Sexta-feira, Julho 23, 2021

Sangre Ibérico: “O nosso público merece que sejamos nós próprios”

Os Sangre Ibérico estão de regresso, como em tempo oportuno noticiámos, e ‘Nuvem de Beleza’ é o mais recente single que marca a estreia de Lúcia Mourinho como vocalista do projecto.

Um single que tem também um videoclipe muito bem concretizado e num dos locais mais bonitos de Portugal, que pode ser visto AQUI.

Assim, além de Lúcia Mourinho, o projecto continua com os pilares Paulo Maia Matilde e Alexandre Pereira.

Paulo Maia Matilde aceitou conceder uma entrevista ao Infocul, para abordar esta nova fase do grupo, sem esquecer o caminho até aqui percorrido.

Bom, este regresso está a ser incrível! O feedback do público tem sido sempre muito positivo e caloroso, estamos constantemente a receber mensagens de entusiasmo e apoio“, começou por, visivelmente feliz, nos contar.

Destacou ainda que “o nosso público estava ansioso pelo nosso regresso e, por ouvir o novo trabalho dos Sangre Ibérico e agora querem ver-nos nos palcos, como era hábito, temos recebido muitas mensagens a perguntar quando actuamos“.

O grupo teve uma reformulação na equipa, com a saída de André Amaro (decidiu seguir carreira a solo) e com a posterior entrada de Lúcia Mourinho.

Apesar de estarmos a passar uma pandemia foi positivo. No modo em que as coisas aconteceram, este período deu-nos tempo para organizar tudo de uma forma madura e consistente, apresentando muita qualidade“, contou Paulo sobre o período de confinamento.

Sobre o que a nova vocalista traz de novo ao projecto, Paulo começou por brincar ao afirmar que “a única coisa que se mantém dos Sangre Ibérico é o registo de Fado e Flamenco e claro, eu e o Alexandre“, não evitando o riso.

Com a nova vocalista muda tudo sendo que esta mudança não se deve apenas à entrada da Lúcia, mas também devido a toda a reestruturação que se fez no grupo, o que nos permitiu sermos livres e de alguma maneira, trouxe-nos a possibilidade de criar e produzir com a nossa verdadeira identidade“, disse, num tom mais sério.

Mas rapidamente voltou a mostrar o lado mais divertido, constatando que “a Lúcia traz o lado feminino que faltava nos Sangre Ibérico“.

Agora a falar a sério, a nova vocalista traz muito mais fado na voz, não fosse ela fadista! E digamos que traz também o flamenco na alma, na sua expressão corporal e no sentimento com que interpreta, não fosse ela bailarina de Flamenco“, explicou ainda.

A escolha de Lúcia surgiu após muitas audições, com Paulo a explicar-nos como decorreu todo o processo.

“Com a saída do anterior vocalista, eu decidi seguir com o projeto e decidi iniciar a grande maratona de castings em Portugal e em Espanha. Não consigo quantificar o número de audições, mas foram muitas mesmo“, disse por entre risos.

As características da Lúcia eram as características que que se encaixavam no que eu pretendia para a nova voz do projeto, uma voz que tivesse força e ao mesmo tempo delicada, um timbre fora do comum e que tivesse muito sentimento“, detalhou.

A Lúcia sendo fadista e bailarina de flamenco conseguiu adaptar-se à nossa linguagem, facilmente, e unir os dois géneros na perfeição“, explicou ainda.

O novo single, por entre a beleza da letra, do instrumental, dos arranjos, conta ainda com a produção do conceituado Luís de Perikin, uma escolha contada por Paulo Maia Matilde.

Eu já conhecia o trabalho do Luís há muito tempo, é um génio! O nosso produtor já tocou e produziu grandes artistas como, o Paco de Lúcia, Diego el Cigala, India Martinez e Nina Pastori. E foi durante o primeiro confinamento em 2020, naquela altura andava à procura de um produtor, que realmente compreendesse e respeitasse a nossa linguagem, estava a ver uns vídeos dele e nesse momento decidi contactá-lo e automaticamente fiquei estupefacto pela simplicidade, humildade e, pelo interesse que teve no nosso projeto e, claramente em trabalhar com os Sangre Ibérico“, disse-nos.

