Segunda-feira, Outubro 25, 2021

Luís Miguel Pombeiro e a campanha da Protoiro: “A APET tinha de ouvir os seus associados”

 

Foto: Toureio.pt

Primeira polémica do ano, na tauromaquia.

A Protoiro, através da marca Touradas, decidiu lançar uma campanha online e ainda com um outdoor junto da Assembleia da República.

Quem não achou graça nenhuma à campanha, que visa o Primeiro-Ministro António Costa e André Silva do PAN, relativamente à idade dos menores nos espectáculos tauromáquicos, foi o empresário Luís Miguel Pombeiro.

O empresário que tem a seu cargo a gestão de várias praças de touros em Portugal, começou por nos dizer o que o leva a ter vontade em sair da APET (Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos): “Simples e concreto: os associados da APET não foram consultados sobre a imagem do cartaz em que envolvem a imagem do nosso Primeiro Ministro! Sem dúvida que a essência da campanha contra uma hipotética lei que proíbe os menores de assistirem a corridas de toiros tem lógica. Não são os Partidos que definem como educo os meus filhos. Aliás até a Constituição nos defende. Mas uma coisa é sermos contra essa Lei outra é utilizarmos a imagem de António Costa num cartaz sabendo de antemão que é líder de um Partido que na sua maioria defende as Corridas de Toiros. A maioria das praças de toiros estão em Municípios socialistas. Grande parte dos aficionados votam PS e como tal não gostam de ver achincalhada a imagem de António Costa. Por outro lado, se bem se lembra, António Costa disse que não era aficionado mas como democrata era contra todo o tipo de proibições”.

Pombeiro disse ainda que “contactei a APET e foi-me respondido que apoiam este tipo de campanha. Como não me revejo nela, a minha posição é de, na próxima Assembleia Geral, depois de expor as minhas razões e se as mesmas não tiverem eco, a única posição que me resta é sair pois não compactuo com esta situação”.

Sobre possíveis ameaças de não poder contratar toureiros, caso saia da APET, disse que “ninguém me ameaçou, apenas me comunicaram que havendo um “acordo” entre as associações que compõem a Protoiro (a APET, a ANGF ( Forcados), a dos Ganaderos e a ANDT dos Toureiros) em que apenas se toureia, se pega , se lida para os associados de cada uma destas associações poderiam vir a fazer um veto. Nem quero comentar isso porque leva a muito mais coisas…Penso que terá sido apenas um desabafo e que nada disso se passará até porque ainda vivemos num país democrático em que o livre associativismo existe e autoridade da concorrência. Ninguém me pode obrigar a pertencer ao que quer que seja. Mas também tenho vindo a receber os mais diversos apoios ao longo desta tarde”.

Não haverá proibição nenhuma! Poderá é ter de haver uma tomada de posição de muitos mais associados da APET. Quem manda na associação são os seus associados como em todas as outras que fazem parte da Protoiro”, disse ainda quando questionado se colocaria a hipótese de apenas contratar toureiros estrangeiros caso fosse proibido de contratar toureiros nacionais.

Sobre se a campanha faz sentido, disse-nos que “faz sentido a campanha de sensibilização para o que nos querem impor, mas nunca usando a imagem do Primeiro Ministro! As Corridas de Toiros são um espectáculo cultural popular e não populista e aquele cartaz é populista. Nós somos gente de cultura, de educação, talvez o espectáculo popular mais enraizado em Portugal, no povo, como dizia o Jerónimo de Sousa. Por isso não se pode impor aos pais a educação que devem dar aos filhos. Mas não podemos dar o flanco em acções que pretendem ser concertadas mas são desconcertantes. Tive o cuidado de falar com quem devia antes de reagir. Mas não podia, não posso e nunca ficarei calado quando há acções ou intervenções com as quais não concordo. E digo isto à vontade porque a Protoiro de mim não tem razão de queixa alguma”.

A decisão da APET em apoiar a Protoiro nesta campanha partiu do presidente Ricardo Levesinho. Esta mesma situação é confirmada por Pombeiro: “sim, o seu Presidente teve a hombridade e a frontalidade de me dizer que apoiou esta campanha. E daí eu dizer que saio se a maioria dos associados da APET apoiar esta decisão. Há campanhas e decisões que têm de ser partilhadas e têm de ser decididas por maioria. Esta é uma delas! Dentro da APET, há gente que vota PS e votam noutros partidos. Todos devem ser respeitados. E não o foram…Não nos foi pedida qualquer opinião. E hoje percebi que muitos dos sócios estão contra esta utilização da imagem do Primeiro-Ministro”.

Sobre os resultados desta campanha, para o sector tauromáquico, disse que “esperemos que não seja o contrário do que pretenderam… Como vão reagir os Presidentes dos Municípios Taurinos na sua maioria socialistas? Como vão reagir os aficionados que votam PS? Como vão reagir os Forcados, Ganadeiros e Toureiros? O futuro o dirá. A minha primeira reacção foi: retirem o cartaz. Mas visto que foi uma posição conciliada, apenas tenho de dizer o que penso e tomar as atitudes que estão de acordo com a minha consciência! Não ando a investir na defesa da Tauromaquia para que de um dia para o outro volte à estaca zero ou pior ainda. Se hoje vivemos em democracia, devemo-lo em grande parte ao PS . E a Tauromaquia não é de Partidos. Temos de ser políticos, mas apartidários quando se trata da defesa da Tauromaquia. Temos de agir e todos concordamos com isso. Mas agir com categoria, com estratégia, com o saber ouvir as opiniões de todos. Não podem 4 pessoas (na Protoiro) decidir por todos os outros. E é por isso que questiono a APET e a minha continuidade dentro dessa associação. Numa situação destas a APET tinha de ouvir os seus associados”.

Luís Miguel Pombeiro disse-nos ainda que vários empresários, toureiros, ganadeiros e aficionados mostraram-se também contra esta campanha.

A campanha em causa pode consultar AQUI, bem como ler as declarações que Helder Milheiro nos concedeu sobre a mesma.

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