Pedro Chagas Freitas deixa reflexão sobre o ódio nas redes sociais: «O amor chega sempre antes», afirmou o escritor.
Pedro Chagas Freitas recorreu esta quarta-feira, 23 de setembro, ao Facebook para deixar uma reflexão sobre a forma como o amor e o ódio convivem nas redes sociais. O escritor partiu daquilo que observa nas caixas de comentários das suas próprias publicações, sobretudo quando escreve de forma elogiosa sobre alguém.
«É sempre assim, ainda agora acabei de o comprovar: o amor chega sempre antes, e é tão bonito que seja assim», começou por escrever.
Pedro Chagas Freitas explicou depois que costuma reparar numa primeira vaga de comentários positivos sempre que publica palavras de admiração ou reconhecimento dirigidas a alguém.
«Sempre que escrevo um texto elogioso sobre alguém — gosto tanto de elogiar, tanto, tanto: falta tanto elogio ao mundo, não falta? —, os primeiros comentários, e são muitos, são de amor, são de quem gosta, de quem sente assim, de quem quer assim, de quem vive assim: com o amor no meio dos passos.»
«Até que vem o ódio»
O escritor descreveu, no entanto, uma mudança que considera recorrente nas reações às suas publicações.
«Parece, por minutos, que o amor comanda o mundo, e eu amo esses minutos, acho que é para esses minutos — em que o amor comanda o mundo, pelo menos o nosso — que estamos vivos. Até que vem o ódio.»
A partir daí, Pedro Chagas Freitas fez uma crítica direta ao comportamento de quem utiliza as redes sociais para atacar outras pessoas.
«O ódio chega sempre atrasado, talvez porque seja um atraso de vida, ou aquilo que nos atrasa a vida.»
Segundo o escritor, os comentários negativos aparecem normalmente algum tempo depois dos primeiros sinais de apoio.
«Passados alguns minutos, chegam os odiosos, os raivosos. Devem vir porque outros raivosos, porque outros odiosos, os avisaram.»
Pedro Chagas Freitas foi ainda mais longe na imagem que traçou desse fenómeno: «Imagino um exército de pessoas tristes, de pessoas revoltadas, em frente ao computador, a lerem coisas boas sobre alguém que não está triste, nem raivoso, e a querer enraivecer outros.»
Pedro Chagas Freitas: «Não tragam o ódio nos bolsos»
Na parte final da publicação, o escritor voltou à ideia que serviu de ponto de partida à reflexão: o amor aparece primeiro.
«O ódio chega sempre depois, o amor está lá primeiro.»
Para Pedro Chagas Freitas, aquilo que acontece nas caixas de comentários acaba por funcionar como uma representação do comportamento humano fora das redes sociais.
«Nas caixas de comentários como na vida: nascemos amor, somos amor; o ódio é uma construção que veio para destruir, um edifício artificial, feio, criado para que sejamos o pior do que temos em nós.»
E concluiu com um apelo: «Não se deixem contagiar, não tragam o ódio nos bolsos. Não deixem que ele vos toque, por favor.»
A publicação foi acompanhada por uma imagem do próprio escritor e por uma passagem de «Benjamin e os Dias Cheios de Nada», centrada na capacidade de sorrir para os outros mesmo nos momentos pessoais mais difíceis.
