Filipa Torrinha Nunes arrasa António Leal e Silva após comentários sobre terapia de Rebeca Caldeira, no Passadeira Vermelha.
A polémica em torno de Rebeca Caldeira e da forma como falou sobre saúde mental voltou a aquecer o debate televisivo. Desta vez, o tema chegou ao «Passadeira Vermelha», da SIC Caras, onde Filipa Torrinha Nunes foi particularmente dura com António Leal e Silva.
Em causa estão comentários feitos no «V+ Fama», conduzido por Adriano Silva Martins, depois de Rebeca revelar que faz terapia para lidar com a exposição mediática.
Psicóloga acusa comentador de alimentar preconceitos
Filipa Torrinha Nunes não escondeu a indignação perante aquilo que ouviu no programa da V+TVI.
A psicóloga considerou que as declarações de António Leal e Silva revelam desconhecimento sobre saúde mental e ajudam a perpetuar ideias erradas.
“𝗔𝗻𝘁ó𝗻𝗶𝗼 𝗟𝗲𝗮𝗹 𝗲 𝗦𝗶𝗹𝘃𝗮, 𝗲𝘂 𝘃𝗼𝘂 𝘀𝗲𝗿 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼, 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼 𝗱𝗶𝗿𝗲𝘁𝗮 𝗲𝗺 𝗿𝗲𝗹𝗮çã𝗼 à𝗾𝘂𝗶𝗹𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝗹𝗲 𝗱𝗶𝘀𝘀𝗲. (…) 𝗘𝘂 𝗻ã𝗼 𝘁𝗲𝗻𝗵𝗼 𝗼𝘂𝘁𝗿𝗮 𝗽𝗮𝗹𝗮𝘃𝗿𝗮 𝗱𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗮 𝗻ã𝗼 𝘀𝗲𝗿 𝗱𝗶𝘇𝗲𝗿 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘀𝘁𝗲 𝘀𝗲𝗻𝗵𝗼𝗿, 𝗲𝗺 𝗿𝗲𝗹𝗮çã𝗼 𝗮 𝗲𝘀𝘁𝗮 𝘁𝗲𝗺á𝘁𝗶𝗰𝗮, 𝗽𝗲𝗹𝗼 𝗺𝗲𝗻𝗼𝘀 𝗰𝗼𝗺 𝗯𝗮𝘀𝗲 𝗻𝗮𝘀 𝘀𝘂𝗮𝘀 𝗱𝗲𝗰𝗹𝗮𝗿𝗮çõ𝗲𝘀, é 𝘂𝗺𝗮 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮 𝗽𝗿𝗼𝗳𝘂𝗻𝗱𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗶𝗻𝗰𝘂𝗹𝘁𝗮 𝗲 𝗶𝗴𝗻𝗼𝗿𝗮𝗻𝘁𝗲”, começou por atirar.
“Barbaridades” ditas em televisão
Para Filipa, o problema não está apenas na falta de conhecimento. Está também na forma como esse desconhecimento é apresentado publicamente.
“𝗢 𝗽𝗿𝗼𝗯𝗹𝗲𝗺𝗮 é 𝗾𝘂𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗶𝘀𝘀𝗼 é 𝗮𝗰𝗼𝗺𝗽𝗮𝗻𝗵𝗮𝗱𝗼 𝗱𝗲 𝘂𝗺𝗮 𝗮𝗿𝗿𝗼𝗴â𝗻𝗰𝗶𝗮, 𝗱𝗲 𝘂𝗺𝗮 𝗮𝗹𝘁𝗶𝘃𝗲𝘇 𝗾𝘂𝗲 𝗻𝗼𝘀 𝗳𝗮𝘇 𝗱𝗶𝘇𝗲𝗿 𝗯𝗮𝗿𝗯𝗮𝗿𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗽𝗲𝗶𝘁𝗼 𝗳𝗲𝗶𝘁𝗼, 𝗱𝗲 𝗽𝗲𝗶𝘁𝗼 𝗰𝗵𝗲𝗶𝗼”, apontou.
