Cardeal José Tolentino de Mendonça reflete sobre fragilidade e inesperado: “A tua fraqueza sustém a tua força”, afirmou.
O cardeal José Tolentino de Mendonça partilhou duas reflexões sobre a dificuldade de aceitar aquilo que a vida não permite controlar. Numa delas, dirigiu-se a Maria para falar de medo, vulnerabilidade e esperança. Noutra, recuperou uma passagem do Evangelho para defender a importância de acolher os caminhos que não foram escolhidos.
As duas publicações, divulgadas nas redes sociais, aproximam a experiência religiosa das inquietações humanas, particularmente da incerteza perante o futuro e da necessidade de encontrar sentido nos acontecimentos inesperados.
Maria como exemplo de força perante a incerteza
Num texto construído como uma oração, José Tolentino de Mendonça recordou que a força de Maria não nasceu da ausência de dificuldades.
“Também a tua fraqueza sustém a tua força”, escreveu.
O cardeal sublinhou a capacidade de Maria para atravessar momentos de incerteza sem perder a confiança naquilo que ainda não conseguia compreender inteiramente.
Essa experiência permite-lhe estabelecer uma ligação com as dúvidas e os receios que também fazem parte da vida de qualquer pessoa.
“Não te é estranha a minha agitação confusa, a minha indecisão, os medos que em certas horas me agridem”, afirmou.
A reflexão apresenta Maria como alguém capaz de acolher a fragilidade humana precisamente porque também conheceu dificuldades, sofrimento e situações que ultrapassavam a sua capacidade de entendimento.
Um abraço para o cansaço e para aquilo que ficou por cumprir
José Tolentino de Mendonça descreveu o caminho de Maria como um percurso marcado por obstáculos e dores. Na sua perspetiva, essa experiência transforma-a numa presença próxima de quem enfrenta momentos difíceis.
“O teu olhar se tornou um imenso ventre, onde posso depor tudo aquilo que tanto me custa”, escreveu.
O cardeal abordou ainda a tensão entre aquilo que cada pessoa consegue realizar e os projetos que acabam por ficar inacabados.
“Tu abraças o meu cansaço de viver com esperança, a minha força e a minha fragilidade”, afirmou.
A mensagem reconhece que nem tudo depende da vontade individual. Entre decisões, imprevistos e limitações, há acontecimentos que escapam ao controlo e exigem uma atitude de confiança.
Acolher a vida que não estava nos planos
Noutra publicação, José Tolentino de Mendonça partiu de uma passagem do Evangelho de São Mateus, na qual Pedro pergunta a Jesus o que receberão aqueles que deixaram tudo para o seguir.
A partir desta referência bíblica, o cardeal refletiu sobre as pessoas que acabam por enfrentar realidades diferentes daquelas que imaginaram ou desejaram.
“Bem-aventurados aqueles a quem a vida deu o que eles não sonharam”, escreveu.
Segundo José Tolentino de Mendonça, a experiência humana nem sempre corresponde aos projetos inicialmente traçados. Existem situações que chegam sem aviso e obrigam a encontrar respostas para circunstâncias que ninguém pediu.
O essencial, defendeu, está na capacidade de acolher essa realidade sem desistir da relação com os outros.
“Temos de amar, temos de abraçar, temos de servir”, afirmou.
Entre a oração dirigida a Maria e a reflexão inspirada no Evangelho, o cardeal deixa uma ideia comum: a esperança não elimina a fragilidade, mas pode ajudar a atravessar aquilo que a vida apresenta sem explicação antecipada.
