Pedro Chagas Freitas fala de amor, dor do filho e “mandaràmerdismo”: “Não fiques onde te toleram; fica onde te amam”

Pedro Chagas Freitas fala de amor, dor do filho e “mandaràmerdismo”: “Não fiques onde te toleram; fica onde te amam”, assinalou.

Pedro Chagas Freitas voltou a recorrer às redes sociais para partilhar textos de forte carga emocional. O escritor abordou o amor, a doença do filho Benjamim e uma forma muito própria de proteger a saúde mental: o “mandaràmerdismo”.

As três publicações cruzam vulnerabilidade, gratidão, limites e sobrevivência. Além disso, revelam um Pedro Chagas Freitas dividido entre a dureza da experiência familiar e a necessidade de escolher melhor onde gastar energia.

O amor não é tolerância

Num dos textos publicados nas redes sociais, Pedro Chagas Freitas começa por separar dois lugares emocionais: o da tolerância e o do amor. Para o escritor, permanecer onde se é apenas aceite é diferente de estar onde se é verdadeiramente amado.

A frase de entrada marca o tom da reflexão: 𝗡ã𝗼 𝗳𝗶𝗾𝘂𝗲𝘀 𝗼𝗻𝗱𝗲 𝘁𝗲 𝘁𝗼𝗹𝗲𝗿𝗮𝗺; 𝗳𝗶𝗰𝗮 𝗼𝗻𝗱𝗲 𝘁𝗲 𝗮𝗺𝗮𝗺.

Depois, Pedro Chagas Freitas endurece a crítica à forma como a tolerância pode ser confundida com afeto. O autor escreve que 𝗔 𝘁𝗼𝗹𝗲𝗿â𝗻𝗰𝗶𝗮 𝘁𝗼𝗿𝗻𝗼𝘂-𝘀𝗲 𝗺𝗼𝗱𝗮: é 𝗮 𝗺𝗲𝗻𝘁𝗶𝗿𝗮 𝗰𝗶𝘃𝗶𝗹𝗶𝘇𝗮𝗱𝗮 𝗲𝗺 𝗾𝘂𝗲 𝘁𝗼𝗱𝗼𝘀 𝗾𝘂𝗲𝗿𝗲𝗺 𝗮𝗰𝗿𝗲𝗱𝗶𝘁𝗮𝗿.

Assim, o escritor afasta o amor das aparências e das validações fáceis. Segundo o próprio, 𝗢 𝗮𝗺𝗼𝗿 𝗿𝗲𝗮𝗹 𝗻ã𝗼 é 𝗲𝘀𝘀𝗮 𝘀𝗲𝗻𝘀𝗮çã𝗼 𝗲𝘀𝗳𝗮𝗿𝗿𝗮𝗽𝗮𝗱𝗮 𝗱𝗲 𝗿𝗲𝗰𝗼𝗻𝗵𝗲𝗰𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝘁𝗲 𝗼𝗳𝗲𝗿𝗲𝗰𝗲𝗺 𝗻𝗮𝘀 𝗿𝗲𝗱𝗲𝘀 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮𝗶𝘀, 𝗻𝗲𝗺 𝗮𝘀 𝗽𝗮𝗹𝗮𝘃𝗿𝗮𝘀 𝗱𝗼𝗰𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗾𝘂𝗲𝗺 𝗻𝘂𝗻𝗰𝗮 𝘁𝗲 𝗼𝗹𝗵𝗼𝘂 𝗻𝗼𝘀 𝗼𝗹𝗵𝗼𝘀.

Ser amado é sair da sombra

A reflexão avança para uma ideia de movimento. Onde existe apenas tolerância, Pedro Chagas Freitas vê apagamento. Onde existe amor, vê vida.

O escritor resume essa diferença ao afirmar: 𝗢𝗻𝗱𝗲 𝘁𝗲 𝘁𝗼𝗹𝗲𝗿𝗮𝗺 𝗽𝗲𝗿𝗺𝗮𝗻𝗲𝗰𝗲𝗿á𝘀 𝘂𝗺𝗮 𝘀𝗼𝗺𝗯𝗿𝗮: 𝘂𝗺𝗮 𝗮𝘂𝘀ê𝗻𝗰𝗶𝗮. 𝗢𝗻𝗱𝗲 𝘁𝗲 𝗮𝗺𝗮𝗺 𝘀𝗲𝗿á𝘀 𝘂𝗺𝗮 𝘃𝗶𝗱𝗮 𝗲𝗺 𝗺𝗼𝘃𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼.

