Ricardo Castro defendeu a criação de limites às rendas numa publicação no Instagram em que criticou as dificuldades de acesso à habitação e pediu medidas aos responsáveis políticos. “Portugal, envergonha-me” foi a frase escolhida pelo ator para abrir e encerrar o texto.
Ao longo da publicação e dos comentários que acrescentou, Ricardo Castro apresentou a questão como um problema de dignidade e de condições de vida.
“E não, não se trata de esquerda, de direita, de centro ou de extremos. Trata-se de humanidade. Daquela que parece estar a desaparecer no meio de discursos, promessas, estatísticas e jogos de poder”, escreveu.
O ator começou por falar de quem trabalha sem conseguir assegurar estabilidade financeira.
“Envergonha-me olhar à minha volta e ver pessoas a trabalhar de sol a sol, a acumular dois e três empregos, a abdicar da própria vida, e, ainda assim, a não conseguirem ganhar o suficiente para viver com dignidade.”
“Pessoas que têm de escolher entre comer, pagar a eletricidade ou comprar medicamentos”
Ricardo Castro descreveu também as dificuldades que, segundo afirmou, observa nas compras do quotidiano.
“Envergonha-me ver pessoas nos supermercados a olhar para as prateleiras, a fazer contas de cabeça, a retirar produtos do carrinho porque o dinheiro não chega. Pessoas que têm de escolher entre comer, pagar a eletricidade ou comprar medicamentos. E nem vou falar do preço dos combustíveis”, declarou.
A preocupação estendeu-se às famílias sem uma habitação estável.
“Envergonha-me ver famílias inteiras a serem empurradas para a rua. Pessoas a viver em automóveis, tendas e barracos. Pessoas que trabalham, que cumprem, que contribuem para este país, mas que não conseguem sequer garantir um teto sobre a cabeça.”
Na mesma publicação, relatou um caso que disse ter ocorrido perto da sua casa, envolvendo a morte de um casal idoso. O ator associou o episódio à perspetiva de um aumento da renda e à incapacidade de o suportar com as reformas, sem identificar o casal ou apresentar outros elementos sobre as circunstâncias das mortes.
“Não é uma estatística. Não é uma projeção económica. Não é um debate televisivo. São duas vidas humanas”, escreveu a propósito desse relato.
“Uma casa é a fortaleza de uma família”
A reflexão levou Ricardo Castro a sublinhar a importância da habitação para quem nela vive.
“Uma casa, senhores, não é um investimento financeiro para quem lá vive. Não é uma oportunidade de especulação. Não é uma mercadoria qualquer”, afirmou.
“Uma casa é a fortaleza de uma família”, acrescentou, explicando: “É onde crescemos, onde criamos os nossos filhos, onde envelhecemos, onde guardamos as nossas memórias.”
Num comentário que prolongou a publicação, reforçou: “É o lugar onde devemos poder fechar a porta e sentir que estamos seguros.”
Ator pede “coragem política”
Aos responsáveis políticos, Ricardo Castro dirigiu um apelo à ação.
“E aos políticos deste país tenho uma coisa a dizer: BASTA! Deixem-se de discursos piegas, de guerras partidárias, de desculpas e de olharem eternamente para o próprio umbigo. Deixem de pensar nas próximas eleições e comecem a pensar nas próximas gerações. Tenham coragem política!”, escreveu.
Entre as propostas que apresentou está a definição de limites às rendas.
“Criem limites razoáveis às rendas. Não é aceitável que o preço de uma casa seja determinado exclusivamente pela ganância do mercado, ignorando a realidade de quem precisa de um lugar para viver.”
O ator defendeu ainda “critérios objetivos que tenham em conta a localização, a área, a idade do edifício, o estado de conservação, o isolamento térmico e a eficiência energética”.
Como exemplo, apontou o que descreveu como um T1 no Feijó, com 45 metros quadrados, num prédio de 1970 e com fracas condições de isolamento, colocado no mercado por 1200 euros mensais.
“Mas quem é que consegue viver assim? Quem é que consegue pagar isto com um salário normal?”, questionou.
“Não peço casas de borla”
Ricardo Castro considerou que as dificuldades se estendem para além de Lisboa e do Porto, atingindo também vilas, periferias e localidades onde, segundo escreveu, as pessoas já não conseguem viver perto de onde nasceram ou trabalham.
“Não peço casas de borla. Não peço que se retirem direitos a quem investiu e disponibiliza habitação. Peço equilíbrio, justiça, responsabilidade e limites. Peço políticas que coloquem as pessoas no centro das decisões”, esclareceu.
Na sua perspetiva, a avaliação de um país deve incluir a forma como trata quem enfrenta maiores dificuldades.
“Um país mede-se também pela forma como trata os mais frágeis, os mais velhos, os que trabalham, os que lutam e os que já não têm forças para lutar.”
A terminar, recusou ficar em silêncio e voltou a exigir respostas.
“Tenham coragem para governar. Tenham coragem para contrariar interesses. Tenham coragem para fazer aquilo para que foram eleitos: servir as pessoas”, apelou.
“Porque a habitação não pode ser um privilégio dos ricos. Trabalhar não pode significar apenas sobreviver. E envelhecer não pode significar viver com medo de perder a própria casa.”
Veja a publicação AQUI.
