Vem aí novo disco de António Côrte-Real

Vem aí novo disco de António Côrte-Real, segundo nos revelou ontem, o músico, à margem da ante-estreia do documentário sobre os Iron Maiden.

Fotografia: Carlos Pedroso
Texto e Entrevista: Rui Lavrador

O projecto Côrte-Real também prepara disco

À margem da conversa sobre os UHF, houve ainda espaço para falar do projecto Côrte-Real, com António Côrte-Real, membro dos UHF e filho de António Manuel Ribeiro.

Segundo foi revelado, o disco está pronto. “O disco de Côrte-Real está pronto.”

Depois, veio a explicação sobre o processo. E aqui a conversa ficou mais pessoal.

“Estou muito feliz. Foi um parto que não foi fácil, porque tive uma mudança de formação complicada.”

A mudança teve peso criativo e humano. O próprio explicou: “Quando se perde um coautor e vocalista e é preciso escolher uma pessoa nova para o lugar, não é fácil e isso levou tempo.”

O álbum acabou por ser repensado várias vezes: “O disco foi reformulado, voltou a ser reformulado outra vez, mas estou muito contente porque tenho uma coleção de canções que me orgulho muito.”

Além disso, há uma nova parceria criativa em destaque: “Encontrei um novo parceiro a escrever canções, que é o Tiago Estrela, e estou muito feliz com o trabalho que estamos a fazer os dois.”

Nesta fase, o trabalho já está perto do fim: “Agora já estamos naquela parte, estamos na ponta final das misturas do álbum e já estamos a tratar da burocracia à volta daquilo que será a saída do disco.”

Entre os UHF e uma identidade própria

A conversa permitiu ainda perceber a relação entre estar nos UHF e ter um caminho artístico próprio.

A resposta foi clara. Há uma identidade dentro da banda. E há outra fora dela.

“Os UHF têm uma linha própria, a qual eu tive que aprender e viver, e vivo-a todos os dias em palco e no estúdio.”

Depois, explicou como tenta equilibrar essa herança com a sua própria linguagem: “Metendo aquilo que também é o meu som, que é a minha sonoridade, e tentando não chocar.”

A frase seguinte resume bem essa divisão: “Os UHF são os UHF e eu, nos UHF, sou os UHF.”

Mas há também uma vida fora desse universo: “Tentando não deixar de ser eu, mas sou os UHF. Comigo a solo, nos projetos fora dos UHF, é diferente.”

Sobre Côrte-Real, a ideia musical parece bem definida: “A Côrte-Real tem um core sonoro que está bem marcado no primeiro álbum, sobretudo na canção ‘Tiro os olhos do chão’, acho que marca bem isso.”

Esse núcleo, porém, não fica parado: “Esse core agora sofre uma evolução no novo álbum, e isso para mim é muito importante, porque está conseguido.”

A ambição, aqui, passa por crescer sem afastar quem já acompanha o projecto.

“Eu acho que nós temos canções à brava, se calhar o próximo álbum já está composto também.”

Depois, veio a chave da resposta: “A questão não é essa, a questão é mesmo a sonoridade da banda, não desiludir os fãs, mas evoluir.”

E fechou com confiança: “Eu acho que está conseguido, e estou muito feliz com isso.”

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