“Ver duas urnas não há palavras”: Bispo do Porto comove ao falar aos filhos de Diogo Jota

“Ver duas urnas não há palavras”: Bispo do Porto comove ao falar aos filhos de Diogo Jota, esta manhã em Gondomar.

O adeus a Diogo Jota e ao irmão, André Silva, ficou marcado por um momento profundamente emotivo protagonizado por D. Manuel Linda, Bispo do Porto. Durante a homilia da missa de corpo presente, o responsável da Diocese dirigiu palavras de consolo aos filhos do jogador, ausentes da cerimónia fúnebre.

Logo no início, D. Manuel Linda dirigiu-se diretamente aos três filhos de Jota, com uma mensagem tocante:
“Queridos Dinis, Mafalda e Duarte, filhos que não estão aqui. Neste momento sofreis imensamente ou talvez não porque não vos apercebeis. Vou rezar muito por vós. Quem sofre muito é a vossa mãe e os vossos avós. Ver os restos mortais de um filho deve ser um tormento maior, mas quando são duas urnas não há palavras. Mas há sentimentos. Estamos aqui para dizer que também sofremos muito. Estamos aqui afetivamente convosco.”

De seguida, sublinhou a humanidade da dor e o poder da fé:
“É humano chorar. Mal de nós se não o fizéssemos.”

O Bispo lembrou ainda o exemplo de Jesus perante a morte de um amigo próximo:
“Na missa escutámos que Jesus também foi confrontado com um acontecimento semelhante: morreu um grande amigo. Jesus foi dar os sentimentos, comoveu-se e chorou. Mas não ficou por aqui. Também rezou por Lázaro e deu-lhe a vida novamente. É algo semelhante que queremos para o vosso pai e o vosso tio. Uma vida nova: vida eterna, paraíso, céu.”

Mais adiante, reforçou a importância da fé como apoio nestes momentos:
“Estamos aqui por duas razões: solidariedade no amor e porque a fé em Deus nos dá a certeza da vida eterna.”

Além disso, recordou o casamento recente de Diogo Jota e destacou o valor do esforço e da conduta exemplar:
“O vosso pai casou 11 dias antes deste acontecimento. Boas obras: ambos subiram na vida pelos seus sacrifícios. Respeitando sempre o seu semelhante. Pessoas sérias, respeitáveis. Com particular aptidão.”

Sobre o impacto do desporto, D. Manuel realçou:
“A Igreja gosta de desporto. O desporto tem um enorme potencial para agregar pessoas diferentes. Onde se juntam: respeito, disciplina. São muitos os valores do desporto.”

A terminar, deixou uma palavra direta e emocionada às crianças:
“Se é difícil ver um adulto chorar, mais difícil é ver uma criança. Mando-vos um especial cumprimento pela vossa mãe e avós. Estou convosco, mas Jesus também está convosco.”

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