Luís Caeiro deslumbrou no Caixa Alfama 2025 e brindou o público com concerto inesquecível, na noite de ontem.
Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Nuno Almeida
Noite abençoada de Luís Caeiro
O Auditório da Abreu Advogados, intitulado de Palco Amália, no Caixa Alfama, recebeu, ontem, um inacreditável – de bom – concerto de Luís Caeiro.
O jovem alentejano esteve numa noite de inspiração que pareceu inesgotável. Tudo o que fez em palco e junto do público foi bem feito. O concerto roçou a perfeição!
Acompanhado por um quarteto de cordas – duas guitarras portuguesas, uma viola e um baixo – Luís Caeiro proporcionou a um auditório esgotado de público, um enorme e profundo concerto e que é – desde já – um dos melhores concertos da edição deste ano do festival.
Torna-se até muito difícil em palavras conseguir explicar o que Luís Caeiro fez nesta noite. Quiçá protegido por uma aura divina ou inspirado pela fortíssima história fadista e bairrista que abraça este festival, Luís Caeiro foi requintado e elegante naquilo que fez. Honrou o fado, os poetas, alguns nomes maiores do Fado (Fernanda Maria, Fernando Maurício, Alfredo Marceneiro e ainda uma referência à “tia” Lenita Gentil. Lembrou o seu – nosso – Alentejo e mostrou-se multilíngue ao interpretar ainda uma canção francesa e ainda outra em castelhano.
[Best_Wordpress_Gallery id=”8414″ gal_title=”Luís Caeiro-Caixa Alfama- 2025″]A Voz de Luís Caeiro ganhou coração
2025 está a ser um ano profissionalmente feliz para Luís Caeiro. Em Março, venceu a Grande Noite do Fado de Santa Maior Maior, na final realizada no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Ontem, brilhou com grande intensidade no Caixa Alfama. Que Luís Caeiro tem uma voz com muita qualidade, é sabido há alguns anos. Mas agora tem algo mais para dar. As suas interpretações têm coração, uma intensidade adaptada a cada momento. Uma força inexplicável na forma como se entrega ao público. E não são desmesurados elogios para o que fez ontem. Podem até ficar aquém daquilo que apresentou.
Uma viagem de intensidades e geografias diversas musicalmente
No alinhamento apostou em temas como ‘Foi Deus’, ‘Bailinho à portuguesa (Vai de roda agora)’, ‘Igreja de Santo Estêvão’, ‘L’Important c’est la rose’ (de Gilbert Bécaud), ‘Nem às paredes confesso’, ‘Lisboa à noite’, ‘Porompopero’, entre outros.
O concerto teria terminado com um malhão, mas o público quis mais e Luís Caeiro trouxe ‘Lírio roxo’, terminando à alentejana um espectáculo magistral e com o público de pé.
Destaque que em vários momentos, o fadista cantou acapella, dominando todos os momentos, nunca saíndo de compasso, de forma arrebatadora. Por fim, referir o momento ternurento com a filha em palco.
Esteve enorme Luís Caeiro e que venham palcos maiores. Que noite!
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