Além disso, o autor liga o amor à coragem de se mostrar frágil. Nas suas palavras, 𝗢 𝗮𝗺𝗼𝗿 𝗲𝘅𝗶𝗴𝗲 𝗮 𝗰𝗼𝗿𝗮𝗴𝗲𝗺 𝗱𝗮 𝘃𝘂𝗹𝗻𝗲𝗿𝗮𝗯𝗶𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲. 𝗦𝗲𝗿 𝘃𝘂𝗹𝗻𝗲𝗿á𝘃𝗲𝗹 é 𝘂𝗺 𝗮𝗰𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝗮𝗺𝗼𝗿 𝗰𝗼𝗺 𝗰𝗼𝗿𝗮𝗴𝗲𝗺, 𝘀𝗲𝗺 𝗺𝗲𝗿𝗱𝗮𝘀.

Por fim, Pedro Chagas Freitas deixa o apelo mais direto: 𝗔 𝘁𝗼𝗹𝗲𝗿â𝗻𝗰𝗶𝗮 é 𝗽𝗮𝘀𝘀𝗶𝘃𝗮; 𝗼 𝗮𝗺𝗼𝗿 é 𝗮 𝗳𝗼𝗿ç𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝘁𝗲 𝗺𝗼𝘃𝗲. 𝗠𝗲𝘅𝗲-𝘁𝗲, 𝘃á.

Benjamim, o hospital e a vida suspensa

Noutra publicação, o tom muda. Pedro Chagas Freitas recorda o internamento do filho Benjamim, há dois anos, e regressa a uma fase em que a vida familiar ficou reduzida ao hospital.

O escritor começa por situar o impacto daquele momento: 𝗛á 𝗱𝗼𝗶𝘀 𝗮𝗻𝗼𝘀, 𝗼 𝗕𝗲𝗻𝗷𝗮𝗺𝗶𝗺 𝗳𝗼𝗶 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗻𝗮𝗱𝗼. 𝗔 𝗶𝗻𝗳â𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗱𝗲𝗹𝗲 𝗳𝗼𝗶 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗿𝗼𝗺𝗽𝗶𝗱𝗮 𝗽𝗼𝗿 𝗮𝗹𝗮𝗿𝗺𝗲𝘀, 𝘁𝘂𝗯𝗼𝘀, 𝗽𝗮𝗹𝗮𝘃𝗿𝗮𝘀 𝘀𝘂𝘀𝘀𝘂𝗿𝗿𝗮𝗱𝗮𝘀 𝗲𝗺 𝗰𝗼𝗿𝗿𝗲𝗱𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗳𝗿𝗶𝗼𝘀, 𝗺𝗲𝗱𝗼𝘀 𝗲𝘀𝗰𝗼𝗻𝗱𝗶𝗱𝗼𝘀.

Depois, transforma a experiência numa imagem de encolhimento. A família deixou de caber no quotidiano normal e passou a caber num quarto clínico. Como escreve, 𝗔 𝗻𝗼𝘀𝘀𝗮 𝘃𝗶𝗱𝗮 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗲𝗻𝗰𝗼𝗹𝗵𝗲𝘂 𝗮𝘁é 𝗰𝗮𝗯𝗲𝗿 𝗻𝘂𝗺𝗮 𝗰𝗮𝗺𝗮 𝗱𝗲 𝗵𝗼𝘀𝗽𝗶𝘁𝗮𝗹, 𝗻𝘂𝗺 𝗺𝗼𝗻𝗶𝘁𝗼𝗿 𝗰𝗼𝗺 𝗻ú𝗺𝗲𝗿𝗼𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝘁𝗿𝗲𝗺𝗶𝗮𝗺.

“O inferno é ver o teu filho sem força para sorrir”

A partir daí, Pedro Chagas Freitas descreve a dor de um pai perante a fragilidade do filho. A publicação afasta a frase conhecida de Jean-Paul Sartre e recentra o inferno na doença de uma criança.

