Cardeal José Tolentino de Mendonça alerta para a prisão da riqueza: «Quem tem muito quer ter ainda mais»

Cardeal José Tolentino de Mendonça alerta para a prisão da riqueza: «Quem tem muito quer ter ainda mais», afirmou.

Uma bicicleta, e não um camião de mudanças. Foi através desta metáfora que o cardeal José Tolentino de Mendonça refletiu sobre a liberdade, o desprendimento e a dificuldade de abandonar aquilo que prende cada pessoa.

Num excerto de uma homilia partilhado nas redes sociais, o prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação começou por recordar uma passagem de São Paulo dirigida a Timóteo: «Ninguém põe grilhões na Palavra de Deus».

«A liberdade é uma conquista do nosso coração»

Para José Tolentino de Mendonça, alguém pode estar fisicamente preso e, ainda assim, conservar a liberdade interior.

«Nós podemos estar numa prisão e estar livres, porque a liberdade não é um condicionalismo exterior; a liberdade é uma conquista do nosso coração», afirmou.

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O cardeal considerou que essa liberdade apenas pode ser alcançada através do desprendimento, juntamente com o amor, a entrega, a convicção e a fé.

«Para eu escolher uma coisa, tenho de deixar outras, não posso levar tudo», observou.

A vida espiritual, explicou, não passa por tentar transportar tudo aquilo que se acumulou ao longo do caminho.

«A vida espiritual não é um grande carro de mudanças, é uma bicicleta. O homem e a mulher espirituais andam de bicicleta, não andam de camião a querer levar tudo atrás de si», comparou.

José Tolentino de Mendonça defendeu que cada pessoa deve levar apenas aquilo que realmente cabe nessa bicicleta: «a vida mínima, o essencial».

Dinheiro pode transformar-se numa prisão

O cardeal reconheceu que o desprendimento implica uma escolha difícil, porque existem bens, sentimentos e circunstâncias aos quais as pessoas se prendem profundamente.

Foi neste contexto que abordou a relação dos mais ricos com o dinheiro, contrariando a ideia de que a abundância financeira elimina essa preocupação.

«Podíamos pensar que quem tem muito dinheiro, a dada altura, deixa de preocupar-se com dinheiro. É o contrário: quem tem muito dinheiro só pensa em dinheiro e torna-se obsessivamente preso àquele dinheiro», afirmou.

José Tolentino de Mendonça prosseguiu: «Quem tem muito quer ter ainda mais, não quer partilhar, não quer fazer alguma coisa com aquilo, salvo raras, honrosas e generosas exceções».

O cardeal ressalvou que a reflexão não se limitava à riqueza material. Também outras formas de riqueza podem transformar-se em dependências e impedir a verdadeira liberdade.

«Estes ricos que podemos ser nós, que pode ser a riqueza material e as outras riquezas existenciais que transportamos, estes ricos são aqueles que ficam presos, fazem do que têm a sua prisão», explicou.

A concluir, José Tolentino de Mendonça defendeu que aprender a abandonar o que não é essencial deve fazer parte do caminho de cada pessoa: «Esta arte do desprendimento, como arte espiritual que nós temos de praticar, é fundamental».

Veja a publicação AQUI.

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