A comentadora alertou ainda para o impacto deste tipo de discurso quando surge num espaço televisivo.
“𝗢𝘂𝘁𝗿𝗮𝘀 𝘃𝗲𝘇𝗲𝘀 𝘀ã𝗼 𝗯𝗮𝗿𝗯𝗮𝗿𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲𝘀 𝗴𝗿𝗮𝘃𝗲𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗮𝗹𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮𝗺 𝗽𝗿𝗲𝗰𝗼𝗻𝗰𝗲𝗶𝘁𝗼𝘀, 𝗾𝘂𝗲 𝗰𝗮𝘂𝘀𝗮𝗺 𝗱𝗲𝘀𝗶𝗻𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮çã𝗼. 𝗘 𝗶𝘀𝘀𝗼 é 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼 𝗴𝗿𝗮𝘃𝗲”.
Apesar de também ter apontado “comentários muito graves” a Adriano Silva Martins, Filipa centrou grande parte da crítica em António Leal e Silva.
“Ninguém é ninguém para legitimar questões de saúde mental”
A psicóloga rejeitou a ideia de que o sofrimento psicológico possa ser medido pelo grau de fama ou exposição pública de alguém.
Na sua leitura, ninguém deve decidir se a dor do outro é ou não legítima.
“𝗡𝗶𝗻𝗴𝘂é𝗺 é 𝗻𝗶𝗻𝗴𝘂é𝗺 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗹𝗲𝗴𝗶𝘁𝗶𝗺𝗮𝗿 𝗾𝘂𝗲𝘀𝘁õ𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝘀𝗮ú𝗱𝗲 𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮𝗹. 𝗡𝗶𝗻𝗴𝘂é𝗺 é 𝗻𝗶𝗻𝗴𝘂é𝗺 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗱𝗶𝘇𝗲𝗿: ‘𝗢 𝗾𝘂𝗲 𝘁𝘂 𝘀𝗲𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗻ã𝗼 é 𝗹𝗲𝗴í𝘁𝗶𝗺𝗼, 𝗲𝘀𝘀𝗲 𝘀𝗼𝗳𝗿𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗻ã𝗼 é 𝗹𝗲𝗴í𝘁𝗶𝗺𝗼, 𝘀ó é 𝗹𝗲𝗴í𝘁𝗶𝗺𝗼 𝗮 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗿 𝗱𝗲 𝗫 𝗰𝗼𝗶𝘀𝗮, 𝗱𝗲 𝗮𝗹𝗴𝘂𝗺 𝗽𝗮𝘁𝗮𝗺𝗮𝗿 𝗱𝗲 𝗳𝗮𝗺𝗮’. (…) 𝗡ã𝗼 𝗽𝗼𝗱𝗲𝗺𝗼𝘀 𝗲𝘀𝘁𝗮𝗿 𝘀𝗲𝗻𝘁𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗲 𝗽𝗲𝗿𝗺𝗶𝘁𝗶𝗿 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘀𝘁𝗮𝘀 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮𝘀 𝗱𝗶𝗴𝗮𝗺 𝗶𝘀𝘁𝗼”.
A intervenção deixou clara a posição de Filipa: a saúde mental não pode ser relativizada em função da imagem pública de cada pessoa.
David Motta critica V+ Fama, mas deixa recado a Rebeca
No mesmo debate, David Motta também condenou as declarações feitas no «V+ Fama». Ainda assim, trouxe outra camada à discussão.
O comentador recordou que Rebeca Caldeira já teve atritos com o «Passadeira Vermelha», depois de criticar o painel por uma abordagem sobre depressão sazonal.
Sem negar a gravidade das palavras ditas no canal concorrente, David apontou que a influenciadora também deve ter consciência do peso das suas próprias intervenções.
