Helena Sacadura Cabral contrapõe aparência e carácter: “É a alma que decide aquilo que merece permanecer”, referiu.
A beleza exterior pode provocar uma atração imediata, mas não é suficiente para sustentar uma relação. É esta a ideia central da nova reflexão de Helena Sacadura Cabral, na qual a escritora distingue aquilo que os olhos reconhecem num primeiro instante do que apenas o tempo permite descobrir.
Com o título A beleza exterior atrai mais do que a interior?, o texto publicado nas redes sociais parte de uma resposta clara: “A beleza exterior atrai mais depressa, mas a beleza interior é a que permanece.”
A aparência chega primeiro
Helena Sacadura Cabral começa por observar a rapidez com que, atualmente, se constrói uma primeira impressão sobre alguém.
“Vivemos num tempo em que o olhar se tornou veloz. Antes de conhecermos alguém, vemos o seu rosto, o seu corpo, a maneira como se veste, como se apresenta, como sorri. A aparência chega primeiro porque é aquilo que os olhos conseguem reconhecer sem esforço. A beleza exterior é imediata: não exige tempo, não pede intimidade, não precisa de explicação”, escreveu.
Em contraste, o carácter não se revela através de uma imagem. Precisa de proximidade e manifesta-se sobretudo nos comportamentos que não procuram reconhecimento.
“A beleza interior é diferente. Não se revela num primeiro olhar. Exige convivência, escuta, atenção e tempo. Descobre-se na forma como alguém trata quem não lhe pode oferecer nada; na delicadeza com que fala; na capacidade de perdoar; na honestidade quando ninguém está a observar; na serenidade diante das dificuldades; na generosidade que não procura aplauso”, salientou.
A escritora encontra nesta diferença uma explicação para a força da atração física: “Talvez seja por isso que a beleza exterior atraia mais: porque chega antes de tudo aquilo que verdadeiramente importa.”
Desejo não basta para sustentar uma relação
Sem negar o impacto da aparência, Helena Sacadura Cabral questiona a sua capacidade para manter uma ligação ao longo do tempo.
“O rosto pode despertar curiosidade. Um corpo pode provocar desejo. Um sorriso pode encantar. Mas nenhuma dessas coisas, por si só, consegue sustentar uma relação, uma amizade ou uma vida partilhada”, afirmou.
O conhecimento de alguém pode, aliás, alterar por completo a perceção criada no primeiro encontro.
“Com o tempo, aprendemos que há rostos belíssimos que se tornam indiferentes quando conhecemos a pobreza do coração que os habita. E há pessoas que talvez não nos tenham impressionado no primeiro instante, mas que, à medida que as conhecemos, se tornam cada vez mais bonitas aos nossos olhos”, refletiu.
Para a autora, essa transformação acontece porque nem toda a beleza depende daquilo que pode ser observado.
“Porque existe uma beleza que não se vê, sente-se. A aparência pode abrir uma porta. Mas é o carácter que nos faz querer ficar”, defendeu.
O coração nem sempre precisa do que os olhos procuram
A reflexão associa a maturidade à capacidade de reconhecer que atração e necessidade emocional nem sempre apontam na mesma direção.
“E talvez uma das maiores aprendizagens da maturidade seja precisamente esta: compreender que aquilo que os olhos procuram, nem sempre é aquilo de que o coração precisa”, escreveu.
Ao contrário da aparência, sujeita às mudanças provocadas pelo tempo, a beleza interior pode continuar a desenvolver-se.
“A beleza exterior modifica-se, perde o brilho que um dia pareceu eterno. A beleza interior, quando é verdadeira, pode amadurecer com os anos”, acrescentou.
No final, Helena Sacadura Cabral deixa uma nova pergunta aos seguidores: “Por isso, talvez a pergunta não seja apenas ‘porque é que a beleza exterior atrai mais?’, mas também: ‘Que espécie de beleza estamos nós a aprender a reconhecer?’”
A resposta surge na última frase do texto: “Porque os olhos apaixonam-se muitas vezes pelo que veem. Mas é a alma que decide aquilo que merece permanecer.”
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