PJ alerta no Parlamento para “nudes” falsos criados com IA entre jovens no WhatsApp

PJ alerta no Parlamento para “nudes” falsos criados com IA entre jovens no WhatsApp, na tarde de ontem.

Carlos Cabreiro defende alargar proposta a plataformas de mensagens

A discussão sobre o acesso de crianças e jovens às redes sociais ganhou novo foco na Assembleia da República. O alerta partiu de Carlos Cabreiro, diretor nacional da Polícia Judiciária.

Durante a audição parlamentar, o responsável chamou a atenção para o uso de aplicações de mensagens entre menores. Em causa está a circulação de imagens falsas, criadas com recurso a inteligência artificial.

Segundo Carlos Cabreiro, o WhatsApp tem sido usado por jovens para criar grupos dedicados à partilha de “material com intervenção preocupante da IA, nomeadamente na intervenção dos chamados ‘nudes’ ficcionados”.

Imagens falsas podem ter impacto real

Ainda que as imagens não sejam verdadeiras, o responsável da PJ sublinhou que o dano pode ser semelhante ao de fotografias reais.

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Isto acontece porque os rostos dos jovens continuam identificáveis. Assim, a exposição pode gerar rejeição, humilhação e isolamento social.

Carlos Cabreiro deu um exemplo concreto ao Parlamento: “A foto da turma que aparece toda desnudada vai fazer referência àqueles corpos que são menos aceites”.

WhatsApp, Signal, Telegram e Messenger no centro do alerta

Além disso, o diretor nacional da PJ defendeu que a proposta não deve limitar-se às redes sociais tradicionais.

Carlos Cabreiro recomendou que o projeto de lei inclua também plataformas de comunicação sem ligação direta a linhas telefónicas. Entre os exemplos referidos estão WhatsApp, Messenger, Signal e Telegram.

Desta forma, a discussão passa a abranger espaços digitais onde os jovens comunicam de forma privada, mas onde também circulam conteúdos sensíveis.

Projeto de lei prevê limite de idade

Entretanto, o diploma do PSD já foi aprovado na generalidade. A votação aconteceu a 12 de fevereiro de 2026.

A proposta contou com votos favoráveis de PSD, PS, PAN e JPP. Chega e IL votaram contra. Já CDS-PP, PCP, Livre, BE e o socialista Miguel Costa Matos abstiveram-se.

O texto prevê que o acesso a redes sociais como Instagram, TikTok ou Facebook só seja permitido a partir dos 16 anos.

Porém, entre os 13 e os 16 anos, o acesso poderá acontecer mediante “consentimento parental expresso e verificado”.

Proposta segue em análise na especialidade

Por fim, a audição de Carlos Cabreiro decorreu no âmbito da especialidade. Esta fase acontece nas comissões parlamentares e serve para ajustar o projeto inicial.

Agora, os deputados vão avaliar possíveis alterações antes da votação final. O alerta da PJ pode pesar na forma como a lei irá abranger não só redes sociais, mas também aplicações de mensagens.

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