Moita: Juanito vence mano-a-mano com Cuqui

Moita: Juanito vence mano-a-mano com Cuqui

Moita: Juanito vence mano-a-mano com Cuqui, numa corrida inteiramente dedicada ao toureio a pé.

Está quarta-feira, 15 de Setembro, a Praça de Touros Daniel do Nascimento, na Moita, recebeu a sua segunda corrida de touros da Feira Taurina.

Um cartel aliciante, com o mano-a-mano entre os matadores portugueses Joaquim Ribeiro ‘Cuqui’ e João Silva ‘Juanito’, frente a touros das ganadarias de Oliveira Irmãos, Ascensão Vaz e Núñez de Tarifa.

Após as cortesias, foram entregues os prémios relativos à temporada passada, aos triunfadores da Praça de Touros Daniel do Nascimento

Cuqui abriu praça frente a um touro de Núnez de Tarifa, com 515 Kg. Recebeu de joelhos em terra e com larga afarolada. No capote conseguiu sacar verónicas com profundidade, tendo depois Juanito saído ao quite. Nas bandarilhas, destacou-se Tiago Santos, com Miguel Baptista a não estar bem. Na muleta, a faena foi de mais a menos, com o touro a seguir a mesma bitola. Enquanto teve touro, Cuqui soube posicionar-se e emocionar-nos com uma técnica, uma suavidade e uma profundidade dignas de registo. Destaque a duas séries, pelo pitón direito, pela qualidade que imprimiu nelas.

Um touro com 510 Kg, de Oliveira Irmãos, foi o que calhou em sorte a Juanito para a sua primeira actuação. O jovem matador respondeu bem à actuação do seu colega. Recebeu bem por verónicas, com Cuqui a sair ao quite por chicuelinas. Nas bandarilhas, muito irregular a performance dos seus subalternos. Na muleta, Juanito voltou a estar muito, mas muito bem. Faena em crescendo por ambos os pitons, destacando-se uma série pela direita, rematada com mudança de mãos e passe de peito. Juanito com mando, temple e arte, frente a um touro com investida brusca e que obrigou João a ser muito, muito paciente.

O segundo touro da ganadaria de Oliveira Irmãos foi o terceiro da noite, sendo lidado por Cuqui. É que bem esteve Cuqui. No capote, esteve pouco expressivo. Nas bandarilhas sobressaiu Cláudio Miguel, com dois excelentes pares. Na muleta, Cuqui abriu o livro, com prolongadas, profundas e séries por ambos os pitons, rematadas depois com passes de peito. Cuqui esteve absolutamente extraordinário, esteticamente impactante e poderoso. De verdadeiro luxo, com toureio caro. Uma actuação brindada a Luís Vital Procuna.

Juanito esteve poderoso, indomável e com uma força que parece inesgotável. Frente a um bom touro, Juanito destacou-se na muleta com toureio de elevado quilate, arriscando tudo (tanto que sofreu uma colhida aparatosa). Um momento de muita tensão em que o touro o lançou ao ar, investindo, posteriormente, já com o toureiro na arena. Juanito ainda terminou a actuação, com raça e pundonor toureiro, mas no final -ainda deu volta à arena- foi para a enfermaria.

Cuqui enfrentou um touro de Ascensão Vaz, o pior touro da corrida, manso, sempre à espreita para agarrar o matador. Coube ao diestro, colocar a paciência e a resiliência, mas nem assim foi possível fazer algo com a muleta. No capote iniciou bem a sua actuação, conquistando o difícil público da Moita. No tércio de bandarilhas, os bandarilheiros não estiveram bem, contudo ‘desmonteraram-se‘, quer Jorge Alegrias, quer Miguel Baptista.

Juanito fechou as actuações, com uma lide plena de raça, de querer, de desmedida ambição de triunfo. Visivelmente limitado, Juanito colocou tudo o que era possível e a verdade é que conseguiu uma actuação redonda, quer em capote, quer na muleta. Na muleta, com séries por ambos os lados, desplantes vários e um coração que parecia tudo aguentar. E aguentou! Triunfo grande de Juanito na Moita.

Uma noite que contou com uma assistência muito aquém do que seria desejável, mas em que Juanito agigantou-se e triunfou forte. Cuqui é um matador com fino recorte técnico e uma estética toureira de muitos quilates, porém a chama de Juanito foi muito mais intensa.

Os touros das 3 ganadarias permitiram, no geral, boas actuações aos toureiros, sendo que pela negativa destaca-se o quinto touro da corrida, que calhou em sorte a Cuqui.

Corrida dirigida por Tiago Tavares, assessorado por Carlos Silva. José Henriques foi o cornetim de serviço.

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