Foi tudo muito fácil e rápido, falávamos a mesma linguagem musical“, assegurou-nos.

E ressalva ainda que “neste tema conseguimos verificar o cuidado com que o Luís uniu as duas linguagens, o fado e o flamenco e também a forma como ele potenciou o nosso talento“. Paulo não esconde a felicidade com esta nova fase e o novo single: “Na minha opinião a “Nuvem de Beleza” é a perfeita união das duas linguagens musicais“.

As mudanças no grupo não se ficaram pelo vocalista. A questão da editora e do management do grupo também mudou.

Com a saída do anterior vocalista, eu com o apoio incondicional da minha atual equipa, decidi continuar com o projeto, apostando ainda mais nas verdadeiras raízes musicais dos Sangre Ibérico. E assim foi, atualmente os Sangre Ibérico têm uma equipa, da minha total confiança e que os quero manter só meus, sem referir nomes e, agradecer muito todo o trabalho que têm feito pelos Sangre Ibérico“, disse-nos Paulo.

Os esopectáculos tardam em chegar e a pandemia tem grande parte de culpa nisso, com Paulo a afirmar que “está complicado confesso, já vimos muitas datas a serem desmarcadas e outras adiadas para 2022. Esta pandemia veio afectar muito a arte do espetáculo“.

Sobre um novo disco, “ainda não temos nenhuma data pensada, mas já estamos a trabalhar no nosso segundo disco, sem dúvida que irá ser um disco baseado nas nossas raízes musicais, o Fado e o Flamenco, pois foi essa a linguagem que fez com que o público gostasse de nós. O nosso público merece que sejamos nós próprios e que não permitamos que nos desvirtuem da nossa linguagem musical“.

Convém aqui ressalvar, que muito antes do projecto se dar a conhecer no Got Talent Portugal, já eu acompanhava o trabalho deles, considerando, eu, que é um projecto diferente, com ideias bem conseguidas e que se deve manter fiel à sua essência original. Este regresso, sem que nunca daqui tenham partido, é uma lufada de ar fresco na música portuguesa.

Antes de mais queremos agradecer o carinho e este elogio magnífico, ficamos muito felizes em ouvir tais palavras e saber que somos admirados por alguém que respeita e trata tão bem a cultura“, respondeu Paulo.

Sem dúvida, estamos constantemente a receber o carinho e o apoio do público, querem sempre mais e mais músicas, sempre que vamos à TV estão lá, à frente do ecrã. Perguntam-nos constantemente quando temos concertos, sentimos claramente que o público sente a falta dos Sangre Ibérico nos grandes palcos do país. E nós estamos ansiosos de lhes poder dar esse prazer, estamos com muitas saudades da estrada e ansiosos por poder mostrar o nosso novo e grande conceito de concerto“, disse ainda, visivelmente feliz.

Durante a “pausa” para reformulação do grupo, “logo ao início, quando nós comunicamos, nas nossas redes sociais, as mudanças nos Sangre Ibérico, fiquei incrédulo pela forma como o nosso público reagiu. Nunca me irei esquecer! Foi uma das razões mais fortes de eu ter decidido seguir com o projeto. Recebemos inúmeras mensagens de carinho e de força para que continuássemos e para que voltássemos a ser fiéis a nós próprios e, à nossa verdadeira linguagem musical. Foi neste momento que percebi que a linguagem que criamos estava acima de apenas uma voz ou rosto“, contou-nos.

A melhor mensagem que podemos deixar é, obrigado! Obrigado por todo o apoio e carinho que tem demonstrado, desde sempre, para com os Sangre Ibérico. Iremos dar tudo de nós, vocês merecem. Fiquem atentos e sigam os Sangre Ibérico porque, brevemente, irão aparecer novidades“, rematou Paulo Maia Matilde, numa mensagem dirigida a todos os quanto gostam do projecto.

Rui Lavradorhttp://www.infocul.pt
Jornalista e Director Infocul.pt

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