João Moura Caetano no Campo Pequeno: “Foi uma lide redonda e completa”, afirmou o cavaleiro em entrevista.
Texto: Rui Lavrador
Entrevista e Fotografia: Diogo Nora
João Moura Caetano viveu uma das atuações mais completas da última corrida da temporada do Campo Pequeno. Diante do segundo toiro de António Raúl Brito Paes, o cavaleiro encontrou no cavalo Campo Pequeno o parceiro para uma lide marcada pelo temple e pela cadência.
Na fase final da atuação, uma escorregadela provocou uma queda aparatosa. Apesar do susto, João Moura Caetano esclareceu ao Infocul.pt que nem o cavaleiro nem o cavalo sofreram consequências significativas.
“O Campo Pequeno teve uma noite de escândalo”
João Moura Caetano gostou do toiro que teve pela frente. O exemplar, com 515 quilos, transmitiu e permitiu ao cavaleiro construir a atuação sem precipitações.
Quando colocou em cena o cavalo Campo Pequeno, a lide ganhou outra dimensão. As reuniões ajustaram-se, os remates surgiram com cadência e o toureio encontrou espaço para respirar.
“Hoje foi daquelas de que eu gosto. O toiro era bravo, era bom e transmitia, que é aquilo que nós também queremos como toureiros. O Campo Pequeno teve uma noite de escândalo. Acho que foram seis ferros, todos bons. No fim da lide houve uma escorregadela e uma queda aparatosa”, afirmou.
O cavaleiro considerou que o acidente faz parte dos riscos de uma temporada com muitas atuações.
“Também faz parte. Era o que eu estava a dizer aqui à quadrilha: toureámos 50 corridas e não haver uma queda ou outra é quase impossível. Mas, graças a Deus, nem o Campo Pequeno nem eu tivemos qualquer consequência”, explicou.
Cavaleiro ficou com o joelho magoado
Apesar de ter sofrido uma pequena lesão no joelho, João Moura Caetano afastou qualquer preocupação. Também fez questão de observar o cavalo depois de abandonar a arena.
“Tenho aqui o joelho magoado, mas nada de especial. O Campo Pequeno estava ótimo, porque estive lá fora a vê-lo. Portanto, ainda conferiu um bocadinho mais de emoção à coisa”, contou.
Para o cavaleiro, o resultado artístico correspondeu às sensações que teve durante a atuação.
“Acho que foi uma lide redonda, completa, em que me senti bem”, resumiu.
A parceria entre João Moura Caetano e Campo Pequeno ficou como um dos pontos altos da corrida. A queda acrescentou tensão ao momento, mas não apagou o trabalho construído anteriormente.
Uma temporada marcada por homenagens
O ano de 2026 assinala os 20 anos de alternativa de João Moura Caetano. Durante o intervalo da corrida, o cavaleiro foi homenageado no Campo Pequeno pela efeméride.
O reconhecimento juntou-se a outras distinções recebidas ao longo de uma temporada particularmente intensa.
“Tem sido uma temporada muito intensa, como já tivemos oportunidade de falar, mas com momentos muito importantes para mim. Houve muitas homenagens, que agradeço muito ao público e aos empresários, que têm tido detalhes muito bonitos comigo. Portanto, tem sido uma temporada que vai ficar para sempre marcada no meu coração”, declarou.
João Moura Caetano deverá terminar o ano próximo das 50 atuações. Contudo, uma lesão no ombro obrigou-o a falhar três compromissos e deixou o número final ainda em aberto.
Campo Pequeno e Ouro Negro lideram a quadra
Além do balanço pessoal, o cavaleiro destacou os dois cavalos que mais se têm afirmado na sua quadra.
Campo Pequeno mantém-se como a principal referência. Contudo, Ouro Negro tem vindo a aproximar-se do mesmo patamar, embora ainda procure maior regularidade.
“Os dois destaques da quadra são o Campo Pequeno e o Ouro Negro. O Campo Pequeno, todos nós já sabemos aquilo que ele é. Depois, o Ouro Negro está quase a igualar o nível do Campo Pequeno. Ainda lhe falta um bocadinho mais de constância, mas também tem tido grandes atuações. Portanto, são os destaques”, revelou.
No Campo Pequeno, o cavalo que partilha o nome com a praça confirmou essa posição dentro da quadra. João Moura Caetano encontrou nele a cadência necessária para redondear a lide e chegar ao público sem recorrer a efeitos fáceis.
Seis toiros no Redondo antes de reduzir a temporada
Entre os compromissos que ainda faltam cumprir encontra-se a encerrona no Redondo, onde João Moura Caetano enfrentará seis toiros. O acontecimento deverá marcar o encerramento de uma temporada que considera difícil de esquecer.
“A temporada vai rondar as 50 corridas. Não sei se as vou fazer porque perdi três com uma lesão no ombro. Vai culminar com seis toiros no Redondo. Portanto, penso que é uma temporada para recordar”, afirmou.
O cavaleiro antecipou ainda uma redução no número de atuações durante o próximo ano.
“Para o ano penso tourear muito menos. Mas esta temporada tem sido intensa e é assim que eu gosto”, concluiu.
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