Dois detidos por incêndio em Vinhais saem em liberdade e autoridades alertam para “incendiários em série”, nesta fase crítica.
Suspeitos aguardam julgamento fora da prisão
Dois homens, de 42 e 61 anos, foram detidos por suspeita de provocarem um incêndio no concelho de Vinhais. Após primeiro interrogatório no Tribunal Judicial de Bragança, esta quinta-feira, ficaram apenas sujeitos a Termo de Identidade e Residência.
Segundo a GNR de Bragança, o fogo terá ganho dimensão rapidamente, abrindo três frentes ativas. No combate estiveram 95 operacionais, apoiados por um meio aéreo, numa operação que permitiu dominar as chamas perto da meia-noite.
Número de detenções por fogo florestal já supera 2024
Este ano, já foram detidas 95 pessoas em Portugal por suspeita de atear fogos. A Polícia Judiciária (PJ) efetuou 54 detenções, enquanto a GNR prendeu 41 — mais do que durante todo o ano passado.
Também o número de inquéritos aumentou significativamente. A PJ já abriu 921 investigações, face às 643 registadas no total de 2024.
“Incendiários não são de um incêndio só”
Carlos Farinha, diretor nacional adjunto da PJ, alertou para a repetição de crimes por parte dos mesmos suspeitos: “Na realidade, os nossos incendiários não são incendiários de um incêndio só, são incendiários em série, praticam vários incêndios. Muitas destas pessoas põem fogo, sem nenhuma atração pelo fogo, mas apenas com o intuito de vingança, com o intuito fútil, de alguma forma a gerar todo aquele pânico, todo aquele conjunto de reações e com maiores consequências.”
Vigilância com tecnologia e drones
Para travar este tipo de crimes, a GNR aposta em tecnologia avançada. “Nós contamos atualmente com 230 postos de vigia, aos quais acrescentamos 147 câmaras de vigilância espalhadas um pouco por todo o espaço florestal. Para além das patrulhas móveis, temos outras tecnologias, designadamente o uso de drones, atualmente disponibilizados pela Força Aérea”, indicou fonte oficial.
Penas elevadas não são garantia de dissuasão
Carlos Farinha recordou que há casos com condenações pesadas, mas que o mais importante é a certeza do castigo. “Não há, a menos que haja aumento das penas, a possibilidade de tornar isto eficaz. Repito: a probabilidade de acontecer uma pena é por vezes mais importante que propriamente a dimensão da pena em si.”
Imagem Ilustrativa/Arquivo





