Quando o século XVIII voltou a entrar no Campo Pequeno, nas cortesias da corrida de gala à antiga portuguesa, ontem.
Fotografias: Diogo Nora
Antes de o primeiro toiro sair, o Campo Pequeno recuou ao tempo das Touradas Reais do século XVIII.

À frente do cortejo surgiu o Neto, figura que simboliza a autoridade dentro da arena, acompanhado pelos seus pajens. Seguiram-se os charameleiros e o Timbaleiro, responsáveis por anunciar a tourada, dando som e solenidade à entrada dos restantes intervenientes.

Os porta-estandartes recordaram as antigas casas nobres, enquanto os pajens dos cavaleiros antecederam o momento mais aguardado: a entrada dos coches. Neles chegaram os cavaleiros, rodeados por cocheiros, sotas, moços de tábua, alabardeiros e porta-guias, numa composição onde cada figura tem um lugar e uma função.

Atrás seguiram os cavalos de combate, conduzidos à mão e cobertos pelos seus telizes. A arena encheu-se de cor, movimento e um cerimonial que não nasceu para decorar uma corrida, mas para recordar a origem de uma forma muito portuguesa de enfrentar o toiro.

Depois chegou a Azémola das Farpas, conduzida pelos forcados e transportando a ferragem destinada à corrida. Por fim, o Neto recebeu do diretor de corrida as chaves do touril e entregou-as ao chefe dos curros.

Ontem, os coches foram apenas a imagem mais grandiosa de um cortejo muito maior. Houve pajens, timbales, estandartes, alabardas, cavalos e homens a devolverem vida a um protocolo antigo.

Antes do toureio, a história atravessou a arena. E, durante alguns minutos, o Campo Pequeno voltou a falar a linguagem das antigas galas portuguesas.





