Pedro Maria Gomes despede-se da chefia dos Amadores de Lisboa: “Amizade, resiliência e grandeza”

Pedro Maria Gomes despede-se da chefia dos Amadores de Lisboa: “Amizade, resiliência e grandeza”, referiu em entrevista.

Texto: Rui Lavrador
Entrevista e Fotografia: Diogo Nora

Pedro Maria Gomes despediu-se das funções de cabo do Grupo de Forcados Amadores de Lisboa na última corrida da temporada do Campo Pequeno.

Depois de 17 anos à frente da formação, o forcado realizou a sua última pega como cabo ao primeiro intento. O momento foi brindado ao grupo e à família.

No final, Pedro Maria Gomes percorreu a arena acompanhado por todos os elementos dos Amadores de Lisboa. Mais do que uma volta, foi a despedida de um ciclo e a passagem de testemunho para Duarte Mira.

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“Acrescentámos à história do grupo”

Após a pega, Pedro Maria Gomes fez ao Infocul.pt um balanço dos anos em que comandou o Grupo de Lisboa. Apesar de recordar que nem todas as noites foram fáceis, o antigo cabo mostrou-se orgulhoso do percurso realizado.

“O balanço dos anos como cabo é muito positivo, com algumas noites que não correram tão bem, mas, felizmente, a maior parte correu bem. Estou orgulhoso também do grupo que construímos nestes 17 anos. Acho que acrescentámos à história do grupo. Portanto, é um balanço positivo desta fase em que fui cabo”, afirmou.

Sobre a corrida do Campo Pequeno, Pedro Maria Gomes considerou que o resultado também deveria ser visto de forma positiva. O forcado lembrou, contudo, que o comportamento das reses aumentou a dificuldade das pegas.

“Da corrida em si, acho que o balanço também deve ser positivo. Os toiros vieram um bocadinho por baixo e, daí, serem um pouco mais difíceis de pegar, como foi o caso deste toiro. Mas acho que está a ser uma boa corrida”, explicou.

Uma noite com várias gerações na mesma arena

A despedida foi construída com antigos e atuais elementos dos Amadores de Lisboa. Logo na primeira pega, Gonçalo Maria Gomes esteve acompanhado por uma formação composta por antigos forcados.

Na segunda, realizada pelo ainda cabo, diferentes gerações voltaram a encontrar-se dentro da arena. As restantes foram entregues ao grupo atual.

“A pega do primeiro toiro foi toda com forcados antigos. A do segundo foi um misto e, a partir daí, já tem sido o grupo atual. É uma noite de gerações do grupo e uma noite que enaltece também os 83 anos do Grupo de Forcados Amadores de Lisboa”, sublinhou.

A Gala à Antiga Portuguesa ganhou, assim, outro significado. A tradição não esteve apenas nos coches das cortesias. Também passou pelos homens que regressaram à arena para acompanhar a despedida de Pedro Maria Gomes.

Duarte Mira recebe um grupo “consolidado”

Com o fim do ciclo de Pedro Maria Gomes, a chefia passa agora para Duarte Mira. O novo cabo entrou imediatamente em funções e pegou o terceiro toiro da corrida ao segundo intento.

Questionado sobre o grupo que entrega ao sucessor, Pedro Maria Gomes destacou a solidez da formação dentro e fora da praça.

“O grupo que deixamos ao Duarte é um grupo que, em praça, está consolidado, com valores e muita matéria para avançar. Fora da praça, o grupo também está consolidado. Ele respeita – e o Duarte, eu sei, vai fazer isso – a história e os valores do grupo nas suas tomadas de decisão. Portanto, acho que deixamos um grupo bom ao Duarte e aos restantes”, declarou.

Pedro Maria Gomes reconhece que existirão dificuldades, como acontece em qualquer mudança de liderança. Porém, acredita que Duarte Mira saberá proteger a identidade e os princípios dos Amadores de Lisboa.

Três palavras para resumir 17 anos

No final da conversa, o antigo cabo foi desafiado a definir a sua passagem pelo grupo numa única palavra. Pediu licença para usar três.

“Amizade, resiliência e grandeza”, respondeu.

Foram apenas três palavras, mas chegaram para resumir 17 anos de comando. Pedro Maria Gomes deixou a chefia, mas não saiu da história do Grupo de Forcados Amadores de Lisboa.

Leia também: Campo Pequeno: os coches trouxeram o passado e Miguel Moura tratou do futuro

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