O escritor afirma: 𝗢 𝗶𝗻𝗳𝗲𝗿𝗻𝗼 𝗻ã𝗼 𝘀ã𝗼 𝗼𝘀 𝗼𝘂𝘁𝗿𝗼𝘀.

Logo depois, explica o que significou esse inferno: 𝗢 𝗶𝗻𝗳𝗲𝗿𝗻𝗼 é 𝘃𝗲𝗿 𝗼 𝘁𝗲𝘂 𝗳𝗶𝗹𝗵𝗼 𝘀𝗲𝗺 𝗳𝗼𝗿ç𝗮 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝘀𝗼𝗿𝗿𝗶𝗿. É 𝗺𝗲𝗱𝗶𝗿 𝗮 𝗲𝘀𝗽𝗲𝗿𝗮𝗻ç𝗮 𝗲𝗺 𝗺𝗶𝗹𝗶𝗹𝗶𝘁𝗿𝗼𝘀. É 𝗮𝗽𝗿𝗲𝗻𝗱𝗲𝗿 𝗮 𝗱𝗶𝗳𝗲𝗿𝗲𝗻ç𝗮 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗲 𝘂𝗺 𝟵𝟱 𝗲 𝘂𝗺 𝟵𝟰 𝗻𝗮 𝗼𝘅𝗶𝗺𝗲𝘁𝗿𝗶𝗮.

Além disso, o texto entra nos detalhes que ficam gravados em quem acompanha uma doença de perto. O escritor fala de agulhas, exames, médicos, turnos de enfermagem e culpa.

Nesse retrato, diz que o inferno é também 𝘃𝗲𝗿 𝗼 𝘁𝗲𝘂 𝗳𝗶𝗹𝗵𝗼 𝘁𝗲𝗻𝘁𝗮𝗿 𝗿𝗶𝗿 𝗺𝗮𝘀 𝗻ã𝗼 𝘁𝗲𝗿 𝗳𝗼𝗿ç𝗮 𝗻𝗼𝘀 𝗺ú𝘀𝗰𝘂𝗹𝗼𝘀 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗼 𝗳𝗮𝘇𝗲𝗿.

O transplante e as treze horas de espera

O momento mais duro da publicação surge quando Pedro Chagas Freitas recorda a palavra “transplante”. Para o escritor, essa palavra chegou com violência e mudou tudo.

A imagem usada é brutal: 𝗔 𝗽𝗮𝗹𝗮𝘃𝗿𝗮 “𝘁𝗿𝗮𝗻𝘀𝗽𝗹𝗮𝗻𝘁𝗲” 𝗰𝗵𝗲𝗴𝗼𝘂 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗰𝗵𝗲𝗴𝗮𝗺 𝗼𝘀 𝘁𝗶𝗿𝗼𝘀.

Depois vieram decisões, exames e uma espera que o autor descreve como quase insuportável: 𝗧𝗿𝗲𝘇𝗲 𝗵𝗼𝗿𝗮𝘀 𝗲𝗺 𝗾𝘂𝗲 𝗼 𝘁𝗲𝗺𝗽𝗼 𝗳𝗼𝗶 𝘂𝗺𝗮 𝘀𝘂𝘀𝗽𝗲𝗻𝘀ã𝗼, 𝘂𝗺𝗮 𝗰𝗿𝘂𝗰𝗶𝗳𝗶𝗰𝗮çã𝗼 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗻𝗮. 𝗨𝗺 𝗰𝗼𝗺𝗮 𝗲𝗺𝗼𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹.

Mesmo a alegria, quando chegou, não aparece no texto como festa. Surge antes como alívio ferido. Pedro Chagas Freitas escreve: 𝗔 𝗮𝗹𝗲𝗴𝗿𝗶𝗮, 𝗾𝘂𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗰𝗵𝗲𝗴𝗼𝘂, 𝘃𝗲𝗶𝗼 𝗲𝘅𝗮𝘂𝘀𝘁𝗮, 𝗳𝗲𝗿𝗶𝗱𝗮.

