Sara Santos revela drama pessoal após morte da filha: “Se não fosse o meu filho, eu já não estava cá”, assinalou.
Jornalista fala sobre perda, depressão e momento que mudou a sua vida
Sara Santos decidiu enfrentar um dos períodos mais difíceis da sua vida ao aceitar participar no programa “1.ª Companhia”, da TVI. A jornalista, de 42 anos, viu neste desafio uma oportunidade para mudar o rumo da sua história.
Entretanto, a decisão surge oito anos após a morte da filha. Curiosamente, a entrevista foi realizada no dia em que a menina faria oito anos, a 6 de fevereiro.
Segundo a própria, a participação no programa representou uma tentativa de quebrar a rotina e voltar a sentir energia para viver.
A dor profunda após a morte da filha
Antes de encontrar esse novo impulso, Sara Santos atravessou um período extremamente doloroso. A jornalista admite que chegou a perder a vontade de continuar a viver.
Nesse contexto, recorda que o sofrimento teve impacto direto na sua família, sobretudo no filho.
“Entrei num buraco muito complicado, quis terminar com a minha vida. O meu filho viu-me em situações complicadas, porque eu não pensava, só queria acabar com aquela dor, já não queria mesmo estar cá. Se não fosse o meu filho, eu já não estava cá”.
Além disso, o jovem também viveu intensamente todo o processo emocional vivido pela mãe.
“Ele acompanhou tudo. Eu perdi uma filha, mas ele perdeu uma irmã. Depois teve de me ver a deprimir em casa, todo o processo de não-luto. Apesar dos psicólogos, foi muito complicado ter de lidar com tudo na adolescência.”
Diagnóstico de saúde trouxe nova perspetiva
Posteriormente, um problema de saúde acabou por marcar um ponto de viragem. Sara Santos descobriu um tumor suspeito de ser maligno e teve de ser operada à mama esquerda.
Esse momento provocou uma mudança profunda na forma como passou a olhar para a vida.
“A primeira pergunta que fiz ao médico foi: ‘Vou morrer?’ Passei tanto tempo sem querer viver e acabei por perguntar se ia morrer. Foi o pânico total. Foi isso que me agarrou à vida, o querer viver. O meu filho e a minha família ajudaram-me muito nisso.”
A partir daí, a jornalista começou a reconstruir o seu caminho.
A decisão de libertar as cinzas da filha
Apesar da dor permanecer, Sara Santos admite que sente necessidade de fechar este capítulo da sua vida. Atualmente, ainda guarda as cinzas da filha em casa, mas quer mudar essa situação.
“Não estarei a desfazer-me da minha filha, mas de matéria. Essas cinzas, dentro de casa, estão a criar uma nuvem negra. Acredito que estar a prender a matéria não é bom. Tenho de deixá-la descansar de vez. Quero encerrar este capítulo, já não me está a fazer bem. Sinto uma nuvem escura e a necessidade de libertar-me.”
Enquanto isso, o processo relacionado com a morte da criança continua no Tribunal dos Direitos Humanos. Ainda assim, Sara quer seguir em frente, independentemente da decisão.
“Oito anos já chega, a minha filha também não quereria isto para mim.”
Dependência de bebidas energéticas durante fase intensa da carreira
Por outro lado, a jornalista também falou sobre um período de grande desgaste profissional. Durante uma pós-graduação e enquanto trabalhava nas madrugadas da SIC, desenvolveu uma dependência de bebidas energéticas.
“Cheguei a estar três dias sem dormir só a beber aquilo. Comecei com uma para aguentar, passei para duas, três. E quando se vê que funciona e é de acesso fácil…”
A situação acabou por marcar essa fase exigente da sua vida.
Relação estável e apoio do namorado
Atualmente, Sara Santos vive uma fase mais tranquila a nível pessoal. A jornalista mantém uma relação estável e contou com o apoio do namorado para participar na “1.ª Companhia”.
Segundo revelou, o companheiro acompanhou o desafio com orgulho.
“Ele sempre achou que eu não ia chegar longe, porque sou preguiçosa no exercício físico. Mas torceu para me ver na final. Ficou muito feliz e orgulhoso da minha prestação.”
Casamento não faz parte dos planos
Por fim, Sara Santos também abordou a sua visão sobre o futuro da relação. Apesar da estabilidade que vive atualmente, garante que não pretende voltar a casar.
“Já fui casada uma vez, pela igreja. Já me divorciei, a burocracia foi imensa. O mais importante é o compromisso. Estamos felizes, na nossa paz, e respeitamo-nos muito.”
Assim, a jornalista afirma que prefere manter a relação como está, valorizando sobretudo a tranquilidade e o respeito mútuo.
