Pedro Chagas Freitas arrasa o “lambebotismo”: “A mediocridade disfarça-se bem quando se veste de obediência”, disse.
Pedro Chagas Freitas voltou às redes sociais com uma reflexão incisiva sobre aquilo a que chama de “lambebotismo”. O escritor assumiu nunca ter aprendido a agradar por conveniência e deixou críticas à submissão, à necessidade de aceitação e à facilidade com que, na sua perspetiva, a obediência pode ser confundida com mérito.
A publicação começa, precisamente, com uma declaração que dá o tom ao restante texto: “Nunca fui bom aluno a lambebotismo. Chumbei com estrondo. Nunca aprendi a arte de dizer o que querem ouvir, de elogiar sem acreditar, de sorrir sem saber porquê, de dobrar a coluna para ser colunável.”
“Os melhores não são os que sabem mais”
Pedro Chagas Freitas prossegue a reflexão contrapondo aquilo que aprendeu na escola a uma capacidade que diz nunca ter adquirido e que considera particularmente valorizada.
“A escola ensinou-me muitas coisas úteis, muitas coisas inúteis; não me conseguiu ensinar essa. O problema é que é essa a mais rentável de todas.”
Depois, deixa uma das frases mais fortes da publicação: “Os melhores não são os que sabem mais; são os que sabem agradar mais.”
A crítica torna-se ainda mais direta quando o escritor aborda a obediência e aquilo que entende ser a pressão para aceitar sem questionar.
“A mediocridade disfarça-se bem quando se veste de obediência. Ser um bom aluno, um bom funcionário, uma pessoa aceite, significa muitas vezes ser um bom submisso. Aplaudir antes de entender, fingir respeito, aceitar sem questionar, fechar os olhos à injustiça, ser indiferente perante as bestas. Nunca aprendi a fazer isso bem. Falhei com distinção. Cansa.”
Pedro Chagas Freitas: “O mundo pertence a quem se curva na altura certa”
No final, Pedro Chagas Freitas resume a reflexão numa ideia sobre quem se adapta às conveniências e quem prefere permanecer de fora.
“O mundo pertence a quem se curva na altura certa. Os outros ficam de fora, a observar. A tentar não se arrepender disso.”
A publicação surge associada a Benjamim e os dias cheios de nada, novo trabalho do escritor, e é acompanhada por uma imagem onde se lê precisamente a frase “Chumbei a lambebotismo.”
Veja a publicação AQUI.
