Farioli celebra título do FC Porto e já aponta à próxima época: “É altura de celebrar”, assinalou o treinador italiano.
Francesco Farioli fechou a Liga com uma vitória no Estádio do Dragão e com a festa do título azul e branco.
O FC Porto venceu o Santa Clara por 1-0, na última jornada, com um autogolo de Sidney Lima. O resultado serviu para encerrar a época campeã diante dos adeptos, duas semanas depois de o título ter ficado garantido na 32.ª jornada.
Farioli destaca festa no Dragão e nos Aliados
Depois do triunfo, Farioli falou à Sport TV e relativizou o peso competitivo da partida. Para o treinador italiano, o jogo teve sobretudo valor simbólico.
“Acho que foi um jogo com um significado especial, para celebrar o título à frente dos nossos adeptos. Foi importante terminar com uma vitória, mas o verdadeiro espetáculo estava lá fora, e acho que foi apenas uma antecipação do que vai acontecer mais tarde nos Aliados”.
Mais tarde, na sala de imprensa, o técnico assumiu finalmente o momento de festa.
“Desta vez, e pela primeira vez, vou mesmo dizê-lo: é altura de celebrar. Honestamente, acho que foi um título muito merecido. Estivemos em primeiro desde o primeiro dia até ao último, com muito trabalho e um grande compromisso de todos. Quero deixar um agradecimento profundo a todas as pessoas que trabalharam comigo. Hoje é mais um dia para celebrar este grupo: os jogadores, o staff e, claro, especialmente a administração e o clube por tudo o que nos deram. E aos jogadores, obviamente, que conseguiram realizar uma época fantástica.”
Rodrigo Mora como falso nove e ideias para o futuro
Entretanto, Farioli foi questionado sobre a utilização de Rodrigo Mora como falso nove, uma solução vista poucas vezes durante a temporada.
O treinador explicou que a opção teve também relação com a gestão do plantel e com a vontade de terminar a partida com o jovem em campo.
“Foi algo que fizemos três vezes esta época, aconteceu durante muito pouco tempo. Hoje queríamos terminar com o Rodrigo em campo, queríamos colocar o Gabril, por isso foi também uma adaptação de acordo com a gestão do plantel. É uma possibilidade de que falámos e vamos ver para a próxima época que ideias implementar depois das férias.”
Sobre a próxima temporada e possíveis movimentos no plantel, Farioli garantiu que o trabalho já está encaminhado, embora sem individualizar nomes.
“Gosto da vossa pressão esta noite (risos), mas digamos que a lista sobre o que pretendemos fazer já está pronta. Estamos totalmente alinhados sobre os movimentos a fazer em relação aos nossos jogadores e àqueles que queremos considerar para o futuro. Mas agora, repito, vamos dar a este grupo o crédito que merece — a todos eles — porque fizeram uma época fantástica. Não faz sentido falar de um mais do que de outro neste momento.”
João Costa, Bernardo Lima e Nehuén Pérez premiados
Além da festa, a última jornada permitiu dar minutos a jogadores que marcaram o grupo de formas diferentes.
João Costa estreou-se na baliza e Farioli destacou o papel do guarda-redes ao longo da época.
“Para o João, acho que é algo que ele realmente mereceu, pelo que trouxe à equipa desde o primeiro dia, em termos de presença, compromisso, espírito e ADN do Porto. Viram como todos os jogadores celebraram o seu momento, como celebraram a defesa que ele fez. Somos uma família e o João é uma grande parte deste grupo.”
Também Bernardo Lima mereceu elogios do treinador, que apontou para o futuro do jovem.
“Foi realmente merecido pelo que ele fez esta época, com o Porto, com a seleção nacional, e também pensando no futuro que ele vai ter pela frente, que tenho a certeza que vai ser brilhante. Agora é uma questão de trabalho, desenvolvimento, e preparar-se para quando o momento chegar”.
Já a utilização de Nehuén Pérez teve um lado emocional. O jogador regressou quase dez meses depois da lesão sofrida no início da época.
“Para o Nehuén, foi no início da época quando ele se lesionou. Foi um momento pesado para todos, se se lembrarem, no jogo contra o Nacional, se não estou em erro. Foi fantástico vê-lo de volta, porque ele é um jogador importante e todos o adoram.”