E acrescenta: 𝗡ã𝗼 𝘀𝗲 𝗰𝗲𝗹𝗲𝗯𝗿𝗮 𝘂𝗺 𝘁𝗿𝗮𝗻𝘀𝗽𝗹𝗮𝗻𝘁𝗲 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝘀𝗲 𝗰𝗲𝗹𝗲𝗯𝗿𝗮 𝘂𝗺𝗮 𝘃𝗶𝘁ó𝗿𝗶𝗮. 𝗖𝗲𝗹𝗲𝗯𝗿𝗮-𝘀𝗲 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝘀𝗲 𝗳𝗮𝘇 𝘂𝗺𝗮 𝗰𝗮𝗿í𝗰𝗶𝗮 𝗮𝗼 𝗺𝗶𝗹𝗮𝗴𝗿𝗲: 𝗰𝗼𝗺 𝗰𝘂𝗹𝗽𝗮, 𝗰𝗼𝗺 𝘀𝗶𝗹ê𝗻𝗰𝗶𝗼.

A gratidão depois da dor

A experiência mudou a forma como Pedro Chagas Freitas olha para a vida, para a energia e para aquilo que merece atenção. A normalidade, depois da doença do filho, tornou-se uma forma de graça.

O escritor afirma: 𝗛𝗼𝗷𝗲, 𝗮 𝗻𝗼𝗿𝗺𝗮𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 é 𝗮 𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗶𝘀𝗰𝗿𝗲𝘁𝗮 𝗱𝗮 𝗴𝗿𝗮ç𝗮.

Depois, liga essa aprendizagem à forma como gere críticas e julgamentos. A prioridade, escreve, é outra: 𝗡ã𝗼 𝗴𝗮𝘀𝘁𝗼 𝗮 𝗺𝗶𝗻𝗵𝗮 𝘃𝗶𝗱𝗮 𝗮 𝗷𝘂𝘀𝘁𝗶𝗳𝗶𝗰𝗮𝗿 𝗾𝘂𝗲𝗺 𝘀𝗼𝘂. 𝗚𝗮𝘀𝘁𝗼 𝗮 𝗺𝗶𝗻𝗵𝗮 𝘃𝗶𝗱𝗮 𝗰𝗼𝗺 𝗾𝘂𝗲𝗺 𝗮𝗺𝗼.

E essa prioridade tem um nome claro: 𝗔̀ 𝗳𝗿𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗱𝗲 𝗺𝗶𝗺 𝗲𝘀𝘁á 𝗼 𝗺𝗲𝘂 𝗳𝗶𝗹𝗵𝗼. À 𝗳𝗿𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗱𝗲 𝘁𝘂𝗱𝗼 𝗲𝘀𝘁á 𝗼 𝗺𝗲𝘂 𝗳𝗶𝗹𝗵𝗼.

Ainda assim, Pedro Chagas Freitas não apresenta a dor como algo superado sem marcas. Pelo contrário, sublinha: 𝗡ã𝗼 𝘀𝗮í𝗺𝗼𝘀 𝗶𝗹𝗲𝘀𝗼𝘀. 𝗡𝘂𝗻𝗰𝗮 𝘀𝗲 𝘀𝗮𝗶. 𝗔 𝗱𝗼𝗿 𝗲𝗱𝘂𝗰𝗮, 𝗺𝗮𝘀 𝗰𝗼𝗯𝗿𝗮 𝗰𝗮𝗿𝗼.

No final, fica a síntese da sobrevivência: 𝗢 𝗕𝗲𝗻𝗷𝗮𝗺𝗶𝗺 𝘃𝗶𝘃𝗲. 𝗘𝘂 𝗿𝗲𝗮𝗽𝗿𝗲𝗻𝗱𝗶 𝗮 𝘃𝗶𝘃𝗲𝗿 𝗰𝗼𝗺 𝗲𝗹𝗲. 𝗡ã𝗼 𝗲𝗺 𝗲𝘂𝗳𝗼𝗿𝗶𝗮; 𝗲𝗺 𝗲𝘀𝗽𝗮𝗻𝘁𝗼.

E conclui: 𝗡𝗲𝗺 𝘀𝗲𝗺𝗽𝗿𝗲 𝗲𝘀𝘁𝗼𝘂 𝗳𝗲𝗹𝗶𝘇. 𝗡𝘂𝗻𝗰𝗮 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗲𝗶𝘅𝗲𝗶 𝗱𝗲 𝗲𝘀𝘁𝗮𝗿 𝗴𝗿𝗮𝘁𝗼.

