Pedro Chagas Freitas: “A adultice não é sabedoria; é o resultado de anos a suprimir perguntas”, considerou o escritor.
O escritor Pedro Chagas Freitas lançou recentemente o seu mais recente livro, já disponível nas grandes superfícies. Nas redes sociais, o autor partilhou um trecho impactante da obra, que promete desafiar a forma como olhamos para a vida adulta.
Com palavras fortes, Pedro reflete sobre a maneira como somos ensinados a viver: “A vida não é uma coisa para ser levada a sério; é uma coisa para ser levada ao colo. Fomos ensinados a levá-la como quem carrega um armário antigo pelas escadas: aos solavancos, com a respiração presa, a coluna torta. É uma doença sorrateira, uma pandemia de almas pesadas. É a mrd da adultice.”
Além disso, o autor confessa a sua própria experiência: “Eu também a apanhei. Fui um adulto a tempo inteiro, sem pausas, sem falhas visíveis. Tive pastas com documentos importantes, listas de tarefas plastificadas. Já julguei quem se ria alto em público, já desconfiei dos que dançavam sozinhos, já me orgulhei da minha compostura. Que miséria. A adultice não é sabedoria; é o resultado de anos a suprimir perguntas.”
Por fim, Pedro Chagas Freitas faz um apelo emocional e urgente: “Ensinar uma criança a comportar-se como um adulto devia ser crime. É amputar uma parte divina: a que salta, a que improvisa, a que inventa um planeta com três cores. Transformamos crianças em gestores de frustrações alheias. Chamamos-lhes maduros; mas só queremos apenas que não nos incomodem com a leveza que perdemos. É urgente acriançar o mundo. A vida não é uma coisa para ser levada a sério; é uma coisa para ser levada ao colo.”