88 pontos e foco total a partir de terça-feira
Farioli, conhecido pelo lado perfecionista, admitiu que o FC Porto ainda tinha um objetivo pontual depois de garantir matematicamente o título.
A equipa terminou com 88 pontos, uma marca que o treinador valorizou, mesmo sem atingir a meta interna.
“Desde que garantimos matematicamente o título, tínhamos o objetivo de tentar chegar aos 91 pontos. Ficámo-nos pelos 88 que, se não estou em erro, é a terceira marca mais alta de pontos na história da liga. Não é o cenário ideal, mas continua a ser uma excelente marca. Nestes últimos dias trabalhámos para terminar bem, com uma vitória, como fizemos hoje. No tempo livre, tentámos antecipar e preparar as exigências da próxima época. Não apenas sobre o mercado, mas sobre como podemos melhorar internamente: instalações e todos os detalhes onde possamos ganhar pequenas percentagens para sermos melhores. Hoje, amanhã e talvez até segunda-feira, será tempo livre para todos. A celebração é importante e precisamos deste momento. A partir de terça-feira, estaremos totalmente focados na próxima temporada.”
Ou seja, a festa existe, mas tem prazo. A partir de terça-feira, o campeão nacional começa a virar-se para uma época que terá também Liga dos Campeões.
Adeptos foram decisivos no Dragão
Farioli voltou ainda a sublinhar a importância dos adeptos ao longo da temporada.
O treinador italiano garantiu que sentiu apoio desde o primeiro dia e que essa ligação ajudou a manter a equipa próxima do público, mesmo nos momentos menos lineares.
“Senti uma receção muito forte desde o primeiro dia. O clube e os adeptos abriram-me as portas. Desde o primeiro momento, estabelecemos um ritmo muito importante. Durante a época, com os altos e baixos que naturalmente surgem no caminho, mantivemo-nos sempre muito próximos. Jogámos 34 jogos no total na Liga e em 32 deles sentimos que estávamos a jogar em casa. Nos outros dois fomos em menor número, mas fizemos barulho suficiente para cumprir a nossa parte. Isso é algo notável. Eles nunca deixaram de apoiar a equipa. Este é o primeiro passo. Para a próxima época, queremos a mesma energia — ou mais, se possível — porque é disso que realmente precisamos.”
O FC Porto voltou a terminar invicto em casa na Liga, algo que já não acontecia há quatro anos. Para Farioli, a explicação passa pela força do Dragão.
“Como já disse, o poder dos nossos adeptos e o sentimento de estarmos realmente em casa é o que dita a temperatura aqui no Dragão. Foi um fator decisivo esta época. Esperamos que na próxima seja igual e, se possível, ainda melhor.”
Cláudio Ramos e João Costa elogiados na sombra de Diogo Costa
Na conferência de imprensa, Farioli também foi questionado sobre a gestão dos guarda-redes, numa equipa onde Diogo Costa tem estatuto de titular e líder.
O treinador fez questão de valorizar Cláudio Ramos e João Costa pelo trabalho diário, mesmo longe dos holofotes.
“Ambos, o Cláudio e o João, desempenharam um papel enorme nesta temporada. Ter um guarda-redes do nível do Diogo torna a competição difícil, porque todos conhecemos o valor dele, não só como jogador, mas como líder. No entanto, tanto o Cláudio como o João, um pouco na sombra e nos bastidores, fizeram um trabalho fantástico nos treinos. Tenho na memória muitos treinos de ‘dia de jogo mais um’, que são sessões de compensação fundamentais para nós e nada fáceis de realizar. Ter estes dois ‘bichos’ na baliza a puxar por toda a gente e a manter o ritmo alto até ao final da época é um valor invisível para quem está fora, mas muito claro para quem está dentro. A forma como os jogadores reagiram à entrada do João diz tudo sobre o nível de apreciação que têm por eles.”
Com o título celebrado no Dragão e a festa apontada aos Aliados, Farioli fechou a época a agradecer ao grupo. Mas deixou também claro que o FC Porto já sabe o que quer fazer a seguir.
