Golegã vive novamente a tradição equestre western na Feira do Cavalo

Golegã vive novamente a tradição equestre western na Feira do Cavalo, acolhendo milhares de pessoas.

A Golegã voltou a transformar-se, este fim de semana, na Capital Nacional do Cavalo. A vila vive estes dias como se o tempo se suspendesse: cavalos, charretes e cavaleiros circulam lado a lado com o público nas ruas estreitas, num convívio que se torna natural e contínuo. O ambiente era de uma normalidade nostálgica, conversas que pareciam saídas de outra época.

As bancas e tasquinhas alinhadas criavam corredores onde turistas e locais se misturavam com tratadores e proprietários, numa rotina que parece não ter pressa. A sensação dominante era a de regresso a uma vila antiga, onde o tempo se medisse ao passo do animal e ao compasso do diálogo.

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A experiência é muitas vezes comparada a uma viagem ao passado. Entre o som das ferraduras a ecoar na calçada, o cheiro a palha e as conversas que se prolongam pelas ruas e picadeiros, a Golegã assume-se como um cenário vivo que recorda uma vila portuguesa do século XIX, ou mesmo uma atmosfera ibérica de western rural, onde o ritmo da vida se faz ao passo do cavalo. 

Num desses momentos, só faltava ouvir-se o John Wayne com uma das suas frases épicas, com voz intensa que parecia destoar do tom sereno do dia — uma exclamação que traz ainda mais toque dramático e melancólico a uma feira especial: “I haven’t lost my temper in 40 years, but Pilgrim, you caused a lot of trouble this morning, might have got somebody killed…and somebody ought to belt you in the mouth. But I won’t, I won’t, the hell I won’t!” (“Não perdi a cabeça em 40 anos, mas Peregrino, tu causaste muitos problemas esta manhã, talvez tenhas colocado alguém em perigo… e alguém devia dar-te um soco na boca. Mas eu não o farei, não o farei, que raio, não o farei!”). 

Na Golegã, a história e o presente se dão as mãos. A feira mantém-se, mais do que uma atração, como um palco vivo da cultura e da memória rural portuguesa.

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