Miguel Moura depois de “mandar” no Campo Pequeno: “Quando faço o toureio que quero, o público responde”, disse em entrevista.
Texto: Rui Lavrador
Entrevista e Fotografia: Diogo Nora
Miguel Moura assinou a grande atuação da última corrida da temporada do Campo Pequeno. Diante do quarto toiro de António Raúl Brito Paes, com 560 quilos, o cavaleiro construiu uma lide com mando, precisão e dimensão artística.
Após abandonar a arena, Miguel Moura falou ao Infocul.pt sobre a atuação, a ligação com o público e os próximos compromissos. Entre eles estará Portalegre, numa corrida que considera uma das mais importantes da sua temporada.
Uma lide construída para lá dos ferros
O primeiro comprido, colocado em sorte de gaiola, mostrou desde cedo as intenções do cavaleiro. Depois, Miguel Moura conduziu a atuação sem se limitar a somar ferros.
Em vários momentos, a montada respondeu ao seu pulso como uma muleta na mão de um toureiro. As bandarilhas tiveram impacto, os remates saíram por todo o alto e o cavaleiro levou o toiro até onde pretendia.
Miguel Moura preferiu, contudo, fazer uma análise contida à sua passagem pelo Campo Pequeno.
“Penso que o toiro colaborou bastante. Penso que foi uma atuação positiva. É sempre bom tourear nesta magnífica praça. Senti-me bem, penso que o público respondeu e ficou satisfeito com a minha atuação, que é o mais importante”, afirmou.
“Gosto que as coisas aconteçam naturalmente”
A qualidade técnica de Miguel Moura tem sido reconhecida. Porém, a forma como comunica a sua arte com as bancadas continua a representar um dos aspetos onde poderá crescer.
Confrontado com essa questão, o cavaleiro explicou que não pretende forçar uma ligação que deve surgir através do próprio toureio.
“A meu ver, gosto que as coisas aconteçam naturalmente. Basicamente, as atuações não são sempre como nós pretendemos. Mas sei que, quando faço o toureio de que gosto, o toureio que quero, o público responde. Penso que a melhor maneira de chegar ao público é fazer bem o toureio”, respondeu.
No Campo Pequeno, essa resposta apareceu dentro da arena. Miguel Moura conseguiu prender a atenção da praça através da qualidade das sortes, embora uma maior expressividade possa tornar ainda mais completa a ligação entre o que executa e aquilo que transmite.
Portalegre será uma das corridas mais importantes
Sobre o percurso realizado em 2026, Miguel Moura fez um balanço positivo. O cavaleiro destacou ainda a importância de continuar a assumir responsabilidades em cada compromisso.
“A temporada está a correr bem, com corridas importantes que ainda estão para vir. Acho que o balanço é positivo. Dar a cara todos os dias é o que temos de fazer”, declarou.
Entre as datas que se seguem encontra-se a corrida de Portalegre, à qual Miguel Moura atribuiu um peso especial dentro da temporada.
“Agora tenho várias corridas importantes. A corrida de Portalegre será, talvez, uma das mais importantes da minha temporada. É ir corrida a corrida e dar o máximo todos os dias”, concluiu.
Depois de se impor no Campo Pequeno, Miguel Moura saiu de Lisboa com mais do que uma volta à arena. Deixou a demonstração de um toureio capaz de sustentar a estética com técnica e de olhar para o futuro sem romper com as bases que o construíram.
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