“É 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗶𝗳𝗲𝗿𝗲𝗻𝘁𝗲, 𝗺𝗮𝘀 𝗰𝗼𝗺 𝗮 𝗺𝗲𝘀𝗺𝗮 𝗮𝗿𝗺𝗮. 𝗘𝘂 𝘁𝗮𝗺𝗯é𝗺 𝗮𝗰𝗵𝗼 𝗾𝘂𝗲 é 𝗽𝗲𝗹𝗼 𝗳𝗮𝗰𝘁𝗼 𝗱𝗲𝗹𝗮 𝗰𝗮𝘃𝗮𝗹𝗴𝗮𝗿 𝗼𝘂 𝗴𝗮𝗹𝗼𝗽𝗮𝗿 𝗻𝗶𝘀𝘁𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗼𝘀 𝗹𝗲𝘃𝗼𝘂 𝗮 𝘁𝗲𝗿𝗲𝗺 𝗲𝘀𝘁𝗮 [𝗿𝗲𝗮çã𝗼]”, observou.
“Nós também estamos expostos”
David Motta classificou as declarações da concorrência como “completamente inadmissíveis”. Porém, quis lembrar que os profissionais de televisão também estão sujeitos a pressão pública.
“𝗔 𝗥𝗲𝗯𝗲𝗰𝗮 𝘁𝗮𝗺𝗯é𝗺 𝘁𝗲𝗺 𝗱𝗲 𝘀𝗲 𝗹𝗲𝗺𝗯𝗿𝗮𝗿 𝗾𝘂𝗲 𝘁𝗮𝗹 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗲𝗹𝗮, 𝗻ó𝘀 𝘁𝗮𝗺𝗯é𝗺 𝗲𝘀𝘁𝗮𝗺𝗼𝘀 𝗲𝘅𝗽𝗼𝘀𝘁𝗼𝘀”, alertou.
Depois, deixou uma mensagem mais direta à influenciadora digital, lembrando que as críticas também têm impacto no outro lado.
“𝗘 𝘁𝗮𝗹 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗲𝗹𝗮 𝗻𝗮𝘀 𝗿𝗲𝗱𝗲𝘀 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮𝗶𝘀 𝗹ê 𝗰𝗼𝗶𝘀𝗮𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗮 𝗹𝗲𝘃𝗮𝗺 à 𝘁𝗲𝗿𝗮𝗽𝗶𝗮, 𝗻ó𝘀 𝗮𝗾𝘂𝗶 𝘁𝗮𝗺𝗯é𝗺 𝗼𝘂𝘃𝗶𝗺𝗼𝘀 𝗲 𝗹𝗲𝗺𝗼𝘀 𝗰𝗼𝗶𝘀𝗮𝘀 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗮𝘀 𝘃𝗲𝘇𝗲𝘀 𝗱𝗶𝘁𝗮𝘀 𝗽𝗼𝗿 𝗲𝗹𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗻𝗼𝘀 𝗹𝗲𝘃𝗮𝗺 à 𝘁𝗲𝗿𝗮𝗽𝗶𝗮. (…) 𝗣𝗼𝗿é𝗺 𝗾𝘂𝗲𝗿𝗼 𝗮𝗰𝗿𝗲𝗱𝗶𝘁𝗮𝗿 𝗾𝘂𝗲 𝗽𝗲𝗹𝗼 𝗺𝗲𝗻𝗼𝘀 𝗮𝗾𝘂𝗶 𝗻𝘂𝗻𝗰𝗮 𝗻𝗶𝗻𝗴𝘂é𝗺 𝘂𝘀𝗼𝘂 𝗽𝗮𝗹𝗮𝘃𝗿õ𝗲𝘀 𝗲 𝘁𝗲𝗿𝗺𝗼𝘀 [𝗼𝗳𝗲𝗻𝘀𝗶𝘃𝗼𝘀]”.
Debate expõe peso das palavras no espaço mediático
A análise no «Passadeira Vermelha» acabou por ir além do caso concreto de Rebeca Caldeira.
Por um lado, Filipa Torrinha Nunes colocou o foco na saúde mental e no perigo de comentários que alimentam preconceitos.
Por outro, David Motta lembrou que a exposição pública afeta todos os intervenientes, incluindo comentadores e apresentadores.
Assim, o debate deixou uma ideia central: em televisão ou nas redes sociais, as palavras têm consequências. E, quando o tema é saúde mental, o cuidado deve ser ainda maior.
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