Las Ventas: ANGÉL TELLÉZ E A SUA GLÓRIA

A vigésima corrida da mais importante feria taurina do mundo encerrava em si uma enorme expectativa. Ainda que sem o diestro do momento, Emilio de Justo, que estava inicialmente anunciado, llenarón a Monumental de Madrid Diego Urdiales, Alejandro Talavante e Angel Tellez, que substituia o primeiro, com toiros de Victoriano del Río Cortés.

Angél Telléz e a sua Glória! Nesta tarde dava-se o encore da reputadíssima ganadaria de Victoriano del Río Cortés, de Madrid, e que era uma das suas maiores esperanças. E nos toureiros, em particular Talavante, também estavam depositadas outras tantas. Este toureiro, recentemente retornado de uma incompreensível interrupção da sua carreira, apostou fortemente neste San Isidro, em quatro tardes, para revelar-se e ganhar novamente. E assim Angél Telléz, uma promessa com méritos nesta feira, e que procurou nesta oportunidade alcançar o triunfo e ascender no escalafón. Por fim o primeiro de alternativa, Diego Urdiales, que voltava a Las Ventas dois dias depois de uma insipida corrida de Fuente Ymbro e na qual pouco pôde mostrar-se e à sua arte. E hoje tampouco.

O primeiro toiro revelou-se fraco nos primeiros momentos da lide. Caiu o bastante para que, na exigente praça de Madrid, tivesse visto o pano verde e fosse devolvido aos currais. O seu matador, Diego Urdiales, pouco ou nada conseguiu. A um toiro com pouca casta, pouca bravura, pouca humilhação e sem classe, só um valor e toreria desmesuradas teriam permitido algum triunfo. Matou à segunda. O seu segundo, com mais opções, não lhe deu nada. Esteve mais a gosto, mais com o toiro mas não o suficiente para redondear a faena e dela retirar algum proveito. Vinha pela segunda vez a Madrid e teve, por infortúnio, maus lotes em ambas. Além disso, sendo um toureiro da arte, que toureia com a cintura, sem se dobrar e com temple, requer sempre um toiro mais a seu gosto se não estiver tentado a provar-se pelo valor. E hoje não esteve.

Alejandro Talavante  volta ao ativo depois de duas temporadas sem lidar. Curiosamente sem quaisqueres molestias que a tal o obrigassem, que se saiba. O seu anuciado regresso, tão inesperado como a sua retirada, deu-lhe grandes mais-valias, o que evidencia a eventual e verdadeira razão da sua ausência. Ainda que esta atitude não agrade ao aficionado, é plena a sua conotação de figura e o seu poder nas bilheteiras. A praça estava cheia e a ele se deveu. A sua prestação, por sua vez, foi insuficiente. O seu primeiro toiro era semelhante ao anterior, de Urdiales, e pouco permitiu ao maestro de Badajoz. Este não deixou de bordar o toureio em algumas tandas, como só ele sabe. Entre trincherazos e desmaidos vistosos, com alguns pontos de rodillas, teve um toiro que foi a menos e não consentiu uma lide ligada. A estocada, total, não foi suficiente para granjear qualquer prémio. E ao seu segundo, com ainda menos opções e, diga-se, sem apresentação para Madrid, perdeu-se. Aliás, de certa forma, mostrou já não ser a figura que enamorou a afición. A faena, sem brilho, terminou com um pinchazo e com uma estocada caída. Não esteve poderoso, nem capaz. Se por isto se retirou não deveria ter regressado. Se ao regressar regride, melhor será que se despeça de vez.

O incógnito da tarde foi também o mais bem sucedido. Angél Telléz merecia estar presente nesta corrida, uma das mais importantes do ciclo isidril, depois da sua prestação na corrida de Arauz de Robles. Além do que provou até agora em San Isidro, também na Copa Chenel mostrou as suas capacidades ao lado do vencedor, Fernando Adrián. E novamente hoje. Esteve cumbre! No seu primeiro, de nome “Enamorado II”, cunhou uma enorme sorte de capote por chicuelinas, que findou com uma perfeita meia verónica, e fez uma das grandes faenas desta feria. O seu adversário, um toiro de nota, com tranco, casta e nobreza, ajudou-o e muito. Até ao colher o seu oponente, em plena faena de muleta, foi nobre, esperou e respeitou o herói caído. Nas varas arrancou-se de largo, com alegria e empurrou. Somente se lhe pode apontar a falta de prontitud, mas que o toureiro soube contrariar. E com temple, com naturalidade e com toreria. De destaque, mais que tudo, foram os seus naturais e a sua poderosa mão esquerda. No seu segundo, ultimo da uma corrida que foi exclusivamente sua, esteve ainda mais cumbre! Bravo e com classe, evidenciou as virtudes cardinais desta ganadaria. De nome “Viajero” e com o ferro de Toros de Cortés, foi o melhor toiro da tarde. O lote de Telléz foi, de resto, o único que permitiu algo e ele soube aproveitá-lo. Cruzou-se, esforçou-se e mereceu plenamente a sua porta grande. Se no primeiro levantou a Monumental de Las Ventas, na segunda la reventó. Cortou duas orelhas, uma no primeiro e outra no segundo, e saiu uma figura!

#Praça de Toiros de Madrid

20ª da Feria de San Isidro

Lotação esgotada.

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Toiros de Victoriano del Río Cortés

Bem apresentados, finos e bien armados

De comportamento insipido e a menos, exceto 3º e 6º, bravos.

⦁            Diego Urdiales | silêncio e silêncio

⦁            Alejandro Talavante | silêncio e silêncio

⦁            Angel Telléz | orelha e orelha

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