Morreu Jorge Nuno Pinto da Costa, ex-presidente do Futebol Clube do Porto, que lutava contra um cancro há 3 anos.
Com 87 anos, Jorge Nuno Pinto da Costa faleceu no primeiro ano após deixar o FC Porto, após 42 anos de presidência.
Recorde-se que é o Presidente, no futebol, mais titulado do mundo.
Aquando da entrevista no Alta Definição, da SIC, Jorge Nuno Pinto da Costa falou sobre a morte, sem refúgios nas palavras.
“Pensa muito na morte?”, questionou Daniel Oliveira.
“Não, não. Eu só penso naquilo que posso alterar. Como eu acredito que o dia está marcado… o meu irmão quando faleceu estava doente e eu em fins de outubro fui visitá-lo (…) eu disse-lhe ‘este ano vou passar o natal contigo’. E ele diz-me assim: ‘Não, este ano não vais’. E eu: ‘Então não queres que eu vá?’. ‘Não vais porque eu vou morrer até ao dia 15 de dezembro’. Eu fiquei chocado e ele disse-me assim ‘oh, Jorge não fiques chocado, todos nós temos de morrer. E se fores perguntar a qualquer jovem de 18 anos, se quer assinar um contrato a dizer que chega aos 80, não há ninguém que não assine. Nós chegamos e fizemos a vida que quisemos, portanto, não há problema quando chegar a nossa hora, a minha é a 15 de dezembro’. Sabe em que dia morreu? Dia 8 de dezembro”, contou, acrescentando: “A nossa hora está marcada, não há que lutar contra isso. Há é que aproveitar a vida…”, respondeu Pinto da Costa.
Seguidamente, Pinto da Costa recordou, por exemplo, a altura em que foi operado ao coração, que chegou mesmo a pensar que ia morrer. “Olhe eu fui operado ao coração, estava convencido que ia morrer, porque eu andava há dois anos a adiar uma operação (…) Eu adiava sempre por causa do Porto. Um dia levei os exames ao meu irmão e disse: ‘oh, Zé tenho aqui um amigo que está na dúvida se deve ou não ser operado ao coração ou não, podes dar a tua opinião? Ele olhou e disse: ‘O teu amigo já devia ter sido autopsiado. Essa aorta vai explodir qualquer dia’”.
“O meu amigo sou eu. Ele insultou-me, ‘tu és maluco, como é que andas nessa vida’”, assinalou.
“Deixei um anúncio, que veio a ser publicado, a dizer que fui operado ao coração e correu tudo bem, voltará brevemente e tal e outro a comunicar a minha morte. Se me safar ponho este, se não me safar está aqui”, disse acrescentando: “Encarei com naturalidade… sem medo”.
“Como foi o despertar da operação?”, perguntou Daniel Oliveira.
“Foi engraçado, estava há 24 horas a dormir… e conta a enfermeira que estava ao meu lado que eu abri os olhos e disse assim, ‘porra, estou vivo’ e adormeci outras 24 horas. Porque eles tinham-me dado uma dose para eu não me mexer, o coração dura 12 horas e o meu esteve cá fora oito”, explicou.
Há três anos que lutava contra um cancro, morreu este sábado aos 87 anos.