O “mandaràmerdismo” como higiene mental

No terceiro texto, Pedro Chagas Freitas muda o registo, mas não o tema de fundo. Depois da vulnerabilidade e da dor, surge a necessidade de criar limites.

O escritor começa com uma frase que resume o paradoxo da resistência: 𝗙𝗿𝗮𝗴𝗶𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 é 𝗲𝗻𝗱𝘂𝗿𝗲𝗰𝗲𝗿 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗻ã𝗼 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗿 𝗽𝗼𝗿 𝗱𝗲𝗻𝘁𝗿𝗼.

A partir daí, apresenta aquilo a que chama o seu mantra: 𝗖𝗿𝗶𝗲𝗶 𝗼 𝗺𝗲𝘂 𝗺𝗮𝗻𝘁𝗿𝗮: 𝗼 𝗺𝗮𝗻𝗱𝗮𝗿à𝗺𝗲𝗿𝗱𝗶𝘀𝗺𝗼.

Num tom irónico, mas com uma mensagem de autopreservação, Pedro Chagas Freitas enumera os princípios desta filosofia pessoal. O primeiro mandamento é direto: 𝗠𝗮𝗻𝘁𝗿𝗮 𝗲𝘀𝗽𝗶𝗿𝗶𝘁𝘂𝗮𝗹 𝗱𝗼 𝗺𝗮𝗻𝗱𝗮𝗿à𝗺𝗲𝗿𝗱𝗶𝘀𝗺𝗼: “𝘃𝗮𝗶 à 𝗺𝗲𝗿𝗱𝗮”.

Depois, esclarece que não se trata de arrogância. Segundo o autor, 𝗢 𝗺𝗮𝗻𝗱𝗮𝗿à𝗺𝗲𝗿𝗱𝗶𝘀𝗺𝗼 𝗻ã𝗼 é 𝗮𝗿𝗿𝗼𝗴â𝗻𝗰𝗶𝗮; é 𝗵𝗶𝗴𝗶𝗲𝗻𝗲 𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮𝗹. 𝗡ã𝗼 é 𝗱𝗲𝘀𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗲𝘀𝘀𝗲; é 𝘀𝗲𝗹𝗲𝗰çã𝗼 𝗻𝗮𝘁𝘂𝗿𝗮𝗹 𝗱𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗶𝗺𝗽𝗼𝗿𝘁𝗮. 𝗡ã𝗼 é 𝗳𝗿𝗶𝗲𝘇𝗮; é 𝗹𝗶𝗯𝗲𝗿𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗲𝗺𝗼𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹.

Menos ruído, mais paz

Ao longo da publicação, o escritor transforma o “mandaràmerdismo” numa espécie de manual para escolher batalhas. O objetivo é deixar de dar importância ao que não merece lugar.

Pedro Chagas Freitas escreve que se entra nesse estado 𝗾𝘂𝗮𝗻𝗱𝗼 𝘀𝗲 𝗮𝘁𝗶𝗻𝗴𝗲 𝗼 𝗹𝗶𝗺𝗶𝘁𝗲 𝗱𝗲 𝗱𝗮𝗿 𝗶𝗺𝗽𝗼𝗿𝘁â𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗮𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗻ã𝗼 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗲𝘀𝘀𝗮.

Entre os equipamentos simbólicos, inclui 𝘂𝗺 𝗯𝗼𝗺 𝗽𝗮𝗿 𝗱𝗲 𝗮𝘂𝘀𝗰𝘂𝗹𝘁𝗮𝗱𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗶𝗻𝘃𝗶𝘀í𝘃𝗲𝗶𝘀: 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗻ã𝗼 𝗼𝘂𝘃𝗶𝗿 𝗺𝗲𝗿𝗱𝗮𝘀, mas também 𝘂𝗺 𝗲𝘀𝗽𝗲𝗹𝗵𝗼: 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗽𝗼𝘀𝘀𝗮𝘀 𝘃𝗲𝗿-𝘁𝗲 𝗰𝗼𝗺𝗼 é𝘀.

