Quarta-feira, Outubro 27, 2021

João Salgueiro da Costa destacou-se no 120º aniversário da Palha Blanco

João Salgueiro da Costa destacou-se no 120º aniversário da Palha Blanco

João Salgueiro da Costa destacou-se no 120º aniversário da Palha Blanco, na noite desta quinta-feira, numa corrida que teve ainda boas actuações de Rui Salvador e Tristão Ribeiro Telles.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Rute Nunes e Carlos Pedroso

Vídeo: Infocul.pt

A sempre única e exigente Praça de Touros Palha Blanco engalanou-se para celebrar o 120º aniversário.

No dia 30 de Setembro de 1901 foi inaugurada, em Vila Franca de Xira, a Praça de Touros Palha Blanco. Como curiosidade, destaque-se o facto da sua edificação ter ocorrido num período recorde de 6 meses. O responsável desta edificação foi José Pereira Palha Blanco, tendo após a sua morte sido atribuído o seu nome à praça.

Antes desta, existiram outras três praças de touros no mesmo local, todas em madeira. O surgimento desta teve como objectivo fazer face às despesas do Asilo Creche, uma instituição que, aquando da peste da pneumónica, acolheu muitas crianças órfãs.

Posteriormente, a praça foi doada à Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca de Xira.

Assim, antes da corrida foi descerrada uma placa simbólica da efeméride do 120º aniversário.

A empresa Tauroleve preparou um verdadeiro acontecimento, engalanando toda a praça e executando um plano artístico que começou por ter um cortejo, na arena, com os campinos a transportarem a imagem de Nossa Senhora de Alcamé, ao som de Avé Maria, interpretado por Teresa Tapadas. Tudo à luz das velas, num momento intenso e bonito que juntou a Fé e o Fado. Seguidamente, a Banda do Ateneu Artístico Vilafranquense interpretou um pasodoble no centro da arena, tendo depois cantado os parabéns à Palha Blanco, em uníssono com o público presente.

O cartel foi de ‘postín‘ e contou com os cavaleiros Rui Salvador, Luís Rouxinol, Filipe Gonçalves, Francisco Palha, João Salgueiro da Costa e Tristão Ribeiro Telles, que prestou provas para cavaleiro praticante, e os Forcados Amadores de Vila Franca e Aposento da Moita, frente a um curro de touros da ganadaria Palha.

Rui Salvador está a fazer uma temporada deveras positiva. Em Vila Franca, esteve muito lidador, destacando-se na brega e por desenhar sortes de frente. Sortes essas muito bem desenhadas e melhor rematadas. Uma actuação de grande qualidade de um toureiro que está motivado e a tourear muito a gosto. E que automaticamente se torna um gosto para quem o vê. Bem, mestre Salvador.

Vasco Pereira, cabo dos Amadores de Vila Franca, concretizou a pega ao terceiro intento, perante um touro que complicou no momento da reunião.

Volta para cavaleiro e forcado. O primeiro ajuda teve também direito a volta.

Luís Rouxinol teve uma actuação muito exigente e ao mesmo tempo irregular. Um touro que se custou a arrancar, que dificultou o labor de Rouxinol e que obrigou o ginete a cometer erros que por norma não lhe são habituais. Pela positiva, o último curto, com sorte bem desenhada. A restante lide contou com alguns toques na montada e sem que as reuniões resultassem cingidas. Noite de muito trabalho, mas pouco brilho. Director não autorizou música durante a lide.

Leonardo Mathias, cabo do grupo do Aposento da Moita, concretizou ao primeiro intento numa excelente execução.

Volta autorizada apenas para o forcado.

Filipe Gonçalves teve por diante um touro a pedir contas e complicado. Actuação sem música, sem triunfo e muito complicada. Valeu pela resiliência e esforço do cavaleiro, que teve ainda alguns toques na montada e passagens em falso.

Guilherme Dotti, pelos Amadores de Vila Franca, concretizou a pega ao primeiro intento, aguentando bem a investida do touro.

Volta apenas para o forcado, acompanhado do primeiro ajuda.

Francisco Palha teve por diante um touro Palha a pedir contas e que se adiantava muito no momento da reunião. A primeira fase da lide de Palha teve alguns toques na montada, acabando mesmo por ser colhido com algum aparato. Regressou à arena e terminou em bom plano com um curto de excelente nota e ainda mais um curto numa reunião não tão cingida.

Martim Cosme Lopes, pelo Aposento da Moita, concretizou ao segundo intento.

Volta apenas para o forcado.

João Salgueiro da Costa colocou o público da Palha Blanco em alvoroço. Uma actuação de menos a mais, terminando em apoteose. Salgueiro da Costa tem uma aura de génio que o torna imprevisível e se a primeira parte da actuação foi pouco brilhante, tudo mudou depois com os último três ferros curtos. Sortes muito bem desenhadas, reuniões cingidas, rematando com vigor e o público de pé e completamente louco. Grande, Salgueiro da Costa!

João Matos, pelos Amadores de Vila Franca, numa excelente pega. Carregou bem a sorte, fechou-se bem e aguentou na cara do touro até o grupo se fechar.

Agradecimento no centro da arena e uma volta à praça (literalmente) para cavaleiro e forcado.

Tristão Ribeiro Telles teve uma actuação muito positiva. O jovem ginete foi muito acarinhado e incentivado pelo público Vilafranquense e foi crescendo ao longo da lide, com uma boa brega e sortes desenhadas com estética. Tristão tem sede de triunfo e ao mesmo tempo uma noção de concepção artística acima da sua idade. Um jovem para acompanhar de perto e a quem deve ser permitido errar, de forma a crescer (artisticamente) saudável e sem exagerada pressão.

Tiago Valério, do Aposento da Moita, concretizou ao terceiro intento.

O curro da ganadaria Palha saiu bem em apresentação, mas muito dissemelhante em comportamento e com a maioria a mostrar-se com muitas ‘teclas’ por tocar, provocando noite complicada aos ginetes.

A corrida foi dirigida por Ricardo Dias, assessorado por Jorge Moreira da Silva. José Henriques foi o cornetim.

Nota: ‘Volta’ traduz-se, actualmente, em agradecimento no centro da arena.

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