Helena Sacadura Cabral reflete sobre a quarta idade: “Envelhecer foi, para mim, um privilégio”, afirmou a escritora.
Helena Sacadura Cabral partilhou uma reflexão sobre o envelhecimento e a forma como a última etapa da vida pode continuar a ser vivida com propósito, autonomia e participação ativa na sociedade. Longe de associar a idade apenas à perda, a economista defende que os anos também trazem conhecimento, serenidade e uma perspetiva diferente sobre aquilo que verdadeiramente importa.
Na publicação, intitulada «A “quarta idade”, uma vida com sentido», Helena Sacadura Cabral parte da própria experiência para contrariar a ideia de que envelhecer representa necessariamente um período de declínio.
Uma etapa que não deve ser reduzida à perda
Aos olhos de Helena Sacadura Cabral, chegar à quarta idade permitiu-lhe acumular experiências, aprofundar conhecimentos e olhar para a vida de outra forma. Por isso, entende que esta fase não deve ser encarada como um encerramento, mas como a possibilidade de continuar a descobrir e a contribuir.
“Envelhecer foi, para mim, um privilégio que trouxe consigo experiência, conhecimento e uma nova perspetiva sobre a vida. Esta idade não deve ser encarada como um período de declínio ou de perda, mas como uma etapa rica em oportunidades para continuar a aprender, criar, contribuir e fortalecer relações.”
Essa continuidade, sustenta, depende também da capacidade de manter objetivos e interesses, sem esquecer os cuidados com a saúde física e emocional. A família, os amigos e a experiência acumulada tornam-se igualmente fundamentais para preservar uma vida ligada aos outros.
“Ter uma vida com sentido nesta fase, significa manter objetivos, cultivar interesses, cuidar da saúde física e emocional e preservar os laços familiares e de amizade. Também implica reconhecer o valor da experiência acumulada ao longo dos anos, colocando-a ao serviço da comunidade e das gerações mais jovens.”
A reforma não representa o fim da participação
Helena Sacadura Cabral detém-se ainda na reforma, muitas vezes encarada como uma rutura com a vida ativa. Para a economista, o fim da carreira profissional não deve significar o afastamento da sociedade nem a perda de utilidade.
Há outras formas de ocupar o tempo, criar novas rotinas e encontrar realização. O voluntariado, a aprendizagem, a cultura, a natureza e a família são alguns dos caminhos que identifica, embora considere que cada pessoa deve procurar aquilo que verdadeiramente lhe devolve alegria.
“A reforma pode representar o fim da nossa carreira profissional, mas não é, não deve ser, o fim da participação ativa na sociedade. Muitos amigos encontraram satisfação no voluntariado, na aprendizagem de novas competências, na prática de atividades culturais, no contacto com a natureza ou na dedicação à família. Porém, o mais importante, é que cada pessoa descubra aquilo que lhe proporciona alegria, utilidade e realização.”
Combater o isolamento é uma responsabilidade coletiva
A reflexão não fica limitada às escolhas individuais. Helena Sacadura Cabral lembra que a qualidade de vida dos mais velhos depende também da forma como são tratados e incluídos pela sociedade.
Valorizar os idosos implica, na sua perspetiva, garantir condições para que mantenham autonomia e dignidade, mas também combater o isolamento que atinge muitas pessoas nesta fase da vida.
“Uma sociedade que valorize os seus idosos é uma sociedade mais humana. Promover o envelhecimento ativo, combater o isolamento e criar condições para que cada pessoa possa viver com autonomia, dignidade e propósito são responsabilidades de todos nós.”
“Um tempo de serenidade, crescimento e renovação”
No final da publicação, Helena Sacadura Cabral regressa à sua experiência pessoal. A quarta idade não lhe surge como um tempo vazio, mas como uma fase onde ainda é possível crescer, renovar-se e encontrar novas razões para continuar.
“A ‘quarta’ idade pode, assim, ser – e no meu caso, é – um tempo de serenidade, crescimento e renovação. Acredito que a vida com sentido não depende da idade, mas da capacidade de continuar a encontrar razões para aprender, amar, partilhar e sonhar.”
