Tânia Laranjo ironiza sobre José Sócrates em tribunal: “O processo já dura há tanto tempo que quando começou ainda se compravam toques para telemóvel”, disse.
Tânia Laranjo recorreu às redes sociais para comentar, em tom irónico, a presença de José Sócrates em tribunal. No texto publicado, a autora sublinha que o antigo primeiro-ministro não esteve ali para ser julgado, mas no âmbito de um processo em que pede uma indemnização ao Estado.
A publicação junta crítica, sarcasmo e uma leitura dura sobre a lentidão da Justiça. Pelo meio, Tânia Laranjo deixa uma frase que resume o tom do desabafo: o caso arrasta-se há tanto tempo que já parece pertencer a outra época.
José Sócrates em tribunal, mas noutro processo
Logo no início da publicação, Tânia Laranjo enquadra o episódio com humor, deixando claro que a deslocação de José Sócrates ao tribunal não teve relação com um julgamento seu.
“𝗝𝗼𝘀é 𝗦ó𝗰𝗿𝗮𝘁𝗲𝘀 𝗮𝗽𝗮𝗿𝗲𝗰𝗲𝘂 𝗻𝗼 𝘁𝗿𝗶𝗯𝘂𝗻𝗮𝗹. 𝗖𝗮𝗹𝗺𝗮… 𝗻ã𝗼 𝗳𝗼𝗶 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝘀𝗲𝗿 𝗷𝘂𝗹𝗴𝗮𝗱𝗼. 𝗜𝘀𝘀𝗼 𝗮𝗶𝗻𝗱𝗮 𝗱𝗲𝘃𝗲 𝗲𝘀𝘁𝗮𝗿 𝗲𝗺 𝗳𝗮𝘀𝗲 𝗱𝗲 𝗮𝗾𝘂𝗲𝗰𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼, 𝘁𝗶𝗽𝗼 𝗺𝗼𝘁𝗼𝗿 𝗱𝗲 𝗰𝗮𝗿𝗿𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗻𝗼𝘀 𝗮𝗻𝗼𝘀 𝟵𝟬. 𝗙𝗼𝗶 𝗮𝗼 𝗽𝗿𝗼𝗰𝗲𝘀𝘀𝗼 𝗼𝗻𝗱𝗲 𝗼 𝗘𝘀𝘁𝗮𝗱𝗼 é 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘀𝘁á 𝗻𝗼 𝗯𝗮𝗻𝗰𝗼 𝗱𝗼𝘀 𝗿é𝘂𝘀 𝗲 𝗦ó𝗰𝗿𝗮𝘁𝗲𝘀 𝗽𝗲𝗱𝗲 𝟱𝟬 𝗺𝗶𝗹 𝗲𝘂𝗿𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗶𝗻𝗱𝗲𝗺𝗻𝗶𝘇𝗮çã𝗼.”
A partir daqui, a crítica deixa de estar apenas no episódio do dia. Passa a incidir sobre a perceção de demora e desgaste em torno do processo.
A ironia sobre a velocidade da Justiça
No mesmo texto, Tânia Laranjo usa a ideia de rapidez como provocação. A autora imagina um cenário em que tudo avança sem atrasos, justamente para sublinhar o contraste com aquilo que critica.
“𝗔𝗰𝗿𝗲𝗱𝗶𝘁𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗱𝗲𝘀𝘁𝗮 𝘃𝗲𝘇 𝘃𝗮𝗶 𝘀𝗲𝗿 𝗿á𝗽𝗶𝗱𝗼. 𝗦𝗲𝗺 𝗺𝗮𝗻𝗼𝗯𝗿𝗮𝘀 𝗱𝗶𝗹𝗮𝘁ó𝗿𝗶𝗮𝘀, 𝘀𝗲𝗺 𝗺𝘂𝗱𝗮𝗻ç𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝗮𝗱𝘃𝗼𝗴𝗮𝗱𝗼, 𝘀𝗲𝗺 𝗱𝗼𝗰𝘂𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼𝘀 𝗲𝘀𝗾𝘂𝗲𝗰𝗶𝗱𝗼𝘀 𝗻𝘂𝗺 𝗽𝗲𝗻 𝗱𝗿𝗶𝘃𝗲 𝗱𝗮 𝗘𝘅𝗽𝗼 𝟵𝟴. 𝗩𝗮𝗶 𝘁𝘂𝗱𝗼 𝗮𝗻𝗱𝗮𝗿 𝘁ã𝗼 𝗱𝗲𝗽𝗿𝗲𝘀𝘀𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗮𝘁é 𝗼𝘀 𝗳𝘂𝗻𝗰𝗶𝗼𝗻á𝗿𝗶𝗼𝘀 𝘃ã𝗼 𝗲𝘀𝘁𝗿𝗮𝗻𝗵𝗮𝗿 𝗲 𝗽𝗲𝗿𝗴𝘂𝗻𝘁𝗮𝗿 “𝗾𝘂𝗲𝗺 𝗮𝘂𝘁𝗼𝗿𝗶𝘇𝗼𝘂 𝗲𝘀𝘁𝗮 𝘃𝗲𝗹𝗼𝗰𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝘁𝗼𝗱𝗮?”.”
