Antigo inspetor da PJ afasta hipótese de crime na morte de Maycon Douglas, assinalou ontem na CMTV sobre o caso.
Análise técnica no “Noite das Estrelas”
Entretanto, a morte de Maycon Douglas esteve em destaque no programa Noite das Estrelas, onde o antigo inspetor da Polícia Judiciária Carlos Anjos apresentou uma leitura técnica do caso.
Segundo o especialista, os indícios recolhidos no local apontam para uma ação consciente do próprio condutor, descrevendo a situação como “uma espécie de crónica de uma morte anunciada”.
Dinâmica do acidente dificulta intervenção externa
Além disso, Carlos Anjos explicou que o percurso da viatura torna improvável qualquer cenário de crime ou encenação.
“Só era possível um carro fazer aquilo a uma grande velocidade (…) Era muito difícil, por exemplo, Maycon ter sido morto fora daquele local (…) e ter sido arranjado um estratagema qualquer”, afirmou.
Por outro lado, o antigo inspetor salientou que o veículo teve de ultrapassar duas barreiras físicas antes de cair na água.
A ausência de marcas de travagem reforça essa leitura: “A indicação que dava desde o início é que quem tinha feito aquilo, tinha-o feito de livre vontade”.
Estado do corpo explicado pelas condições do local
Posteriormente, o especialista abordou o facto de o corpo não ter sido encontrado dentro do carro.
Segundo Carlos Anjos, a quebra do para-brisas no impacto poderá ter projetado o corpo para o mar.
As correntes fortes e o embate contínuo nas rochas durante vários dias inviabilizaram o reconhecimento imediato.
“O cadáver esteve 6 dias a bater contra aquelas rochas (…) o que o tornou irreconhecível a olho nu”, explicou.
Ainda assim, a identificação foi possível através de elementos objetivos, como “as tatuagens, a roupa que vestia e o cabelo”.
Causa da morte aponta para afogamento
Quanto às lesões observadas, o antigo inspetor esclareceu que não existem sinais de violência externa.
“Aparentemente, do estado do cadáver, tudo aponta para que a morte tenha sido por afogamento”, indicou, referindo que as contusões são compatíveis com choques pós-mortem.
Contudo, sublinhou que os exames toxicológicos serão determinantes para apurar a eventual presença de álcool ou drogas.
Dimensão psicológica em análise
Por fim, Carlos Anjos abordou a vertente emocional do caso, afastando a ideia de um ato impulsivo.
“Houve algum gatilho que disparou e que fez vir ao de cima aquela vontade”, afirmou.
Segundo o antigo inspetor, poderá ainda ser realizada uma avaliação retrospetiva do estado psicológico do jovem.
“É possível que isso seja feito uma autópsia psicológica, no sentido de perceber qual é que foi o caminho que o levou este jovem nos últimos tempos”, concluiu, lamentando a dor irreparável sentida pela família.





