Gustavo Carona enaltece gesto de Borja Iglesias perante Donald Trump: “Ainda há heróis”, assinalou nas redes sociais.
Gustavo Carona destacou um momento protagonizado por Borja Iglesias durante o Mundial de Futebol e transformou-o numa reflexão sobre ética, coragem e responsabilidade pública.
Numa publicação divulgada nas redes sociais, o médico analisou a forma como o jogador cumprimentou Donald Trump, sob o olhar de Gianni Infantino.
Para Gustavo Carona, o gesto representou uma manifestação silenciosa de resistência, num contexto marcado por várias polémicas relacionadas com a competição.
Cumprimento de Borja Iglesias chamou a atenção
O profissional de saúde começou por classificar o episódio como o momento mais importante do torneio.
Segundo descreveu, Borja Iglesias cumprimentou o político norte-americano sem esconder o desconforto, enquanto o presidente da FIFA assistia à situação.
“Este é o melhor momento do mundial. Prometeu e cumpriu. O jogador Borja Iglesias cumprimenta “em esforço” Trump, com desprezo total sem sequer olhar para ele, com o condimento de ter o presidente da FIFA, Infantino, a contemplar esta poderosa imagem, bem de perto”, escreveu.
Mais do que a frieza do cumprimento, Gustavo Carona valorizou o significado que atribuiu à atitude do futebolista.
Valores morais acima do sucesso desportivo
Na mesma reflexão, o médico defendeu que o carácter de uma pessoa deve ser avaliado antes dos resultados profissionais ou desportivos.
Para Gustavo Carona, as escolhas feitas nos pequenos momentos podem revelar mais do que uma vitória, um título ou um golo decisivo.
“As pessoas valem acima de tudo pelos valores morais, pela luta pelo certo e o errado, pelo humanismo que carregam nos seus grandes e pequenos actos… só depois é que vem o sucesso desportivo ou profissional… muito depois”, sustentou.
O autor da publicação usou, assim, a imagem de Borja Iglesias para defender que o futebol não deve ser separado das questões éticas.
Gustavo Carona critica alegada intervenção de Trump
Depois de destacar o comportamento do jogador, Gustavo Carona alargou a análise ao impacto das decisões políticas na competição.
O médico referiu uma alegada intervenção de Donald Trump junto de Gianni Infantino para retirar uma penalização a um jogador dos Estados Unidos.
“Da política dos EUA, à geopolítica mundial, os motivos para repugnar as acções de Trump são maiores do que uma lista telefónica. Mas para quem não está atento a nada disso (sem qualquer julgamento), viu, também no futebol, a imoralidade grotesca de Trump ao assumir em voz alta que corrompeu o presidente da FIFA para despenalizar o jogador dos EUA no jogo contra a Bélgica. Já nem tem vergonha de dizer que o faz ‘Sim, liguei ao presidente da FIFA, para despenalizar um cartão vermelho’ … e a Bélgica ficou quase sozinha a protestar contra esta acção que no limite, prejudica todos os actores do futebol, porque descredibilizar um desporto, é atacar todos que fazem parte deste desporto, dos jogadores aos adeptos”, apontou.
Na sua leitura, uma atuação desta natureza não prejudica apenas uma seleção. Pelo contrário, coloca em causa a credibilidade de todos os envolvidos na modalidade.
Irão e árbitro somali também mencionados
Gustavo Carona recordou ainda outros episódios que, segundo escreveu, marcaram negativamente os bastidores do Mundial.
Entre os casos mencionados estiveram as condições enfrentadas pela seleção iraniana e o afastamento de um árbitro somali.
“O que os EUA fizeram ao Irão ao obrigá-los a ficar no México e a quase não dormir antes dos jogos é muito feio. O que fizeram ao árbitro Somali, um dos mais conceituados árbitros africanos, que foi barrado e mandado embora dos EUA e do mundial, por causa das políticas de Trump… é mau demais… Mas como todos gostamos tanto de futebol… a bola continua a girar… e o mundo inteiro… continua a bater palmas”, lamentou.
O médico deixou, deste modo, críticas à forma como o entusiasmo pelo futebol pode contribuir para que determinadas situações sejam desvalorizadas.
“Muito mais importante do que um golo”
Na parte final da publicação, Gustavo Carona voltou ao gesto que motivou o seu desabafo.
O profissional de saúde apresentou a atitude do futebolista como um exemplo de resistência pacífica contra aquilo que classificou como corrupção e autoritarismo.
“Mas ainda há heróis. Borja Iglesias e o momento que protagoniza de resistência pacífica contra a corrupção e o autoritarismo de Trump, devia ser o herói mais celebrado por todos os rapazes e raparigas, homens e mulheres, em todo o mundo, porque muito mais importante do que um golo duma vitória é a luta por um mundo melhor. Por todas as crianças pelo mundo fora que veneram Messi, Ronaldo, Mbappe, Haaland, Bellingham, Dembele, Harry Kane, etc, etc… mas lutam para sobreviver: Obrigado Borja Sainz e a todos que lutam pelo que está certo. Ainda há heróis”, rematou.
Gustavo Carona encerrou, assim, a reflexão com uma homenagem a quem usa a visibilidade pública para defender causas que considera justas.
Veja a publicação AQUI.
