Pedro Chagas Freitas responde a quem o critica por elogiar os outros: “Há quem odeie quem não odeia”, considerou.
Pedro Chagas Freitas não pretende deixar de elogiar publicamente as pessoas que admira. O escritor garantiu que continuará a fazê-lo, apesar das críticas que recebe sempre que dedica palavras positivas ao trabalho ou ao percurso de alguém.
Numa publicação partilhada nas redes sociais, o autor explicou que os elogios não representam favores. São, antes, uma forma de reconhecer o impacto que determinadas pessoas e respetivas obras tiveram na sua vida.
“Não faço favores; faço justiça”
Pedro Chagas Freitas começou por assumir que elogiar os outros também lhe faz bem. Além disso, acredita que as palavras podem chegar a quem precisa de as ouvir.
“Elogio muito por aqui. Vou continuar a elogiar. Faz-me bem. Fico tão feliz quando algo me faz bem, e quando ainda por cima pode fazer bem aos outros.
Não faço favores; faço justiça.
É o que eu sinto, o que eu vejo nessas pessoas, o que essas pessoas fazem em mim, o que representam no que sou. Muitas não conheço, não vou conhecer. O que fizeram, o que criaram, a coragem que tiveram, inspirou-me, fez diferença em mim. Achei que devia retribuir como posso, com as palavras que posso, que consigo.”
O escritor reconheceu, porém, que nem todos recebem essas homenagens da mesma forma. Segundo o próprio, há quem reaja negativamente ao facto de alguém optar por destacar qualidades em vez de alimentar conflitos.
“Há quem odeie quem não odeia”
A reflexão foi apresentada como uma carta dirigida a quem transforma a admiração alheia num motivo de irritação. Pedro Chagas Freitas procurou compreender o que leva algumas pessoas a desejarem o fracasso dos outros.
“Há quem me odeie por dizer bem dos outros, que ironia triste, não é?
Há quem odeie quem não odeia.
É para ti que escrevo, para ti que sofres com o que te dói, para ti que atiras a raiva para cima de quem não é raivoso. Tento perceber-te, faço um esforço para te perceber. Gostava de entender porque passas o dia a desejar que as pontes que os outros construíram caiam.
Para quê?”
Pedro Chagas Freitas defendeu ainda que admirar alguém não retira valor a quem deixa o elogio. Pelo contrário, considera que reconhecer o mérito dos outros também pode contribuir para o crescimento de quem observa.
“A admiração não empobrece quem a dá”
O autor esclareceu que, quando elogia alguém, procura devolver uma pequena parte daquilo que recebeu através de uma criação, de um exemplo ou de um gesto de coragem.
“Quando elogio alguém, não lhe estou a oferecer nada; estou a devolver-lhe uma pequena parte do que me deu sem saber. A admiração não empobrece quem a dá. Nunca vi uma vela perder fogo por acender outra.”
Na parte final do texto, Pedro Chagas Freitas estabeleceu uma diferença entre o desgaste provocado pelo ódio e aquilo que a admiração pode acrescentar à vida.
“Lamento por ti, lamento mesmo.
Nunca vais descansar. O ódio é um trabalho que não acaba. É preciso alimentá-lo todos os dias. A admiração é diferente. Quando a encontramos, ficamos logo um pouco maiores.
Espero que um dia o consigas sentir.”
Com a publicação, Pedro Chagas Freitas deixou claro que não pretende alterar a forma como utiliza as palavras para reconhecer quem o inspira. Para o escritor, elogiar não é uma cedência nem um favor, mas uma escolha consciente perante uma realidade onde o ataque público parece surgir com maior facilidade.