O autor deixa ainda frases-chave para memorizar. Entre elas: 𝗡ã𝗼 𝗺𝗲 𝗶𝗻𝗰𝗼𝗺𝗼𝗱𝗮, 𝗜𝘀𝘀𝗼 é 𝘂𝗺 𝗽𝗿𝗼𝗯𝗹𝗲𝗺𝗮 𝘁𝗲𝘂, 𝗘𝘀𝘁𝗼𝘂-𝗺𝗲 𝗮 𝗰𝗮𝗴𝗮𝗿, 𝗰𝗼𝗺 𝗮𝗺𝗼𝗿 e 𝗘𝘂 𝘀𝗲𝗶 𝗾𝘂𝗲𝗺 𝘀𝗼𝘂.

Um limite que não deve virar crueldade

Apesar do tom provocador, Pedro Chagas Freitas deixa também avisos. O “mandaràmerdismo” não deve servir para fugir à responsabilidade emocional.

O escritor alerta: 𝗢 𝗺𝗮𝗻𝗱𝗮𝗿à𝗺𝗲𝗿𝗱𝗶𝘀𝗺𝗼 𝗻ã𝗼 𝗱𝗲𝘃𝗲 𝘀𝗲𝗿 𝘂𝘀𝗮𝗱𝗼 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗲𝘀𝗰𝘂𝗱𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗮 𝗰𝗼𝗯𝗮𝗿𝗱𝗶𝗮.

E acrescenta que não deve ser confundido com crueldade, cinismo ou falta de empatia. Nas relações íntimas, pede moderação: 𝗾𝘂𝗲𝗺 𝗻𝗼𝘀 𝗮𝗺𝗮 𝗺𝗲𝗿𝗲𝗰𝗲 𝗮 𝗻𝗼𝘀𝘀𝗮 𝗮𝘁𝗲𝗻çã𝗼 (𝗺𝗮𝘀 𝗻𝘂𝗻𝗰𝗮 𝗮 𝗻𝗼𝘀𝘀𝗮 𝗽𝗿𝗶𝘀ã𝗼).

No fim, o resultado esperado é uma vida com menos ansiedade, menos gente tóxica, mais tempo e mais identidade. Pedro Chagas Freitas resume esse destino numa frase: 𝗠𝗲𝗻𝗼𝘀 𝗮𝗻𝘀𝗶𝗲𝗱𝗮𝗱𝗲. 𝗠𝗲𝗻𝗼𝘀 𝗴𝗲𝗻𝘁𝗲 𝘁ó𝘅𝗶𝗰𝗮. 𝗠𝗮𝗶𝘀 𝘁𝗲𝗺𝗽𝗼. 𝗠𝗮𝗶𝘀 𝘁𝘂.

Por fim, fecha a reflexão com a ideia central: 𝗢 𝗺𝗮𝗻𝗱𝗮𝗿à𝗺𝗲𝗿𝗱𝗶𝘀𝗺𝗼 𝗻ã𝗼 𝘁𝗲 𝗮𝗳𝗮𝘀𝘁𝗮 𝗱𝗼 𝗺𝘂𝗻𝗱𝗼; 𝘀ó 𝘁𝗲 𝗮𝗽𝗿𝗼𝘅𝗶𝗺𝗮 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗲 𝘁𝗶.

Uma mesma mensagem em três registos

Entre o amor que não pode ser apenas tolerância, a memória dolorosa do internamento de Benjamim e a defesa de uma higiene mental mais firme, Pedro Chagas Freitas constrói três textos ligados pela mesma urgência: escolher melhor onde se fica, com quem se gasta energia e o que realmente importa.

Num registo ora íntimo, ora duro, ora irónico, o escritor volta a colocar a vida afetiva no centro das suas reflexões. E, desta vez, a conclusão parece atravessar todos os textos: amar exige vulnerabilidade, sobreviver exige gratidão e viver melhor exige limites.

Destaques

Bad Bunny emocionou a Luz com “A Minha Casinha” numa noite em que Lisboa também foi Porto Rico

Bad Bunny emocionou a Luz com “A Minha Casinha”...

João Moura Caetano anuncia encerrona para o final da temporada

João Moura Caetano anuncia encerrona para o final da...

Um enorme Miguel Moura e um bom Moura Caetano marcaram a corrida da Feira de Maio na Moita

Um enorme Miguel Moura e um bom Moura Caetano...

Salvaterra de Magos: Rouxinol Jr triunfou na corrida do tomate

Salvaterra de Magos: Rouxinol Jr triunfou na corrida do...

Reportagens

Artigos relacionados