Pedro Chagas Freitas emociona ao falar da mulher que lhe ensinou o que é viver, a sua avó, nas redes sociais.
Uma mulher que não pediu chão liso
Pedro Chagas Freitas voltou a comover os seus seguidores com um texto partilhado nas redes sociais. Desta vez, o escritor falou sobre a avó — uma figura que, pelas suas palavras, é sinónimo de força, autenticidade e liberdade.
Desde o início, o tom da publicação é marcado por admiração.
“A minha avó é mais jovem do que eu. Mais indisciplinada, mais resistente à domesticação do tempo.”
Enquanto ele se esconde na rotina, a avó vai. Vai por onde for preciso, sem queixas nem pedidos.
“Quem alisa demais o chão escorrega”
A avó, diz Pedro, não quis que lhe facilitassem o caminho. Mesmo depois de uma queda, respondeu com humor e sabedoria:
“Quem alisa demais o chão escorrega”, contou-lhe, a rir.
É esta postura que define a mulher que, apesar das perdas — “Irmãos, pais, tios, marido, um filho” — escolheu continuar. Sem palavras, mas com um sorriso.
“Não é um sorriso de quem esquece; é um sorriso de quem escolheu continuar.”
Vive inteira, mesmo com o peso das cicatrizes
A avó de Pedro não precisa de grandes gestos nem de reconhecimento público. Basta-lhe o essencial.
“Quer chá quente, um cobertor, o espaço do seu sofá, a certeza de que morrerá na sua casa como viveu nela: inteira, teimosa, imperfeita.”
Mesmo com medo, ela avança. E é esse medo — diferente de quem paralisa — que guia os seus passos.
“O medo como bússola; o medo como estratégia de sobrevivência.”
Um exemplo que ainda tenta alcançar
No fim do texto, o escritor assume que tenta, mas nem sempre consegue seguir o exemplo da avó.
“Há heranças que não se podem herdar; apenas imitar.”
Revela que, muitas vezes, ela já estaria a enfrentar o dia com força quando ele ainda tenta levantar-se.
“A minha avó já teria ido à horta, limpado as lágrimas, feito café, chamado o medo pelo nome.”
E conclui com humildade e ternura:
“Tento. Às vezes, por breves instantes, consigo. Nesses instantes, sou quase digno dela.”
