Segunda-feira, Abril 19, 2021

365 dias contigo

Foi no passado ano de 2020 que o mundo se viu a braços com uma pandemia global, uma pandemia que nos apanhou a todos de surpresa e que ao dia de hoje ainda não desarmou.
Os jovens subitamente viram as suas rotinas serem reduzidas à monotonia das relações digitais e das aulas e/ou trabalho à distância, mudanças que têm deixado marcas negativas na sua saúde mental e nas poucas chances que o elevador social da educação já lhes confere.


O mundo como o conhecíamos teve uma drástica e abrupta alteração em poucos meses e também foi assim na política, a pandemia obrigou a uma adaptação em tempo recorde dos atores políticos. Em poucos meses ficou na ordem do dia um tema escassamente debatido em décadas e em poucos meses toda a mensagem política se centralizou na pandemia. Ficando, alguns temas propositadamente esquecidos e fora da cena pública, adiando-se assim reformas e debates fulcrais para o desenvolvimento do nosso país e das nossas gerações.

Assinalo hoje um ano à frente da equipa da Juventude Popular Distrital de Setúbal e seria impossível termos sido exceção em tudo isto. Não tomando a pandemia como principio e fim de toda a nossa atividade politica, soubemos dar o devido lugar à temática e apresentamo-nos sempre mensageiros de propostas sólidas e capazes de corrigir assimetrias que encontramos e melhorar a situação que, infelizmente, ainda atravessamos.

Desde a primeira hora que assumimos o digital como prioritário na difusão da nossa mensagem, e nessa senda houve também um esforço para fazer a divulgação das nossas propostas e opiniões através dos meios de comunicação social local, porque acreditamos no papel do media locais, como veículos de proximidade dos cidadãos com as suas terras.

Olhámos para as dificuldades dos jovens que se agudizaram  com a pandemia como pontos a resolver o mais urgente possível, e por isso a nossa intervenção no sentido de instar as autarquias a resolver problemas relacionados com, por exemplo, o acesso às tecnologias necessárias para as aulas à distância foi pronta e rápida. Estivemos desde a primeira hora contra um processo de digitalização mal organizado que levou a que alunos fossem  excluídos da escola por não terem meios. Se no início desta crise sanitária se falava da democraticidade deste vírus pode-se dizer que, passado sensivelmente um ano da disseminação da COVID-19 em Portugal, os jovens com mais dificuldades no acesso às tecnologias foram os mais prejudicados na sua educação.

As famílias carenciadas com vários filhos em idade de estudos viram-se atormentadas com um desafio hercúleo de encontrar forma de todos eles assistirem às aulas, de lhes garantir a alimentação e a protecção de uma vigilância adulta, sem descurar com as suas obrigações profissionais já por si muitas vezes precárias.
Nestes lares mais pobres, esta sobrecarga foi também exponenciada com o atravessar de um inverno rigoroso que veio pressionar muitas famílias a escolher entre ter frio ou ter fome.
Podemos também falar nas famílias da classe média que com medidas de lay-off, muitas vezes tardias, viram os seus rendimentos cilindrados, tendo uma grande fatia destes agregados sido obrigado a recorrer a ajuda alimentar. 
Podemos também lembrar aqueles cujo teletrabalho nunca foi opção e para quem falar em transporte privado é uma miragem. E ainda de alguns heróis esquecidos, como os que garantem a limpeza e a salubridade dos espaços que podemos frequentar com mais ou menos necessidade.

É certo que a disseminação deste vírus é democrática, porém não se pode dizer que as suas consequências nos afetam a todos por igual.
Cientes de toda esta dura realidade atuámos localmente segundo a nossa definição de prioridades, naquelas que são as nossas competências, fazer propostas junto dos nossos autarcas, apresentar soluções junto dos executivos, mantendo sempre uma postura ativa, crítica e atenta ao que nos rodeia. Estar na JP é uma escolha voluntária, um compromisso que consciente e deliberadamente assumimos para com a sociedade, conjugando esse nosso voluntário dever com a nossa própria juventude, pois também nós somos jovens e também a cada um de nós a covid-19 nos afetou de diferentes maneiras.

Ainda neste contexto pandémico tentámos tirar proveito das novas dinâmicas que se tornaram comuns, como a utilização dos meios digitais para conseguirmos afastados, estar próximos. Apostámos nas formações e conferências online, proporcionando a muitos jovens e menos jovens, militantes e não militantes de todo o distrito, a oportunidade de, a partir das suas casas, enriquecerem a sua capacitação em diversas áreas. Acreditamos na formação como uma das melhores ferramentas para enfrentar os desafios do futuro

Liderar uma estrutura política de jovens, de uma geração profundamente livre nas suas convicções e ideias é por si só um desafio de grande magnitude. Acrescentando a esta equação todas as particularidades que o distrito de Setúbal nos oferece e a tarefa vê aumentada o seu grau de dificuldade. 

O distrito de Setúbal brinda-nos com uma variedade de contextos e situações que requerem um olhar singular para cada uma delas e por isso é impossível gerir uma equipa distrital sem adequar a sua atuação a cada contexto e cada particularidade de cada jovem do nosso distrito. Esta diversidade pauta toda a JP no distrito de Setúbal, e é uma das nossas grandes mais valias. Saber falar com cada jovem do nosso distrito e ir ao encontro das suas necessidades.

Esta variedade de contextos não nos permite olhar para o distrito de Setúbal como um bloco, e obriga-nos a ter, como nos disse José Ribeiro e Castro numa das nossas conferências online, “um especialista dos nossos concelhos” em cada lugar. Porque, dizia, existem especialistas de muitos temas, opinion makers de toda a ordem, mas alguém verdadeiramente focado nos problemas locais das nossas populações isso existem poucos, e nós devemos ser desses, os especialistas das nossas terras.

Partimos para o segundo e último ano de mandato, em que que acredito ser hora de reforçarmos o nosso serviços às populações, é altura da JP dizer presente em cada freguesia do nosso distrito. Esta segunda metade que se segue deve revestir-se de muita responsabilidade no desafio autárquico que se aproxima. Seja na preparação de eleições, na formação de candidatos ou na criação de programas que respondam e correspondam às necessidades e expectativas das populações  A responsabilidade de semear em cada concelho um pouco dos nossos valores para que eles no futuro estejam cimentados e, de no dia após as eleições, no apoio em permanência aos nossos autarcas, que são por excelência o veiculo de contacto das nossas propostas com as pessoas.

Posso dizer que chego ao final deste primeiro ano de mandato à frente de uma equipa de jovens que continuam empenhados em trabalhar pelas suas localidades, pelas suas pessoas, pelo país. Que cumprimos os objetivos a que nos predispusémos para este ciclo inicial e avançamos para mais um ano de entrega e de intervenção em prol da melhoria das condições de vida de todos os que nos rodeiam. Continuamos a ser uma Juventude que Acredita no seu papel na sociedade, que acredita nas suas acções e que nunca deixará de ser irreverente e por vezes incómoda, sempre que o tiver de ser.

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