Tolentino Mendonça reflete sobre a liberdade: «A vida espiritual é uma bicicleta»

Tolentino Mendonça reflete sobre a liberdade: «A vida espiritual é uma bicicleta», assinalou o cardeal.

O cardeal defendeu que a verdadeira liberdade não depende das circunstâncias exteriores e só pode ser conquistada através do desprendimento.

José Tolentino Mendonça recorreu às redes sociais para refletir sobre a liberdade e a necessidade de abandonar aquilo que impede cada pessoa de viver com o essencial. O cardeal partiu das palavras de São Paulo a Timóteo para lembrar que até alguém privado da liberdade física pode continuar interiormente livre.

«Gosto de pensar em S. Paulo quando escreve a Timóteo: ‘Ninguém põe grilhões na Palavra de Deus.’ Isto é, nós podemos estar numa prisão e estar livres, porque a liberdade não é um condicionalismo exterior; a liberdade é uma conquista do nosso coração», começou por escrever.

A liberdade exige escolhas

Para Tolentino Mendonça, essa conquista interior passa pelo amor, pela fé e pela entrega, mas também pela capacidade de prescindir.

«E como é que a liberdade se conquista? Eu não conheço outro caminho senão pelo desprendimento. Pelo amor, pelo abandono, pela entrega, pela convicção, pela fé, mas também pelo desprendimento. Para eu escolher uma coisa, tenho de deixar outras; não posso levar tudo», explicou.

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O cardeal recorreu depois à imagem de uma bicicleta para defender uma vida espiritual mais simples: «A vida espiritual não é um grande carro de mudanças, é uma bicicleta. O homem e a mulher espirituais andam de bicicleta, não andam de camião a querer levar tudo atrás de si. Nós temos de carregar connosco aquilo que cabe numa bicicleta: a vida mínima, o essencial».

Tolentino Mendonça reconheceu, contudo, que abandonar aquilo a que cada pessoa se encontra presa não é uma decisão fácil: «Mas isso é uma escolha, é uma escolha difícil de fazer, porque nos prendemos verdadeiramente; há prisões».

«Fazem do que têm a sua prisão»

A reflexão estendeu-se à relação com o dinheiro. O cardeal observou que a abundância material nem sempre traz tranquilidade e pode transformar-se numa forma de dependência.

«Podíamos pensar que quem tem muito dinheiro, a dada altura, deixa de preocupar-se com dinheiro. É o contrário: quem tem muito dinheiro só pensa em dinheiro e torna-se obsessivamente preso àquele dinheiro. Quem tem muito quer ter ainda mais, não quer partilhar, não quer fazer alguma coisa com aquilo, salvo raras, honrosas e generosas exceções», afirmou.

O conceito de riqueza, acrescentou, não se limita aos bens materiais: «Mas isto que Jesus critica, estes ricos que podemos ser nós, que pode ser a riqueza material e as outras riquezas existenciais que transportamos, estes ricos são aqueles que ficam presos, fazem do que têm a sua prisão».

A terminar, Tolentino Mendonça reforçou a importância desta prática: «Esta arte do desprendimento, como arte espiritual que nós temos de praticar, é fundamental».

Veja a publicação AQUI.

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