A publicação mantém esse registo sarcástico, mas aponta para uma preocupação maior: a confiança dos cidadãos na Justiça.
“São muitos os que deixam de acreditar na Justiça”
Mais à frente, Tânia Laranjo escreve que uma eventual condenação do Estado antes de José Sócrates ser julgado poderia agravar a descrença pública.
“𝗔𝗴𝗼𝗿𝗮 𝘂𝗺𝗮 𝗰𝗼𝗶𝘀𝗮 𝗲𝘀𝘁𝗼𝘂 𝗰𝗲𝗿𝘁𝗮: 𝘀𝗲 𝗼 𝗘𝘀𝘁𝗮𝗱𝗼 𝗳𝗼𝗿 𝗰𝗼𝗻𝗱𝗲𝗻𝗮𝗱𝗼 𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗦ó𝗰𝗿𝗮𝘁𝗲𝘀 𝘀𝗲𝗿 𝗷𝘂𝗹𝗴𝗮𝗱𝗼, 𝘀ã𝗼 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼𝘀 𝗼𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗱𝗲𝗶𝘅𝗮𝗺 𝗱𝗲 𝗮𝗰𝗿𝗲𝗱𝗶𝘁𝗮𝗿 𝗻𝗮 𝗝𝘂𝘀𝘁𝗶ç𝗮 𝗲 𝗽𝗮𝘀𝘀𝗮𝗺 𝗮 𝗮𝗰𝗿𝗲𝗱𝗶𝘁𝗮𝗿 𝗲𝗺 𝗮𝘀𝘁𝗿𝗼𝗹𝗼𝗴𝗶𝗮, 𝘀𝗶𝗻𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗲 𝘁𝗿â𝗻𝘀𝗶𝘁𝗼 𝗲 𝗰𝗼𝗿𝗿𝗲𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗱𝗼 𝗙𝗮𝗰𝗲𝗯𝗼𝗼𝗸 𝗱𝗮 𝘁𝗶𝗮 𝗔𝗹𝗶𝗰𝗲.”
O fecho do texto recupera o tom humorístico, mas sem esconder a crítica à duração do caso.
“É 𝗾𝘂𝗲 𝗻ã𝗼 𝘀𝗲𝗶 𝘀𝗲 𝗮 𝗺𝗮𝗹𝘁𝗮 𝘁𝗲𝗺 𝗻𝗼çã𝗼: 𝗺𝗮𝘀 𝗼 𝗽𝗿𝗼𝗰𝗲𝘀𝘀𝗼 𝗷á 𝗱𝘂𝗿𝗮 𝗵á 𝘁𝗮𝗻𝘁𝗼 𝘁𝗲𝗺𝗽𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗾𝘂𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗰𝗼𝗺𝗲ç𝗼𝘂 𝗮𝗶𝗻𝗱𝗮 𝘀𝗲 𝗰𝗼𝗺𝗽𝗿𝗮𝘃𝗮𝗺 𝘁𝗼𝗾𝘂𝗲𝘀 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝘁𝗲𝗹𝗲𝗺ó𝘃𝗲𝗹.”
Com esta publicação, Tânia Laranjo voltou a recorrer à ironia para comentar um tema judicial que continua a gerar debate público. Entre a piada e a crítica, o alvo principal foi a demora de um processo que, segundo a própria, já atravessou demasiados anos.
Veja a publicação AQUI.

