se as imagens de sempre: pessoas de mangueira na mão a defender aquilo que uma vida inteira levou a construir. Bombeiros a correr contra o fogo. Helicópteros. Fumo. Promessas. E, daqui a uns meses, quando chover, voltamos a fingir que o problema desapareceu”.
A jornalista descreveu, assim, um padrão que considera previsível e recorrente.
Mais do que o combate às chamas, a publicação centrou-se naquilo que, segundo Tânia Laranjo, continua por resolver antes do verão.
Críticas à prevenção e ao planeamento
A reflexão avançou depois para a prevenção, a limpeza das matas e o planeamento.
Tânia Laranjo considerou que o discurso se repete, mas sem evitar o regresso dos mesmos problemas.
“Todos os anos ouvimos falar em prevenção, limpeza das matas, planeamento. Todos os invernos há discursos. Todos os verões há incêndios. A única coisa verdadeiramente eficaz é a memória curta. Este ano parece pior. Mas, na verdade, só estamos a colher aquilo que não foi feito quando ainda havia tempo para o fazer”.
A jornalista deixou, assim, uma crítica direta à distância entre as medidas anunciadas e os resultados sentidos no terreno.
Imagem de comandante em lágrimas marcou Tânia Laranjo
Entre as várias imagens dos incêndios, uma em particular ficou na memória da jornalista.
Tânia Laranjo destacou o momento em que viu um comandante dos bombeiros a chorar e explicou a leitura que fez dessa imagem.
“A imagem que mais me marcou foi a de um comandante dos bombeiros a chorar. Não porque desistiu. Chora pela população. Chora pela sua equipa. Chora porque sabe que lhes pedem, ano após ano, para fazer milagres enquanto outros continuam especialistas em conferências de imprensa”.
A publicação terminou com uma crítica à diferença entre quem combate diretamente os incêndios e quem surge sobretudo na exposição mediática associada às tragédias.
Veja a publicação AQUI.
