Oferta de casas para venda caiu 8,6% em Portugal e há concelhos com quebras acima de 60%, refere a Imovirtual.
A oferta de imóveis para venda em Portugal recuou 8,6% entre fevereiro e abril de 2026, face ao mesmo período do ano anterior.
Segundo dados divulgados pelo Imovirtual, em comunicado, desapareceram mais de 17 mil imóveis do mercado de venda, entre apartamentos e moradias.
A quebra atingiu 195 dos 309 concelhos portugueses, ou seja, 63% do território analisado.
Menos casas disponíveis aumenta pressão sobre compradores
De acordo com o comunicado, a redução da oferta está a tornar mais difícil encontrar casa em várias zonas do país.
A pressão não se limita aos grandes centros urbanos. Também cidades médias, zonas periféricas e territórios de menor dimensão estão a sentir o impacto da escassez.
Assim, compradores e arrendatários são empurrados para decisões mais rápidas, num mercado onde a procura continua elevada.
Horta, São Brás de Alportel e Faro entre os concelhos mais afetados
Os dados do Imovirtual mostram que alguns concelhos registaram quebras muito acentuadas na oferta de casas para venda.
Na Horta, nos Açores, a descida foi de 68,6%. O concelho passou de 51 imóveis disponíveis para apenas 16.
Já São Brás de Alportel, no Algarve, perdeu 55,7% da oferta, descendo de 413 para 183 imóveis.
Também Fronteira, no Alentejo, registou uma queda expressiva, com menos 53,2%.
Além disso, o comunicado aponta recuos relevantes em Faro, com menos 47%, Olhão, com menos 43,1%, Lagoa, com menos 39,4%, e Espinho, com menos 36,8%.
Algarve sente competição acrescida
O Algarve surge em destaque nos dados divulgados, com vários concelhos a perderem oferta disponível para venda.
Segundo o comunicado, a região evidencia uma competição acrescida num mercado já muito disputado pela procura turística e internacional.
Esta redução de imóveis disponíveis pode agravar a pressão sobre quem procura comprar casa, sobretudo em zonas onde a procura continua forte.
Arrendamento cresce no país, mas cai em 96 concelhos
No arrendamento, o cenário nacional parece diferente à primeira vista. A oferta cresceu 17,5% em Portugal.
No entanto, o Imovirtual alerta, em comunicado, para desigualdades relevantes entre concelhos.
Dos 254 concelhos analisados no arrendamento, 96 registaram quebras na oferta. Este valor representa 38% do total.
Entre as maiores descidas estão Penela, com menos 70%, Celorico de Basto, com menos 54,5%, e Marinha Grande, com menos 42,9%.
Também Santo Tirso caiu 41,9%, Sines recuou 38,2%, Santa Maria da Feira perdeu 27,6%, Barcelos desceu 24,6% e Torres Vedras caiu 24,3%.
Interior com oferta quase inexistente em algumas zonas
O comunicado destaca ainda a situação dos territórios do interior, nomeadamente no Alentejo, Beiras e Trás-os-Montes.
Nestas regiões, a combinação entre baixo volume de imóveis e quebras expressivas aponta para zonas onde a habitação disponível é praticamente inexistente.
Ou seja, mesmo com crescimento nacional no arrendamento, há concelhos onde encontrar casa continua a ser uma tarefa difícil.
Imovirtual alerta para mercado “heterogéneo”
Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, sublinha que os dados mostram realidades muito diferentes dentro do país.
“Em alguns concelhos, a oferta de imóveis para venda está a diminuir de forma significativa, o que reduz opções e aumenta a pressão sobre os compradores. Ao mesmo tempo, o arrendamento nacional apresenta crescimento concentrado nas grandes cidades. Nos concelhos mais pequenos do país, a oferta caiu entre 40 a 70%. Estes contrastes mostram que o mercado continua heterogéneo e exigem atenção redobrada de quem procura casa, seja para compra ou arrendamento”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
Num contexto de procura elevada, a redução da oferta disponível surge como um dos principais fatores de pressão sobre a habitação em Portugal.
FOTO: Imovirtual

