Pedro Chagas Freitas exalta Vozinha e Cristiano Ronaldo e chama-lhes símbolos do “Mundial dos quarentões”

Pedro Chagas Freitas exalta Vozinha e Cristiano Ronaldo e chama-lhes símbolos do “Mundial dos quarentões”, referiu.

Pedro Chagas Freitas recorreu às redes sociais para escrever uma reflexão sobre idade, resistência e talento, tendo como ponto de partida dois nomes fortes do Mundial: Vozinha e Cristiano Ronaldo.

Na publicação, o escritor olhou para os 40 anos como uma fase de lucidez, resistência e liberdade. Depois, ligou essa ideia ao guarda-redes de Cabo Verde e ao capitão da Seleção Nacional.

Para Pedro Chagas Freitas, ambos representam uma geração que recusa ser definida pelo tempo.

A idade como lugar de lucidez

Na publicação partilhada nas redes sociais, Pedro Chagas Freitas começou por afastar a ideia de juventude como valor absoluto.

O escritor confessou que escolheria os 40 anos como idade para viver até ao fim dos seus dias.

“Se eu pudesse escolher uma idade para ter até ao último dos meus dias, seria quarenta anos. Não ligo muito à juventude: é uma coisa que passa com a idade. E é sobretudo uma campanha de marketing montada pelas hormonas.”

Depois, reforçou a diferença entre as várias fases da vida.

“Aos vinte acreditamos no futuro; aos trinta acreditamos em nós. Aos quarenta já não acreditamos em nada. É aí que começamos a ver melhor.”

A reflexão serviu de entrada para uma leitura mais ampla sobre o Mundial e sobre quem ainda compete no topo depois dos 40.

Vozinha e Ronaldo contra o “prazo de validade”

Pedro Chagas Freitas destacou Vozinha, guarda-redes de Cabo Verde, e Cristiano Ronaldo como exemplos de resistência.

Na visão do escritor, os dois desafiam a lógica habitual do futebol, onde a idade costuma ser vista como limite.

“Vozinha, guarda-redes de Cabo Verde: quarenta anos; Cristiano Ronaldo, craque eterno: quarenta e um anos. Dois seres humanos que recusam obedecer ao prazo de validade: um voa entre postes; o outro continua a perseguir golos com a fome de um lobo sanguinário.”

A comparação colocou lado a lado dois percursos distintos, mas unidos pela permanência competitiva.

Pedro Chagas Freitas acrescentou ainda uma leitura sobre experiência e inteligência de jogo.

“Os jovens correm, saltam, mais; eles sabem para onde correr, para onde saltar.”

“Este pode muito bem ser o Mundial dos quarentões”

A partir de Vozinha e Cristiano Ronaldo, o escritor assumiu o desejo de ver este Mundial marcado pelos jogadores mais experientes.

“Este pode muito bem ser o Mundial dos quarentões. Eu quero que seja. Eu pertenço a essa tribo estranha.”

Depois, Pedro Chagas Freitas usou o humor para descrever a vida depois dos 40.

“Nós sabemos que a vida consiste em acordar todos os dias com dores novas. E continuamos, e damos cabo delas, pelo menos antes de as costas nos impedirem de levantar como deve ser.”

A frase reforça o tom da publicação: íntimo, irónico e ao mesmo tempo admirativo.

“Os quarenta são os novos ‘o que eu bem quiser ser’”

Na mesma reflexão, o escritor defendeu que a idade pode trazer uma liberdade que a juventude não tem.

“Os quarenta são os novos “o que eu bem quiser ser”.”

Pedro Chagas Freitas lembrou que, nesta fase, já não existe a mesma necessidade de provar valor.

“Já não temos de provar nada. Uns têm cabelo branco, outros não têm cabelo, outros têm joelhos que protestam nas escadas, outros são como estes dois na imagem e venderam a alma a um diabo qualquer.”

Depois, deixou uma frase que resume o tom do texto.

“Todos sabemos que sobreviver é uma forma de talento.”

Menos estrada, mais vista

Pedro Chagas Freitas também falou da passagem do tempo a partir de uma imagem serena.

“Estou mais perto dos cinquenta do que dos trinta. Olho para a frente como quem contempla uma paisagem. Há menos estrada; há muito mais vista. É lindo, pá. Os quarenta dão-nos perspectiva.”

A partir daí, a idade deixa de surgir como perda e passa a ser apresentada como conquista.

Para o escritor, não se trata de vencer o tempo, mas de aprender a jogar com ele.

“Sempre que acordamos, já estamos a ganhar. Não derrotamos os anos; isso é coisa de jovem. Nós obrigámos os anos a jogar connosco.”

Agradecimento a Vozinha e Cristiano

No final da publicação, Pedro Chagas Freitas fechou a reflexão com duas dedicatórias simples.

“Obrigado, Vozinha.”

“Obrigado, Cristiano.”

Com esta mensagem, o escritor transformou a presença dos dois jogadores no Mundial numa espécie de elogio à maturidade.

Mais do que futebol, a publicação fala de resistência, lucidez e da capacidade de continuar a competir quando muitos já decretaram o fim.

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