Tânia Laranjo homenageia colega após missão na Venezuela: «Com a Inês ia até ao fim do mundo», assinalou.
Tânia Laranjo dedicou uma publicação nas redes sociais à colega Inês, com quem partilhou uma cobertura particularmente dura na Venezuela.
No texto, a jornalista da CMTV recordou a disponibilidade imediata da colega, o impacto emocional dos dias no terreno e um momento em que foi Inês quem assumiu a frente da reportagem.
A homenagem surgiu três dias depois do aniversário da profissional e terminou com uma frase que resume a relação construída durante a missão: “Com a Inês ia até ao fim do mundo. Sem hesitar.”
O convite que recebeu um «sim» imediato
Segundo Tânia Laranjo, bastou um telefonema para que Inês aceitasse partir para a Venezuela.
Só mais tarde percebeu aquilo que a colega tinha deixado para trás para integrar a equipa.
“Quando lhe liguei para ir para a Venezuela, disse-me logo que sim.
Nunca me contou que fazia anos. Nunca me disse que, para isso, tinha de deitar fora umas férias marcadas há meses. Nunca hesitou. Fez a mala.”
A jornalista sublinhou que aquela era a primeira experiência da colega num cenário daquela natureza.
O contacto com a destruição, a morte e as pessoas atingidas pela tragédia marcou os dias de trabalho. Ainda assim, Tânia Laranjo destacou a forma como Inês continuou a cumprir a sua função.
“Era a primeira vez num cenário assim. E logo um dos mais duros. Sentiu o cheiro da morte. Viu os abutres a desenharem círculos no céu. Chorou. Entrou em lugares onde ninguém quer entrar. Olhou para pessoas que tinham perdido tudo. E, ainda assim, nunca deixou de fazer o seu trabalho.”
O momento em que Tânia Laranjo quebrou
No relato, Tânia Laranjo recuperou também um dos momentos de maior fragilidade pessoal durante a cobertura.
Depois de 76 horas, admitiu ter quebrado perante um incidente que classificou como pouco importante. Foi então que a colega assumiu sozinha uma das reportagens mais exigentes.
“Quando eu, ao fim de 76 horas, quebrei e quase desabei por causa de um incidente sem importância, foi ela que ficou de pé. Foi sozinha ao buraco onde o Hernán esteve preso durante sete dias. Contou a história quando era preciso contá-la.”
A passagem mostra a confiança depositada na colega e o peso de uma cobertura feita em condições extremas.
Para Tânia Laranjo, porém, aquela experiência não pode ser contada apenas através de gestos individuais.
«Não há heróis solitários»
A jornalista aproveitou a publicação para sublinhar a importância do trabalho coletivo e da equipa com quem partilhou a missão.
“Esta é também a história de uma equipa. Porque não há heróis solitários. E eu tenho o privilégio de trabalhar com os melhores.”
A mensagem terminou já num registo mais pessoal, com uma declaração de confiança total na colega e um agradecimento que Tânia Laranjo considera impossível de encerrar.
“Com a Inês ia até ao fim do mundo. Sem hesitar.
Três dias depois, parabéns, Inês.
E obrigada. Há obrigados que nunca acabam.”
Entre a dureza da missão na Venezuela, o desgaste acumulado e a exigência de continuar a contar histórias no terreno, Tânia Laranjo escolheu destacar quem esteve ao seu lado.
Mais do que uma mensagem de aniversário, a publicação tornou-se uma homenagem a uma colega que, segundo a jornalista, não hesitou quando foi chamada e permaneceu de pé quando mais foi preciso.
Veja a publicação AQUI.
